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02. Gampopa - A Preciosa Guirlanda - Introdução

gampopaSão Paulo, 11 de Agosto de 2013,

Queridos(as) Amigos(as),

É com alegria que iniciaremos o estudo do texto de As Instruções de Gampopa: A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo, por sugestão e sob orientação do nosso querido Lama Trinle. A escolha tem um grande significado para nós. Como o próprio Gampopa disse, pouco antes de sua morte: “No futuro, aqueles que pensarem, ‘Alas, eu não pude encontrá-lo’, deverão simplesmente estudar e praticar os textos que compus: A preciosa guirlanda do caminho supremo e O precioso ornamento da liberação e outros. Isso será o mesmo que encontrar-me pessoalmente; não há nenhuma diferença em particular. Aqueles que estiverem encontrando dificuldades de compreensão e prática do dharma pensem em mim e supliquem com devoção. As bênçãos surgirão naturalmente”.

Em seguida, Gampopa destacou: “Muitas coisas ruins podem acontecer com os seres sencientes e é difícil beneficiá-los. Não faça esforços para construir assentos do dharma, imagens, estupas e daí por diante. Praticar o dharma corretamente , de acordo com os ensinamentos é o verdadeiro assento, a vida e a liberação dos lamas”.

Gampopa viveu ao longo dos séculos XI e XII, foi casado e teve dois filhos. Subitamente a vida levou toda a sua família e no leito de morte de sua esposa ele prometeu dedicar sua vida à prática do dharma. Aos vinte e seis anos tomou a ordenação completa de monge e recebeu o nome de Sonam Rinchen. Gampopa seguiu a tradição Kadampa, originária do mestre Atisha, e durante o seu percurso de prática tornou-se o principal discípulo do grande yogi Milarepa, aluno do tradutor Marpa, detentor da linhagens de prática de Naropa e Tilopa.

Também merece destaque sua relevância para a gloriosa linhagem Shangpa. De acordo com a autobiografia do grande Mokchokpa, jóia da Gloriosa Shangpa: “Depois da morte de Khyungpo Neljor, passei dois anos em retiro solitário. Então, para esclarecer algumas dúvidas da minha prática, eu parti para encontrar Lama Gampopa, tendo-o encontrado numa caverna. Lama Gampopa estendeu seus braços e colocou uma kata branca em minhas mãos. Deixando seu bambu de caminhada no chão, ele se dirigiu a mim e disse: “Você é meu discípulo e nós fomos mestres, um do outro, por muitas vidas. Mas essa é a primeira vez que nos encontramos nessa vida. Com lágrimas nos olhos ele cantou um canto vajra (...)”.

Ao longo dos nossos estudos utilizaremos como referência os comentários do nosso querido Khempo Karthar Rinpoche, que visitou nosso Centro de Dharma em Brasília/DF - Kagyu Pende Gyamtso, em 2008. Nesse mês, Khenpo Khartar Rimpoche completa 90 anos e, então, dedicaremos nossa prática à sua longa vida. E, claro, dedicaremos todos os méritos acumulados por nossa conduta de estudo e prática ao nosso querido mestre Khyabje Kalu Rinpoche. Que sua atividade possa florescer em sua plenitude para o benefício de todos os seres sencientes, sob os auspícios das dakinis de sabedoria da Gloriosa Shangpa.

Lama Uangdu


Ensinamentos em Audio sobre Gampopa e sua obra: clique aqui

 

 

03. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 1 - As Dez Causas de Lamentação

gampopaAs Instruções de Gampopa
A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo

Conforme havíamos anunciado, é com grande satisfação que disponibilizamos o primeiro capítulo desse livro maravilhoso “A Guirlanda Preciosa do Caminho Supremo”, do Gampopa, com os respectivos comentários do Khenpo Khartar Rimpoche. (Clique aqui para baixar o texto)

Lama Uangdu 


NAMO RATNA GURU

A conduta perfeitamente pura é o ornamento dos Lamas da preciosa Linhagem Kagyüpa. São eles que liberam do oceano de terror, o Ciclo das existências, tão difícil de atravessar.

Tomo refúgio, prosternando-me diante dos Santos Lamas da imaculada Linhagem da Prática. Suas vastas aspirações perduram e realizam-se espontaneamente e as ondas de sua graça são inesgotáveis como o grande oceano.

Concedam-me sua graça!

Tendo mantido por muito tempo em minha mente as palavras originárias desses Lamas Kagyüpas, compus essa guirlanda preciosa do caminho supremo, essas instruções que me são caras e que destino aos afortunados ligados à mim: meus discípulos diretos e aqueles da Linhagem.

AS DEZ CAUSAS DE LAMENTAÇÃO - Capítulo 1

O texto

Aqueles indivíduos que aspirarem alcançar a liberação e a omnisciência da budeidade devem, desde o início, relembrar as dez causas de lamentação:

1. Engajar esse corpo humano puro, difícil de obter, em ações não virtuosas e negativas é lamentável.

2. Esse corpo humano puro, (dotado) das (8) liberdades e (10) aquisições, difícil de obter, deixá-lo perecer em ações mundanas em desconformidade com o dharma, é lamentável.

3. Nesta época degenerada, desperdiçar essa breve existência humana com atos insensatos, é lamentável.

4. Deixar a mente em si, cuja natureza é o dhamakaya livre de fabricações, afundar na lama das confusões do samsara é lamentável.

5. Deixar o santo lama, que guia ao longo do caminho antes de alcançar o despertar, é lamentável.

6. Deixar que esse barco, os votos e compromissos que permitem alcançar a liberação, sejam destruídos pelo poder das circunstâncias, paixões e da desatenção é lamentável.

7. A realização e a experiência alcançadas pela graça do lama, deixar esvaírem-se pela selva das ações mundanas é lamentável.

8. Vender as profundas instruções orais dos mestres realizados aos profanos, indignos de recebê-las, é lamentável.

9. Todos os seres sencientes, que foram nossos bondosos pais e mães, rejeitá-los e abandoná-los com uma mente hostil, é lamentável.

10. As três portas no desabrochar da juventude, deixá-las recair na indiferença ordinária, é lamentável.

Essas são as dez causas de lamentação

AS DEZ CAUSAS DE LAMENTAÇÃO – COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE

Gampopa diz que aqueles que quiserem obter a liberação, bem como o estado de onisciência ou a completa budeidade, devem se lembrar constantemente das dez causas de lamentação.

A primeira das dez causas de lamentação é a má-conduta. O ponto aqui é que a única causa possível para se experimentar uma existência humana, que é a base para a prática do Dharma, é manter uma conduta ética pura. Uma vez que raríssimos seres preservam, de alguma forma, uma conduta moral genuína, muito poucos alcançam uma existência humana. Em geral, as pessoas não praticam o que é virtuoso, mas se engajam naquilo que é nocivo – má-conduta. Até que se renuncie à má-conduta, a pessoa jamais alcançará a liberação do sofrimento ou mesmo livrar-se dos domínios inferiores de existência, o que dirá da omnisciência, e não terá qualquer habilidade para beneficiar os demais. Portanto, a primeira coisa a se lamentar é uma má-conduta.

A segunda causa de lamentação é desperdiçar a preciosa existência humana, dotada das oito liberdades e dez aquisições. De fato, é importante considerar que somente um ser dotado dessa preciosa existência humana, com essas dezoito características, dispõe das habilidades para a prática do Dharma. A primeira causa de lamentação envolve a conduta que impede um nascimento humano. Aqui, estamos preocupados nas ações que nos impedem de obter uma existência humana particular denominada "preciosa existência humana", dotada das oito liberdades e dez aquisições.

A terceira causa de lamentação é a distração sem sentido e as ocupações sem sentido. A época em que vivemos é chamada "era decadente". Dentre os aspectos dessa decadência está o fato de que nossa vitalidade é muito fraca. Existem poucos fatores que nos mantém vivos, mas muitos que nos conduzem à morte. Além disso, a morte pode ocorrer muito rapidamente e por um grande número de causas. Assim, é importante lembrar-se que não há tempo a perder. Portanto, a terceira causa de lamentação são as atividades de mera perda de tempo, ou seja, distrações.

A quarta causa de lamentação é o vício pela conceitualização e as aflições subsequentes. É dito que a verdadeira natureza da mente como ela é – a mente em si – é o dharmakaya. Todas as qualidades do dharmakaya estão espontaneamente presentes em nós. Elas são o que realmente somos. Entretanto, ao não reconhecermos isso, tendemos a seguir os pensamentos viciados que surgem na mente. Somos capturados pelas aflições mentais que eles produzem e isso o reconhecimento da mente.

A quinta causa de lamentação é a situação na qual rapidamente desenvolvemos um desgaste na relação de confiança pelo professor e na prática de suas instruções. É importante compreender que a única base possível, a partir da qual podemos alcançar a liberação do intenso sofrimento do samsara, é receber e praticar as instruções especiais dos nossos lamas. Desconsiderar o valor do receber e praticar tais instruções para engajar-se em vários tipos de atividades sem sentido é a quinta causa de lamentação.

A sexta causa de lamentação é a situação na qual o praticante danifica ou destrói qualquer um dos três votos. Em geral, diz-se que o único recipiente por meio do qual podemos cruzar o oceano de sofrimento samsárico e alcançar o domínio da grande felicidade, o domínio da liberação, o estado de budeidade, é o excelente vaso dos três tipos de votos ou compromissos. Eles são: 1) o voto exterior da liberação individual (voto pratimoksha); o voto interior (voto dobodhisatva), e 3) os votos vajrayana ou samaya. Permitir que esses três votos sejam danificados por meio de intensas aflições mentais (klesha) ou mero descuido é causa de lamentação.

A sétima causa de lamentação é descontinuar a prática após ter alcançado uma pequena realização por meio da confiança num amigo espiritual ou guru. Tendo alcançado alguma realização, você pode tornar-se facilmente distraído por atividades mundanas, abandonando as instruções e a prática e, assim, impedindo um desenvolvimento maior da experiência e realização.

A oitava causa de lamentação é a situação na qual não tendo uma realização genuína, mas tendo ouvido uma grande quantidade de ensinamentos profundos dos siddhas da linhagem, você repete suas instruções a muitas pessoas visando atrair estudantes e tornar-se rico, popular e poderoso. Você engana muitas pessoas fingindo ter realização. Essa é a oitava causa de lamentação.

A nona causa de lamentação é a atividade que prejudica outros seres sencientes. Isso deve ser evitado, uma vez que todos os seres sencientes têm sido nossos pais e, enquanto nossos pais, têm sido extremamente bondosos conosco. Outra razão é que a bodhicitta altruística é a espinha dorsal do caminho para a liberação. Portanto, é necessário abrir mão de toda a conduta rancorosa e especialmente aquelas que verdadeiramente prejudicam os outros. É importante lembrar que a geração e aplicação da bodhicitta dependem inteiramente da interação com os demais seres sencientes. Portanto, é necessário ter todos os seres sencientes como objetos de compaixão e realmente gerar compaixão por esses seres.

A décima causa de lamentação é a procrastinação, e o que se perde é o corpo, palavra e mente – as três portas. Especialmente quando se é jovem, com o corpo é forte, a mente clara e a palavra flexível, você não se engaja na prática do Dharma porque se sente impelido às atividades mundanas. Enquanto faz isso, você pensa, "Eu vou praticar o Dharma quando for mais velho, quando as coisas se acalmarem um pouco". Então, não praticando quando se é jovem, você vê que quando fica mais velho não pode praticar porque não tem o hábito de fazê-lo. Você já não é mais tão forte como antes, é mais difícil aprender as coisas e daí por diante. Esse tipo de procrastinação é definitivamente causa de lamentação.

Essas são as dez causas de lamentação.


Lama Wangdu - Ensinamentos e comentários sobre este capítulo:

24/08/2014 -

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31/08/2014 -

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09/10/2016

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04. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 2 - As Dez Coisas Necessárias

gampopa

AS INSTRUÇÕES DE GAMPOPA
A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS NECESSÁRIAS - Capítulo 2

O Texto

As dez coisas necessárias:

1. É necessário ser independente para que não se deixar levar por conselhos;

2. É necessário praticar com fé e diligência, de acordo com as instruções do santo lama;

3. É necessário selecionar as instruções do lama de maneira inequívoca, compreendo a distinção que há entre instruções apropriadas e inapropriadas.

4. É necessário desempenhar as instruções do lama com sabedoria, fé e diligência.

5. Utilizando-se da plena atenção (“mindfulness”), da vigilância e da prudência, é necessário conservar sem máculas o corpo a palavra e a mente.

6. É necessário ser estável e independente na prática, possuindo coragem e a armadura da diligência.

7. É necessário ser sem apego, sem se deixar levar facilmente pelos outros.

8. Utilizando a preparação, execução e conclusão, é necessário perseverar sem descanso na reunião das duas acumulações.

9. Com amor e compaixão, é necessário voltar a mente para a realização direta ou indireta do bem dos seres.

10. Unindo sabedoria, compreensão e realização, é necessário não se enganar, considerando os objetos do conhecimento como possuindo alguma substancialidade dotada de características próprias.

Essas são as dez coisas necessárias.

AS DEZ COISAS NECESSÁRIAS - COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE

Gampopa em seguida apresenta as dez coisas necessárias, para uma correta prática do dharma. A primeira delas constitui em manter o comprometimento à prática do dharma até a sua conclusão, seja de forma geral ou especifica, qual você esteja fazendo no momento.  Se você não possuir tal comprometimento, você facilmente será levado por opiniões, conselhos e conversa de outros, e acabará não concluindo aquilo que começou. Para manter um forte comprometimento, você deve saber com detalhes e precisão os pontos essenciais da pratica que esta fazendo. Esse comprometimento vai crescer ao considerarem-se as dez causas de lamentação.

A segunda coisa necessária é por meio da fé e diligência realizar as vontades e instruções do seu Lama. Fé é praticar e cumprir com satisfação, as instruções dadas pelo Lama, pelo fato de reconhecer os benefícios de fazê-la. Diligência é, com entusiasmo, realizar efetivamente as instruções dadas, na qual se tem confiança. Através desta forte fé e intensa diligência você é capaz de colocar as instruções do seu Lama realmente em prática.

A terceira coisa necessária é praticar perfeitamente, com habilidade e compreensão, as instruções do seu Lama. Embora as instruções não possuam defeito, a forma que você as emprega pode sim ser defeituosa.  Por exemplo, se você tentar praticar o mantra secreto, sem qualquer renúncia do samsara e sem ter gerado a bodhicitta, embora as instruções do mantra secreto sejam profundas e imaculadas, a sua prática será totalmente ineficaz e não gerará qualidade alguma. Por isso é importante colocar o dharma em prática com habilidade, e com a compreensão da sua sequencia correta.

A quarta coisa necessária é preservar na prática uma forte confiança nos Ensinamentos e a visão correta sobre os seus significados. Significa colocar as instruções do Lama em prática, sem confundir o seu significado, de acordo com as intenções do Lama de como deve ser realizada a pratica. Sherab ( ou prajna em sânscrito)- significa conhecimento transcendente - vem da perspectiva de que só através de uma visão (“insight”) inquisitiva sobre o significado das instruções que recebeu, você será capaz de pratica-las apropriadamente.

Além disso, essa pratica deve ser prolongada até você gerar a extensão das qualidades que o seu Lama possui, adquirindo a mesma realização que ele.  Pela fé inabalável ou confiança no valor e eficácia, você persevera na pratica. Então, a quarta coisa necessária é a perseverança correta na pratica através da visão e confiança.

A quinta coisa necessária a se manter inclui a plena atenção (“mindfulness”), a vigilância e prudência. Você deve estar consciente da conduta que deve ser adotada ou abandonada.  Você deve estar atento e alerta na medida empregada da atenção. Finalmente, a partir da plena atenção e vigilância, você deve ter o cuidado de reparar quaisquer falhas ou desvios.

Se você aplicar estas três qualidades, seu corpo, fala e mente serão puros dos defeitos de conduta defeituosa. Por outro lado, se você não tiver a plena atenção, você não vai lembrar-se do que deve ser adotada ou abandonada. Se não tiver a vigilância, nada em sua conduta lhe permitirá ver atentamente o que você está fazendo. Mesmo se você se lembrar do que deveria fazer, não será capaz de realizar, porque você está perdido.

Se não houver prudência, quando você começa a se perder na conduta com defeito, não terá maneira de trazê-la de volta, por não ter o hábito da atenção plena ao que você está fazendo.

O resultado da falta destas três qualidades são que seus votos e o samaya serão prejudicados. Portanto, antes de se reunir com os inimigos da distração, você deve cercar-se com a armadura da plena atenção, vigilância e prudência, de modo que quando você for "atacado" não será destruído.

A sexta coisa que é necessária também são compostas de três pontos: a armadura do comprometimento, a coragem e a estabilidade na prática. Através da armadura do comprometimento, você não renúncia o seu compromisso com a prática. Através da coragem, os obstáculos e problemas que surgem durante a vida ou durante a prática não afetam a você. Você não permite que esses obstáculos e problemas, o afastem da prática, faça-o desistir de praticar. Através do seu comprometimento e coragem, você cria uma estabilidade em sua prática que é inabalável e sem medo, e impede que você seja afastado da prática por força de circunstâncias inesperadas. Se você se permite ser desviado da prática pelo menor incidente que seja, por obstrução ou a sua interrupção então você é pior do que qualquer pessoa mundana. Pessoas em atividades mundanas têm grande paciência diante de interrupções e obstáculos. Portanto, é muito importante para os praticantes do dharma mostrarem o mesmo  comprometimento e coragem.

A sétima coisa necessária é estar livre do apego (chag may) e da ausência de vício (zhen may). A frase tibetana para este significado, literalmente; “não deixe o seu anel de nariz ser pego por outros”.  As vacas tem em seu nariz uma argola, para ser facilmente levadas, através de uma corda. Se você é livre de qualquer tipo de apego ou vício de lugares específicos, de pessoas, dos seus bens, de experiências prazerosas ​​dos cinco sentidos, ou de objetos desejáveis que possam ser experimentados pelos cinco sentidos, então você está no controle de si mesmo e ninguém pode controlá-lo. No entanto, ter apego às condições agradáveis ​​e situações particulares é o mesmo que ter uma argola no seu nariz, com uma corda amarrada, e na outra extremidade uma pessoa puxando, para onde quer que ela queira que você vá. Apenas quando você possui uma argola ao redor de sua própria cabeça, sem deixá-la sobre o controle de ninguém, é que você poderá praticar  o dharma.

A oitava coisa necessária é que sua prática deve ser abraçada pela tríplice excelência. A primeira das três excelências é a pura motivação. No início de qualquer sessão de prática deve-se gerar o pensamento ou intenção que por meio dessa prática todos os seres sencientes possam ser levados ao estado de Buda completo. A segunda excelência é que, durante o corpo principal da sessão, você mantenha sua mente em um estado livre de elaboração, livre de elaboração conceitual da prática. A terceira excelência é no final selar com a dedicatória, não somente pelo mérito acumulado da sessão, mas também pelo mérito acumulado por todos os seres sencientes dos três tempos: passado, presente e futuro. Todo mérito é dedicado para a liberação completa e onisciência de todos os seres. Se a sua prática é abraçada por essa tríplice Excelência no início, no meio e no fim, resultará na dupla acumulação de mérito e sabedoria. Através da motivação correta, meditação e dedicação, você terá acumulação de mérito. Marcando toda a prática com o selo da não conceitualização, que é livre de elaboração, você realizará a acumulação de sabedoria.

A nona coisa necessária é o firme desenvolvimento da bondade e compaixão, por meio do qual você beneficia outros em ambas as formas, direta e indireta. Bondade amorosa é a desejo de que todos os seres sencientes possam ter a felicidade e as causas da felicidade. Através da bondade amorosa, você se engaja na conduta, que é necessária, para trazer benefício direto, em curto prazo para os seres. Em longo prazo, de forma indireta, você faz as aspirações de que, por meio de sua prática, todos os seres sencientes possam vir a atingir a felicidade suprema do estado de Buda. A Compaixão é o desejo de que todos os seres sencientes fiquem livres do sofrimento e das causas do sofrimento. Com esta motivação, você beneficia os seres sencientes diretamente, liberando-os a partir de situações de sofrimento e, indiretamente, através da aspiração, que sua prática será a causa de liberação total do todos os sofrimentos do samsara.

A décima coisa necessária é por meio da aplicação do conhecimento ou insight (sherab), evitar o defeito de reificação. Consiste em primeiro lugar, compreender intelectualmente e, segundo, realizar ou adquirir a experiência direta, que todas as coisas que percebemos não possuem substancialidade e nem características inerentes. O primeiro é entender que todas as coisas que percebemos não passam de meras experiências; são, em si, apenas elaborações mentais ou fabricações. O segundo é a realização plena de que a verdadeira natureza ou modo de ser de todas as coisas é livre de elaboração, ou seja, livre de qualquer mácula que pudesse ser produzida por suas aparentes características.

Este texto está dividido em capítulos contendo dez itens cada, e nós já passamos pelos dois primeiros. Uma compreensão apropriada de cada capítulo depende da memória do anterior. O entendimento do segundo capítulo depende da compreensão do primeiro e conforme seguimos adiante nos próximos capítulos, se faz necessário o entendimento dos anteriores. Por exemplo, se você estudar uma dos capítulos do final do texto, eles não farão muito sentido caso se desconsidere o conteúdo do material que os precede. Portanto, peço que não se esqueçam desses dois primeiros capítulos contendo dez itens cada.

 

Ensinamentos e comentários sobre este capítulo:

16/10/2016 - As Dez Coisas Necessárias Play Download


 

05. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 3 - As Dez Coisas Em Que Confiar

gampopaAS INSTRUÇÕES DE GAMPOPA
A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS EM QUE CONFIAR - Capítulo 3 

 

O texto

As dez coisas em que confiar:

1. Confiar no santo lama que possui realização e compaixão.

2. Confiar no local de meditação isolado, prazeroso e abençoado.

3. Confiar em companheiros estáveis com os quais se está de acordo com a visão, meditação e conduta.

4. Confiar na moderação lembrando-se dos defeitos dos objetos de subsistência.

5. Confiar imparcialmente nas instruções da linhagem dos siddhas.

6. Confiar em substâncias, medicamentos, mantras e na interdependência profunda cmo sendo benéficos para sai e para os outros.

7. Confiar em alimentos adequados à sua constituição e no caminho para liberação.

8. Confiar no dharma e no caminho da conduta que beneficia a experiência.

9. Confiar nos discípulos afortunados que possui fé e respeito.

10. Confiar na plena atenção e consciência por meio dos quatro modos de conduta.

AS DEZ COISAS NAS QUAIS DEVEMOS CONFIAR – COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

Em seguida, discutirei as dez coisas em que devemos confiar, a fim de gerar as qualidades associadas com a prática do Dharma. Desta forma as virtudes que cultivamos na prática do Dharma irão florescer e que não serão prejudicadas ou atingidas por quaisquer defeitos.

primeira coisa em que devemos confiar é um Guru Santo que possui realização e compaixão. O lama deve possuir realização, porque um mestre que não tem realização ou experiência efetiva é como uma pintura da água, que não pode saciar a nossa sede, ou uma pintura do fogo, que não pode nos aquecer. Portanto, o lama deve possuir compaixão. Se a lama só tem realização, mas não tem compaixão, ele ou ela não irá ensinar ajudando os seres sencientes a desenvolver qualidades virtuosas e abandonar os defeitos. Assim, a primeira coisa em que devemos confiar é em um lama que possui tanto realização como compaixão.

segunda coisa em que devemos confiar é em um local solitário, prazeroso e esplendoroso para praticarmos. Tendo recebido completamente as instruções do Lama com as qualidades descritas, temos que confiar em tal ambiente, a fim de colocar essas instruções em prática. 

O ambiente deve ter quatro características: em primeiro lugar, deve ser um lugar de solidão. Devemos estar isolado das distrações, caso contrário não seremos capazes de praticar. Em segundo lugar, ele deve ser agradável, e isso significa um lugar onde não estejamos afligidos por frio ou calor excessivo ou outras coisas que perturbam a mente e o corpo, criando obstáculos para a prática. Em terceiro lugar, deve ser esplendoroso, o que significa um lugar que tem sido envolvido pelo esplendor dos Siddhas da linhagem. Se possível, é melhor um ambiente onde os grandes praticantes do passado já tenham praticado nele. Caso contrário, um lugar solitário e agradável já é suficiente. Em quarto lugar, o ambiente deve ser um deserto ou lugar selvagem. O termo tibetano é gompa, que também significa mosteiro. Mas aqui isso não significa um mosteiro formal, onde há stupas e onde lamas e monges estão vivendo. Isso significa um lugar que está a uma distância razoável de outras habitações, e não no meio de uma cidade onde existem distrações.

terceira coisa em que devemos confiar é em companheiros que estão em harmonia com nós mesmos, na conduta  e na força de vontade. A primeira característica, a harmonia na visão, significa que as pessoas com quem vivemos e prática devem ter o compromisso, assim como nós somos de alcançar a liberação. A segunda, a harmonia na conduta, significa que os nossos companheiros e amigos também adotam todas as condutas apropriadas, quer seja a de um monge completamente ordenado, um novato ou um discípulo leigo. A terceira característica, ter uma boa atitude, significa que eles estão livres da paranóia que criam situações de desarmonia intensa, que o conflitam com os objetivos da prática. Em outras palavras, não devemos viver com pessoas que estão constantemente pensando: "Ele está com raiva de mim. Ela está com ciúmes de mim. Eu não gostei do jeito ele que disse isso. Eles estão causando problemas. Seria melhor me livrar deles”, e assim por diante. Eles não devem ter de uma mentalidade que cria desarmonia. Assim, a terceira coisa em que devemos confiar é companheiros que possuem essas três características. Se depender desses companheiros, ao invés destes serem fontes de distração nossos companheiros nos ajudarão a alcançar a libertação, e nós poderemos fazer o mesmo.

quarta coisa que devemos confiar é no modo de vida moderado, tendo reconhecido os defeitos dos excessos. Se não formos moderados na forma em que exigimos os alimentos, roupas, etc, vamos enlouquecer buscando estas coisas. Moderação consiste em ter roupas suficientes e abrigo para não congelar ou ficarmos sem-teto, e comida o suficiente para não morrer de fome. O objetivo é usar essas condições externas para nos manter a fim de praticar. Devemos evitar preocupações excessivas questionando se as coisas são prazerosas ou não, por exemplo, o sabor da comida que comemos. É recomendado que tomemos o nosso sustento, como se fosse um medicamento. Quando você está tomando remédio para curar uma doença que você não pensa "Gosto deste medicamento O gosto é bom, é doce Eu não gosto deste remédio; Isto não tem um gosto muito bom." Você o toma, porque ele vai curar a doença. Da mesma forma, você deve comer e beber para sobreviver, para que você seja capaz de praticar, e não para apreciar o sabor da comida. Além disso, se você está constantemente tentando adquirir melhor comida,  a melhor roupa, e assim por diante, o esforço de tentar adquirir essas coisas cria uma grande dificuldade. Então, se você adquiri-los, tornam-se fontes de distração, pois sua mente está voltada para apreciá-los ao invés de praticar o Dharma. Você acaba sendo atormentado por apego. Assim, é importante ser cuidadoso e atento com o uso dos recursos externos.

Foi dito pelo Buda que se você comer mais do que precisa, torna-se um obstáculo à meditação. Você começa a se sentir pesado, e muito de sua energia é dirigida para o processo de digestão que não restará nada para a meditação. Recomenda-se que você preencha um terço do seu estômago com comida, um terço com líquido, e se deixe um terço vazio. A questão não é medir a quantidade de comida consumida, mas simplesmente que esta seja apropriada para o consumo e que seja regular.

quinta coisa é que devemos confiar imparcialmente nas instruções da linhagem dos Siddhas. Isto significa que não devemos ser demasiadamente seletivos. Não devemos pensar, "Eu vou escolher isso, mas vou deixar aquilo de fora. Posso esquecer isso. Aquilo não se aplica a mim. Eu não preciso disso."Isso significa ter um respeito imparcial e veneração para todas as instruções autênticas que vêm das linhagens diferentes de yogis despertos. É importante receber formalmente a transmissão (lung) e a instrução (tri) para o qualquer tema que estivermos estudando. No entanto, também é adequado ler textos de instruções profundas que encontrarmos. É bom fazê-lo de maneira imparcial porque neste momento não sabemos o que irá  desencadear a nossa realização. Entre as instruções que encontrarmos, nós ainda não sabemos qual delas que pode gerar a compreensão da natureza da mente. Portanto, é importante não rejeitar qualquer instrução autêntica que surge em nosso caminho.

sexta coisa é que devemos confiar em substâncias, remédios, mantras, e várias condições que são benéficas para nós mesmos e para os outros. Não devemos desenvolver a atitude: "Eu sou um yogi de grande realização e, portanto, eu não preciso de nada Se eu ficar doente eu não preciso de remédios, eu não preciso ter cuidado em qualquer coisa externa...". Enquanto você não tiver aperfeiçoado sua realização, de alguma forma você está à mercê de seu corpo, que é composto por quatro elementos. Portanto, você tem que gerar as condições que sustentam o equilíbrio destes elementos, tudo aquilo que traz boa saúde. Você não deve rejeitar um tratamento médico correto, tampouco outros métodos profundos que são benéficos para sua saúde.

Da mesma forma que você não deve negar essas coisas para os outros. Você não deve pensar que não há benefícios para os outros ou que seja algo superficial ou sem importância proporcionar remédios, alimentos e outras coisas, porque tudo isso tem um genuíno benefício para os demais se forem adequadamente administrados. Você não deve pensar: "Eu sou um yogi, seguindo a tradição de yoga. Posso rejeitar a ciência. Posso rejeitar a medicina. Estas são coisas mundanas de nenhum significado duradouro." Na verdade, todas estas coisas que podem ser de grande benefício não devem ser rejeitadas. 

sétima coisa é que temos de confiar no alimento adequado com nosso estado de saúde e constituição, e métodos que praticam aquilo que está de acordo com os nossas capacidades. 

No que se refere a comida, não é importante realmente gostar da comida que você come. Se um alimento é doce e delicioso mas prejudicial para a sua saúde, você deve evitá-lo. Se você encontrar um alimento desagradável, mas muito benéfico para a sua saúde e longevidade, você deve confiar nele.

Em relação à prática do Dharma, esta deve ser de acordo com a sua compreensão e habilidades. Se alguém tem uma atitude muito limitada, pavor dos atos profundos e da profunda compreensão dos Bodhisattvas é melhor que essa pessoa a pratique o veículo menor, porque ele ou ela será naturalmente atraído para a paz de libertação e desejará escapar dos sofrimentos do samsara. Seria inapropriado para essa pessoa ir diretamente para a prática Mahayana. Da mesma forma, alguém que chegou ao ponto de ser capaz de praticar o Mahayana, mas que não tem fé ou compreensão real do Vajrayana ou mantra secreto, deveria praticar o Mahayana, e em particular o Sutrayana. Os ensinamentos Vajrayana são especialmente profundos e podem levar ao estado de unidade, o estado de Vajradhara em uma vida, mas isso não pode acontecer com alguém que não tem fé neles e não tem nenhum conhecimento sobre seu verdadeiro significado. Por esta razão, embora o estado último de Buda eventualmente seja atingido através da prática do mantra secreto, o Buda não ensinou apenas um veículo. Ele ensinou todas os diversos métodos e estágios, para que os seres sencientes de várias capacidades possam gradualmente amadurecer até o ponto onde possam praticar esses ensinamentos últimos.

oitavo é que temos de confiar em técnicas de meditação e modos de conduta que realmente ajudam a nossa experiência na prática. Devemos praticar de tal forma que estejamos com nossa atenção verdadeiramente focada na prática que estamos fazendo, e não misturar essa prática com outras coisas que são inapropriadas ao contexto.

Por exemplo, se você está praticando a meditação da tranquilidade ou Shamata, é importante que você continue com a prática até que você gerar a certeza sobre o seu benefício e uma certa estabilidade da mente, até o ponto em que você pode partir para a prática da introspecção ou meditação Vipashyana. No entanto, se no meio da prática Shamata você começar a executar uma análise associada com a prática Vipashyana, então você destruirá sua prática incipiente de Shamata. Você não chegará a lugar algum, porque você não está praticando o que você se propôs a praticar.

Da mesma forma, se você estiver fazendo uma prática simples, que não depende de análise extensa, mesmo podendo parecer não é apropriado envolver-se em uma análise complexa. Ou ainda, se você estiver envolvido em uma prática que depende de algumas análises, se descartar essa análise e simplesmente descansar em um estado de simplicidade, isso prejudicaria a sua prática, mesmo que isso seja adequado em outra circunstância. No que diz respeito ao modo de conduta, é importante o que você faz, sua postura física e assim por diante, devem ser adequadas à prática que está fazendo.O exemplo mais óbvio é, quando você está fazendo a primeira parte das práticas preliminares, Ngondro, você não se senta como na a prática Shamata, no lugar disso faz prostrações e assim por diante. Além disso, você recita a oração de refúgio enquanto você está fazendo as prostrações, e não pratica Shamata. É importante que todos os aspectos de sua prática sejam harmoniosos e unificados.

nona coisa em que confiar é nos estudantes dignos que têm fé e respeito, e essa confiança deve ser em alguém que, tenha atingido algumas qualidades associadas ao caminho, e está atuando como um amigo ou mestre espiritual para os demais. Quando o Mestre começa realmente a possuir essas qualidades, é preciso que ele decida em quais situações e quanto é apropriado ensinar. A decisão não deve ser baseada em quantas pessoas se pode reunir para ensinar, e o quanto você poderia dizer-lhes. Deve-se escolher o que se diz e para quem, com base no que é realmente adequado e necessário para a audiência. 

De um modo geral, os alunos do Dharma devem ter os três tipos de fé. O primeiro é a fé de clareza, é uma noção clara do valor do Dharma, portanto, uma natural sincera apreciação por ele. A segunda é a fé do desejo, é o desejo intenso de alcançar as qualidades dos Budas e Bodhisattvas. O terceiro tipo é a fé da confiança, que é a convicção do aluno que Dharma é a melhor maneira de viver, e que a prática é uma forma digna de utilizar o tempo. No que se refere ao respeito, os alunos deverão ser capazes de reconhecer seus próprios defeitos e valorizar as qualidades de seu mestre. Respeito no contexto do Dharma, significa que os alunos devem considerar o seu professor da mesma forma que eles consideram um médico, que prescreve o remédio apropriado para alguém que está sofrendo de uma doença grave.

Para o mestre é importante abandonar dois extremos. Um é pensar:  "Eu sou um yogi que transcendeu as atividades mundanas. Portanto, não importa quantos alunos qualificados se aproximam de mim eu não vou dizer-lhes qualquer coisa, porque eu estou além dessa comunicação com outras pessoas." Se os alunos qualificados aparecerem e você está qualificado para ensinar, você deve fazê-lo. O outro extremo é pensar: "Eu sou um yogi com algumas qualidades. Portanto, eu deveria ensinar o que puder para todos que conheço." O perigo do segundo extremo é que, quando você ensinar as pessoas que não tem nenhum respeito pelo Dharma, isso será desperdiçado porque as pessoas não serão beneficiadas pelo ensinamento. Não só não serão beneficiadas, na verdade a falta de respeito pelo Dharma e pelo mestre crescem à medida que o tempo passa, por receberem o ensinamento sem fé e respeito. Assim, ensinar sem os devidos cuidados é uma maneira muito eficaz de enviar a si mesmo e aos outros para os reinos inferiores.

décima coisa sobre a qual temos de confiar é manter contínua consciência e plena atenção ao longo dos quatro tipos de atividades. As quatro tipos de atividades são: comer, dormir, andar e sentar. Devemos estar conscientes de que estamos fazendo em todas as situações, com destaque para essas quatro.

É particularmente importante proteger todos os nossos votos nosso Samaya, sejam eles quais forem. Devemos considerar a proteção de votos e Samaya do jeito que consideraríamos a proteção de uma joia extremamente valiosa que nos foi confiada. Se soubermos que em algum lugar lá fora existem ladrões à espera de uma chance de roubar esta joia, estaremos constantemente atentos para evitar que a joia seja roubada. Da mesma forma, para manter nossa disciplina devemos sempre observar nossas mentes, porque os ladrões que roubariam a joia da nossa disciplina são as aflições mentais que surgem na mente. Quando aflições mentais assumem a mente, começam a produzir conceitos e pensamentos aflitivos, que levam a atos negativos. Desta forma, é especialmente importante observar a mente em todos os momentos.

Há duas explicações comuns e incomuns de como manter contínua consciência e plena atenção ao longo das quatro atividades. A explicação comum é: quando se estiver comendo, fazê-lo moderadamente, como foi explicado antes. Quando você dormir, fazê-lo com a intenção virtuosa de se levantar na manhã seguinte e usando todo o seu tempo para a prática do Dharma. Quando você está andando, ter o cuidado para evitar pisar em insetos ou prejudicar outros seres sencientes. Ao sentar-se, tome cuidado para não esmagar os insetos escondidos sob as almofadas, ou prejudicar quaisquer seres. Essa é a forma como a consciência comum é dirigida.

A atenção incomum do mantra secreto é baseada nestes preceitos mencionados, mas acrescenta-lhes outras práticas: Quando você está comendo, considerar o seu corpo como a Mandala de todos os Vitoriosos, e oferecer seu alimento a eles como substâncias de um banquete. Quando você está indo dormir, meditar sobre a luz clara associada com o sono, o que pode fazer recitaando um mantra, repousando a mente em um estado de não-conceitualização ou não-fabricação, e assim por diante. Quando caminhar, visualizar o seu guru raiz acima do seu ombro direito imaginado que você o está circumambando. Ao sentar, visualizar o seu Lama Raiz acima de sua cabeça em todos os momentos. O ponto de ambas as explicações comuns e incomuns é preservar contínua consciência e a plena atenção em todos os momentos, porque estes são a fundação ou base de todo o Dharma. 

Estas são as dez coisas nas quais confiar desde o início de sua prática do Dharma até a realização da fruição completa. Dentre elas, a primeira naturalmente, é o Mestre correto. Devemos confiar nestas dez coisas de modo a nunca nos separarmos delas, assim como corpo nunca está separado de sua sombra.


 

Ensinamentos e comentários sobre este capítulo:

 

23/10/2016 - As Dez Coisas Necessárias - Parte 1 Play Download
30/10/2016 - As Dez Coisas Necessárias - Parte 2 Play Download

 


 


 

06. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 4 - As Dez Coisas A Serem Abandonadas

gampopaAS INSTRUÇÕES DE GAMPOPA
A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS A SEREM ABANDONADAS - Capítulo 4 

 

O texto

Essas são as dez coisas a serem abandonadas:

1. Abandonar os Mestres cujas ações misturam-se com os oito dharmas mundanos.

2. Abandonar o séquito e as más companhias prejudiciais à mente e a experiência.

3. Abandonar lugares e eremitérios de grande distração e prejudiciais (a prática).

4. Abandonar o sustento obtido por meio furto, roubo, fraude e ocultação.

5. Abandonar ações e atividades prejudiciais à mente e a experiência.

6. Abandonar a comida e a conduta que prejudiquem a sua base.

7. Abandonar o desejo e o apego que prendem à avareza e à busca pelo prazer.

8. Abandonar a conduta desatenta que acarreta a perda de fé pelos outros.

9. Abandonar as ações de idas e vindas sem sentido.

10. Abandonar (a atitude) de esconder os próprios defeitos e revelar os dos outros.

AS DEZ COISAS A SEREM ABANDONADAS - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

primeira delas é um professor ou um mestre cujas ações estão todas misturadas com os oito dharmas profanos. Embora esses professores possam dar explicações muito profundas e terem muito conhecimento, todos eles estão preocupados e todos eles dirigem suas ações para a aquisição de bens para si próprios e seus seguidores, recebendo elogios, bajulações e ficando famosos. Eles estão muito preocupados com a perda de seus bens pessoais, evitando qualquer forma de crítica, e situações que as pessoas não vão adulá-los. Eles têm muito medo em terem uma má reputação. Embora eles pareçam bem e falem bem, e tenham informações de muitos aspectos do Dharma, não tem realização e não são professores genuínos. Pelo que devem ser abandonados.

segunda coisa que deve ser abandonada é o “séquito” e companheiros que prejudicam o seu estado mental e a sua prática. “Seguidores” são os estudantes, caso você seja um professor, e se você está numa posição de autoridade, aqueles sob sua autoridade espiritual ou mundana. Companheiros significam amigos, pessoas com quem você vive, família, e assim por diante. É importante ficar longe de pessoas que representem obstáculos a sua prática e gerem aflição mental, pois não são uteis. Há um ditado tradicional na linhagem Kagyu, “Fique longe do seu local de nascimento”. Isto é porque no local de nascimento normalmente há pessoas a quem você está apegado e pessoas a quem você tem grande aversão. Por esta razão os iogues têm tendência a vaguear, ir para lugares onde as pessoas não os conheçam. Por que as pessoas não os conhecem, há poucas interrupções em suas práticas. Você pode pensar que é necessário continuar associado às pessoas a que você tem apego, mas não é esse o caso. Você não pode realmente ajudá-las, pois se elas prejudicam sua prática, elas estão se prejudicando e a você também. No final, você acaba prejudicando a elas e a si próprio.

terceira coisa que deve ser abandonada são os lugares nos quais há muitas distrações ou perigos. Mesmo que você tenha abandonado seu lugar de nascimento, se você for para um local onde haja um monte de coisas mundanas que você pode fazer em vez de praticar, onde há muitas experiências desejáveis que você pudesse ter do que a prática, isto será um obstáculo para a prática. Na verdade, isto não é melhor do que estar em seu local de nascimento. Por outro lado, mesmo que você esteja em um local solitário, este pode ser um local onde haja o perigo de não obter alimento e água saudáveis, ou o perigo de grandes animais carnívoros ou pequenos animais venenosos. Num local onde há perigo para a vida ou saúde você não será capaz de praticar por causa do medo e ansiedade. Esse medo vai impedir que relaxe e, sem uma mente relaxada, a prática não progredirá.

quarta coisa que deve ser abandonada é a subsistência que vem com o roubo, fraude, trapaça e desonestidade. Furto se refere a surrupiar algo de forma escondida. Roubo se refere a obter algo através da força. Fraude se refere a fingir qualidades que não tem, isto é, fazer que alguém lhe dê algo como presente, fingindo ser digno da oferenda. Ocultação se refere a esconder defeitos que você tem, a fim de obter apoio. Estas quatro maneiras impróprias de obter alimento e outras condições necessárias para viver como um praticante devem ser abandonadas. Da mesma maneira, é preciso abandonar toda forma de subsistência que vem de atividades impróprias por parte de outros. Mesmo que uma pessoa te dê algo sem nenhuma atitude errada de sua parte, se ela roubou ou obteve isto por um delito e você sabe disto, então você não deve aceitar; você não deve participar disto. O que deve ser pedido são alimento e apoio sem transgressão, de forma honesta e direta. Quando se está praticando o Dharma, é apropriado receber de terceiros presentes, oferendas, alimentos, ou o que você precisar para viver, desde que estejam dispostos a dar. Até pedir esmolas é apropriado, mas é preciso ser honesto e direto sobre o que se está fazendo. Se não tem comida, pode dizer “Não tenho comida. Você pode me dar alguma?” e se quiserem te darão; mas não deve ser um engano.

quinta coisa que deve ser abandonada é o trabalho e atividade que prejudicam nosso estado mental e nossa prática. É conveniente estar engajado em trabalhos e atividades meritórias, como a construção, reforma, ou fazer oferendas para monastérios, imagens de Buda etc.. A atividade física relacionada com méritos é boa, porque beneficia a mente em longo prazo. Mas a atividade sem sentido que nos distrai e arrasta a mente para baixo devem ser evitadas.

sexta coisa que deve ser abandonada é alimento, conduta e atividade que são prejudiciais para a nossa saúde. Nossos corpos físicos possuem as oito liberdades e as dez resoluções extremamente preciosas. Elas são as bases pra a nossa existência humana. Podemos prolongar nossas vidas o máximo que pudermos. Então devemos fazer uso dessa oportunidade para praticar o Dharma. Por isso é importante evitar alimentos e atividades que possam causar doença ou colocar-nos em perigo de morte prematura.

sétima coisa que deve ser abandonada é fixação e apego a objetos de desejo ou situações que nos prendem a nossa própria ganância. Isto significa estar apegado a aquisição e proteção de bens, diversões, riqueza, fama etc.. Ambos incluem o sentimento de que precisamos destas coisas e a ansiedade que sentimos do perigo da perda, porque ambas são fixações nestas coisas e as experiências associadas com elas. Nossa fixação nestas condições significa que não somente suas presenças não ajudam no crescimento de nossas qualidades, mas irá provocar a diminuição delas no decorrer do tempo. Por esta razão é importante evitar lugares e pessoas a quem estamos indevidamente apegadas ou indevidamente fixadas.

oitava coisa que deve ser abandonada é a conduta descuidada que é a causa de outras pessoas não terem fé no Dharma. Isto não significa atividades que são diretamente prejudiciais para os outros, que já foram discutidas anteriormente. Quer dizer a situação na qual o praticante tem uma experiência real, ou mesmo alguma realização no significado do Dharma, e portanto tem pouca ansiedade sobre o que a outra pessoa pode pensar dele. Eles são inclinados a agir de maneira estranha. Mas não é apropriado para os praticantes exibirem suas realizações de alguma forma, porque outras pessoas, caso estejam envolvidas no Dharma ou não, verão estas ações como defeitos. Eles não pensarão, “Esta pessoa age estranhamente; deve ter realização.” Elas pensarão, “Mesmo os mais sérios praticantes do Dharma, pessoas que supomos que têm realização, parecem ter defeitos pessoais.”, e isto fará que desprezem não apenas o praticante, mas também ao Dharma. Isto leva outros seres sencientes a acumular o karma negativo extremamente prejudicial de abandonar e injuriar o Dharma. Portanto é importante, não importa quão alta seja sua experiência e realização, ter uma conduta simples, disciplinada e correta.

nona coisa que deve ser abandonada é atividades que não são benéficas para nós e outros, como running around e sitting around. Isto significa abandonar viagens sem propósito – por exemplo, visitar um grande oceano ou uma alta montanha somente para fins turísticos. Estas coisas são uma perda de tempo, e você não tem tempo a perder. Assim, se você percebe que uma atividade ou ação específica não tem um beneficio verdadeiro para você ou qualquer outra pessoa, você deve evitar isso.

décima e última coisa que deve ser abandonada é ocultar seus próprios defeitos e proclamar e divulgar os defeitos dos outros. É importante não tentar ocultar nossos próprios defeitos através da discrição, e não se focar nos defeitos dos outros, fazendo-os claros para os outros. Devemos sempre aspirar beneficiar os outros o máximo que pudermos e devemos nos comportar de acordo com essa aspiração. Nosso objetivo é sermos capazes de eliminar nossos defeitos, não escondê-los, e ajudar outros a eliminar seus defeitos, não expô-los. Não devemos nos tornar arrogantes. A base da arrogância, o modo de mantê-la e a causa do seu surgimento, é ocultar nossos próprios defeitos e expor o dos outros. A diferença entre o praticante genuíno do Dharma e uma pessoa mundana é que, pelo modo mundano, ocultamos nossos próprios defeitos e divulgamos o dos outros; já  no caminho do Dharma, ocultamos os defeitos dos outros e expomos os nossos.

Estas são as dez coisas que devem ser abandonadas.


 

30/10/2016 - As Dez Coisas a Serem Abandonadas Play Download

07. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 5 - As Dez Coisas A Não Abandonar

gampopaAS INSTRUÇÕES DE GAMPOPA
A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS A NÃO ABANDONAR - Capítulo 5 

O texto

1. Sendo a compaixão a raiz da realização do bem alheio, não abandone.

2. Sendo as aparências, a irradiação da própria mente, não as abandone;

3. Sendo os pensamentos, o jogo da vacuidade (dharmata), não as abandone.

4. Sendo as emoções perturbadoras a revelação da sabedoria, não as abandone.

5. Sendo os objetos de desejo, o adubo das experiências e da realização, não as abandone.

6. Sendo os sofrimentos e as doenças um mestre espiritual, não os abandone.

7. Sendo os inimigos e os obstáculos uma incitação ao reconhecimento da verdadeira natureza dos fenômenos (dharmata), não os abandone. Se desaparecerem espontaneamente, isto é realização. Não os rejeite.

8. Sendo o caminho do método o que conduz ao conhecimento transcendente, não o abandone.

9. Não abandone a atividade física que pode ser colocada a serviço do dharma.

A nona coisa que não deve ser abandonada é as diferentes práticas que envolvem atividades físicas, por que elas são práticas genuínas que amadurecem a mente e são benéficas. Isto significa não abandonar as prosternações, circumbalações, e outras práticas externas do Dharma porque isto realmente nos beneficia; elas realmente trazem resultados.

10. Não abandone a intenção de realizar o bem alheio, mesmo que se disponha de poucos meios.

AS DEZ COISAS A NÃO ABANDONAR - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

Em seguida, as dez coisas para não ser abandonadas. Para começar, por ser a raiz de todos os benefícios que somos capazes de dar aos outros, a compaixão não deve ser abandonada.

A segunda coisa que não deve ser abandonada são as aparências. Visto que as aparênciassão a manifestação da natureza da mente, não é necessário abandoná-las. Tilopa apontou isso quando disse: "Não é pelas aparências que você está acorrentado, mas pela fixação a elas. Então abandone essa fixação.” Não é o que você experimenta que causa confusão, e sim a sua fixação na experiência como sendo algo inerente ao que aparenta ser. Portanto, somente essa fixação precisa ser abandonada, não a experiência em si.

 

A terceira coisa que não deve ser abandonada é o pensamento, porque é o jogo da natureza última ou dharmata. Como é dito na oração linhagem Kagyu, "A natureza do pensamento é o dharmakaya." Se formos capazes de olhar diretamente para a essência do pensamento, então, qualquer pensamento que surja é auto-liberado.Se pudermos colocar isso em prática, não há necessidade tentar remover pensamentos ou abandoná-los de qualquer forma.

A quarta coisa que não deve ser abandonada se aplica principalmente àqueles com realização. Aflições mentais são indicações de sabedoria e, portanto, não devem ser abandonadas. A presença em nossa experiência de estupidez, aversão, orgulho, desejo e ciúme indica a presença em nosso contínuo da sabedoria do dharmadhatu, a sabedoria como um espelho, a sabedoria da equanimidade, a sabedoria discriminativa, e a sabedoria da atividade. Visto que as aflições mentais são apenas a manifestação das sabedorias que são a sua própria essência, alguém que tenha realização para experimentar isso diretamente, não precisa abandoná-las.

É importante analisar essa afirmação, pois pode parecer muito estranho. A pouco tempo atrás foi dito que se deve abandonar definitivamente as aflições mentais, e agora é dito que você não tem que abandoná-las. Isso não é uma contradição, mas a demonstração da diferença de maturidade dos praticantes, nos diversos níveis de ensinamentos. A abordagem para iniciantes, em que é preciso abandonar as aflições mentais, é como a necessidade de escadas para aqueles que desejam chegar ao segundo andar; por não terem asas, precisam subir um lance de escadas. O processo de subir escadas é como o processo de subjugar as aflições mentais. Aquele que têm asas, como um pássaro, não precisa usar escadas, pode voar diretamente até o segundo andar. Ter asas corresponde a ter a realização de ser capaz de aplicar a profunda sabedoria do mantra secreto. Assim, esses dois conselhos não são contraditórios, mas são direcionados para indivíduos com diferentes níveis de prática.

O quinto ponto nessa seção está na mesma categoria que a quarta. Os objetos de desejo que aparecem através dos cinco sentidos não devem ser abandonados, porque eles são a água e o adubo  da experiência e realização. Para um praticante com alguma realização e experiência mais forte, não há fixação grosseira em sua existência inerente imputada. Não há fixação grosseira à sua suposta existência inerente. Não há um apego grosseiro ao ego e, na ausência disso, não há um sentimento ou conceito inerente de propriedade. Para certos iogues e yoginis não importa quantas coisas o cercam, não importa o quanto de riqueza ou prosperidade eles experimentem, eles não têm um sentimento de identificação de posse dessas coisas. É como se houvesse belos animais selvagens vagueando em torno deles. Se nós vemos os animais selvagens, nós não sentimos: "Esse é o meu tigre" ou "Esse é o meu veado." Nós podemos aprecia-los, mas não há nenhum apego a neles.

Por exemplo, quando ofereceram a Jetsun Milarepa alimentos nutritivos e muitos saudáveis, foi de grande benefício para aumentar sua  realização, mas ele não desenvolveu qualquer apego ao gosto dos alimentos. Não era uma questão de saciar  o seu desejo, era uma questão de fortalecer seu corpo. Da mesma forma, os praticantes avançados podem usar comidas e bebidas como substâncias de festa. Existem práticas em que a roupa que vestem é consagrada como a armadura de mantra. Essas práticas são adequadas para praticantes avançados, com alguma experiência direta. É importante entender que as diferentes recomendações desse texto, são oferecidas aos praticantes de diferentes níveis.

A sexta coisa que não deve ser abandonada são as doenças, sofrimentos e dores, pois eles são excelentes professores. Quando nos distraímos e nos engajamos em coisas erradas, ou quando simplesmente não estamos atentos, ou quando a renúncia não é algo estável, algumas vezes um pouco de sofrimento pode nos lembrar, direta e efetivamente, do que não deve ser esquecido, o que deve ser renunciado, e o que é realmente  sofrimento. Por exemplo, se experimentamos um pouco de dificuldade física como seres humanos, então devemos considerar o quanto deve ser desagradável renascer nos reinos inferiores, onde o sofrimento é muito pior. Isto deve nos inspirar a tentar não renascer nos reinos inferiores. Então, estas situações difíceis não devem ser evitadas, porque em alguns momentos podem ser de muita ajuda.

De acordo com Shantideva, nossas experiências de sofrimento podem ser benéficas, pois elas nos entristecem, e a tristeza nos traz de volta para nós mesmos e corta o nosso orgulho. Com a perda de nossa arrogância grosseira somos capazes de experimentar compaixão genuína pelos outros. Nós pensamos, “Se estou sofrendo tanto assim, se isto é desagradável, quanto isto pode ser para os outros?” e nós avaliamos o sofrimento dos outros. Isto nos leva a deixar as coisas erradas e o que é prejudicial para nós e para os outros, e nos leva para o que é naturalmente agradável e virtuoso. Então, há algum beneficio nestas experiências.

A sétima coisa que não deve ser abandonada são inimigos e obstáculos, pois eles nos incitam a praticar. Do ponto de vista Mahayana, a base para a nossa realização, a realização da natureza última, é cultivar qualidades como a paciência. O único caminho possível para se cultivar a virtude da paciência através de situações em que lidamos com algum infortúnio ou efetiva agressão. Por esta razão, pessoas agressivas conosco são nossos ajudantes na prática, e desde que elas surjam naturalmente, é dito que são incentivos naturais para a prática. Eles são também os incentivadores que nos dirigem para a realização da verdadeira natureza de todas as coisas, que é a budeidade.

No entanto, se os inimigos e os obstáculos desaparecem espontaneamente, é sinal de realização (siddhi) e você não deve rejeitar o resultado. Se situações desagradáveis sumirem, mesmo quando você não faz nenhum esforço para removê-las, você não deve tentar trazê-las de volta.  Se você tem mérito e realização, em muitos momentos isto pode causar situações em que outros são agressivos com você e são pacificados naturalmente. Quando isto acontece, você não deve pensar que algo errado aconteceu. Por exemplo, quando o rei tentou matar Acharya Nagarjuna com uma variedade de espadas cortando seu pescoço, o rei não foi capaz de ferir Nagarjuna porque Nagarjuna não tinha o karma de ser ferido. Do mesmo modo, alguém com realização não encontrará muitos inimigos e obstáculos, e isto é sinal do siddhi; é o sinal de realização. Só porque a presença de inimigos não é  algo necessariamente ruim, a falta de inimigos também não necessariamente o é.

A oitava coisa que não deve ser abandonada é o progresso metódico e gradual em seu estudo e prática, pois é isto que nos eleva à altura à compreensão última. Não devemos  pensar que o progresso gradual através dos vários estágios ou veículos de prática deve ser abandonado por parecer não ser o sentido final dos ensinamentos do Buddha. Tal pensamento é incorreto. Todas as grandes escolas e siddhas do passado começaram aprendendo no vários estágios e veículos dos ensinamentos do Buddha, e  a partir destas bases, chegaram finalmente ao conhecimento definitivo associados ao Vajrayana. Para o nosso próprio progresso devemos praticar de uma maneira que irá gradualmente amadurecer nossa compreensão do Dharma. Há muitos estágios para isto e eles devem ser cultivados. Da mesma forma, não devemos abandonar ou rejeitar as várias apresentações do Dharma que são feitas em estilos e níveis diferentes, porque estas são apropriadas para as necessidades e disposições dos diferentes seres.

A nona coisa que não deve ser abandonada é as diferentes práticas que envolvem atividades físicas, por que elas são práticas genuínas que amadurecem a mente e são benéficas. Isto significa não abandonar as prosternações, circumbalações, e outras práticas externas do Dharma porque isto realmente nos beneficia; elas realmente trazem resultados.

A décima coisa que não deve ser abandonada é a intenção de beneficiar os outros, mesmo quando você não tem muitas habilidades para beneficiá-los neste momento. Frequentemente, quando as pessoas começam a praticar elas pensam, “Qual é o beneficio de dizer, “Estou fazendo esta prática para beneficiar outros. Eu ajudarei outros no futuro dessa ou daquela maneira? Uma vez que, de fato,  não estou fazendo nada que beneficie aos seres neste momento, qual o significado disto? Eu não posso fazer nada para ajudar alguém.”” De fato, há o mesmo potencial para que esta atitude altruística produza resultados concretos, como há na semente para produzir a flor. Se você diz que não há beneficio no altruísmo, é como dizer que a semente não gerará a flor. Como o altruísmo em si não é benéfico para os outros, a semente não é a flor. Uma semente não é mesmo um broto. No entanto, sem a semente não existe a possibilidade de ter broto, folhas e flores; então é importante iniciar com a atitude e intenção pois assim você se tornará de grande, vasto beneficio para outros.

Ao iniciar o caminho ninguém pode realizar os atos grandiosos de um Bodhisatva. Quando Buddha gerou pela primeira vez a intenção de realizar a suprema iluminação ele ainda era incapaz de fazer muito pelas pessoas. Com o correr do tempo, então, ele se tornou extraordinariamente capaz de ajudar outros. Atualmente, as pessoas têm muitas dúvidas a respeito disto. Quando instruções são dadas dessa maneira, como as instruções sobre a boddhicita, as pessoas normalmente  dizem, “Que uso tem isso? Eu não posso fazer nada.” É importante não abandonar o altruísmo somente porque você não percebe sua capacidade de fazer muita coisa agora.

Estas são as dez coisas a que não devem ser abandonadas.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

P: Eu tenho uma pergunta sobre as formas comuns e incomuns da atenção plena. Será que elas se aplicam quando nós começamos a comer, a cair no sono, ou começamos a andar, ou através do todo processo de caminhar ou comer? Elas estão presentes no inicio ou no contínuo?

R: Se você praticar as formas comuns ou incomuns de desenvolvimento da atenção plena, deve ser o mais contínuo quanto possível. Claro, por se envolver em uma variedade de atividades, não é possível permanecer continuamente absorto em uma determinada contemplação ou em uma meditação particular. No entanto, deve fazê-lo no início de qualquer atividade, e fazê-lo sempre que vem à mente como a atividade continua, se está comendo, andando, ou em qualquer outra atividade. Quanto mais continua melhor. Não é o caso de você simplesmente gerar uma visualização ou contemplação no início, e em seguida, esquecê-la.

 

P: Eu não tenho certeza se entendo os três tipos de fé. Eu acredito que o primeiro tipo é a fé da clareza e o segunda tipo é a fé do desejo. Isso quer dizer que o desejo de se tornar iluminado, ou há mais do que isso?

R: Sim, está correto. Pode haver alguma confusão sobre o termo "desejo". Esse tipo de fé, a fé do desejo, é reconhecer o valor da obtenção da liberação e onisciência ou estado de Budha. O pensamento: "Eu realmente quero atingir esse estado, portanto, vou fazer o que for necessário para alcançá-lo", é diferente do convencional ou desejo mundano, em que eu quero experiências agradáveis ​​de todos os tipos. A fé do desejo não é com base em um erro ou um equívoco, se baseia no querer aquilo que realmente vale a pena. Embora a forma do pensamento seja em um sentido paralelo ao desejo convencional, o objeto é completamente diferente.

 

P: “Das dez coisas a serem abandonadas”, a oitava é; abandonando as atividades que causam a perda de fé no Dharma. Você poderia esclarecer a que se refere a nossa própria perda de fé no Dharma ou a perda de fé no Dharma dos outros através de ver nossas ações?

R: O ponto da oitava, das dez coisas a serem abandonadas é abandonar conduta estranha que faz com que outras pessoas tenham desrespeito ao Dharma. Isso pode ocorrer quando você tem algum tipo de experiência na prática que o leva a sentir um desejo a agir de uma forma estranha. Nesse caso, ele irá prejudicá-lo, porque isso será enganoso, e vai prejudicar aos outros. Ou você pode ter algum grau de realização que leva a agir de uma forma estranha. Isso não pode prejudicá-lo, mas pode prejudicar outras pessoas, porque outras pessoas não podem ver a sua realização, elas só podem ver o que você está fazendo. Se você fizer as coisas que parecem estranhas ou impróprias para elas, elas vão assumir que há algo de errado com você, e, uma vez que é suposto ser um praticante exemplar, há algo de errado com as instruções ou o caminho que o levou a se comportar de tal maneira. Você está fazendo com que os seres sencientes tenham desrespeito ao Dharma, que os afasta do Dharma, é uma tremenda fonte de karma ruim para eles. A responsabilidade de alguém com realização é manter e fomentar o Buddha-dharma, para fazer com que floresça e para ser um professor exemplar para os outros. Se agir de tal maneira, na qual não deve ser feito, você não está mantendo suas responsabilidades.

 

P: Gostaria de saber se você poderia dar alguns exemplos?

R: Eu posso dar um exemplo de mim mesmo. Estou sempre falando sobre como são importantes a bondade amorosa e a compaixão, enquanto estou comendo carne durante todo o dia.

 

P: Você comentou sobre muitos pontos fortes feitos por Gampopa, nesse texto. Para nós, é possível ou necessário colocar todos esses pontos em prática?

R: Primeiro de tudo, Gampopa dá uma variedade de instruções e gera um grande número de pontos nesse texto, e não se destina apenas a uma pessoa. Ele contém métodos e instruções destinadas a orientar os indivíduos a partir do início do seu caminho até que atinjam o estado de Buda completo. Ele também contém instruções destinadas a diferentes tipos de pessoas. Você tem que fazer a distinção entre estudar o texto e colocá-lo em prática. No contexto do estudo e análise do texto deve ser lido do começo ao fim, em sua totalidade, e chegar a um coeso entendimento definitivo. Por outro lado, quando colocar em prática, você seleciona partes do texto como conselhos pessoais, apropriados à sua situação. No contexto de prática, não é importante passar por todo o texto do começo ao fim e lembrar cada coisa dele.

 

P: Na primeira estancia, das dez causas de perda, o termo "sem sentido" foi utilizado em termos de atividade sem sentido e distrações sem sentido. Isso significa que muitas das coisas que fazemos devem ser evitadas, como assistir TV, ouvir música, ou tirando uma soneca? É isso que é chamado de "atividade sem sentido"?

R: De um ponto vista convencional ou mundano, claro, quando você está muito cansado do trabalho e de todos os tipos de atividades que você não tem escolha a realizar, talvez seja necessário para relaxar. Normalmente no mundo, não consideramos isso uma perda de tempo, ver um espetáculo de algum tipo, tirar um cochilo ou simplesmente relaxar. A questão aqui é que não temos muito tempo para praticar, e não queremos desperdiçar o pouco tempo que temos. Tendo-se comprometido a gastar um determinado período de tempo diário praticando o Dharma, em vez disso, usou o tempo para relaxar e se divertir, seria definitivamente uma atividade sem sentido, uma causa de perda ou desperdício.

 

P: A pergunta que eu tenho diz respeito ao desenvolvimento de coragem e confiança na prática do Dharma em face aos obstáculos. Eu sou um chefe de família com um filho, e trabalhando. Não tenho o habito  de praticar todos os dias. Eu sei que a prática constante é importante. Contemplando os quatro pensamentos como é feito no início de prática do ngondro, sensibilizando-nos para o fato de que essa é uma preciosa vida humana, que tudo é impermanente, que a lei do karma é verdade, e que não devemos nos apegar aos prazeres mundanos. No entanto, continuam sendo impulsionados por padrões habituais, é difícil ter tempo para fazer a prática formal. Qual é a melhor maneira de trabalhar com isso e tornar-se um forte praticante?

R: De uma forma ou de outra, todos tem que lidar com essa situação. A principal coisa em trabalhar com isso é, como disse anteriormente, não deixar ninguém se apossar de sua “corda de nariz”, significa estar no controle de sua própria direção e suas próprias decisões. Alguém que tem uma total convicção sobre os quatro pensamentos que transformam a mente não terá qualquer dificuldade em praticar Dharma. Se você achar que, apesar de compreendê-los, você não consegue praticar porque as coisas sempre ficam no caminho, indica que você não confia neles completamente ou está afligido por medos e esperanças. Embora tenhamos estudado a impermanência e os defeitos do samsara, tendemos, por um longo tempo, a manter interiormente a esperança de que nunca vamos morrer, dando uma sensação de espaço, de tempo de espera para a prática. Apesar de ter estudado os defeitos do samsara, dentro de nós existe a dúvida se realmente é tão ruim assim, e a dúvida faz com que seja fácil adiar a prática. Se alguém tem total convicção sobre a validade dos quatro pensamentos que transformam a mente, ele ou ela não terá qualquer dificuldade em praticar.

O fato de você ter acesso ao Dharma, estando envolvidos em tais práticas, indica que você acumulou muito de mérito no passado, significa também, pela quantidade de méritos, que você pode construir o hábito de praticar o Dharma em relação ao hábito de não praticar. Pensando que o Dharma está em tudo, pensando em outras coisas como nos quatro pensamentos que transformam a mente, pensando "Eu tenho que encontrar tempo para praticar", indica o hábito prévio de prática do Dharma, é algo para dar confiança a si mesmo e pode ser construído.

Quanto à prática, a principal a ser praticada é o ngondro, que chamamos de preliminares. Na verdade, ngondro é um termo equivocado, pois implica em ser um tipo secundário de prática ou preliminar, ou seja, algo que começamos fora do caminho para irmos até a prática real. Normalmente as pessoas têm a ideia que, ao terminarmos o ngondro, vai ser muito melhor, muito mais eficaz, e certamente, muito mais interessante. Mas isso é incorreto, pois os temas trazidos e as técnicas apresentadas no ngondro são a essência de todo o Dharma, não são realmente preliminares. Em particular, a base e a essência de toda a prática do Dharma são o refúgio e a geração de bodhicitta. Bodhicitta é a remoção de obscuridades. Bodhicitta é a realização da iluminação.

As outras práticas mais centrais são; a prática de Vajrasattva que é a remoção de obscuridades, os vários padrões habituais e confusões que impedem a prática do Dharma e são as razões pela qual temos que praticar em primeiro lugar. O acúmulo de mérito através da oferenda de mandala, que leva diretamente para o abandono do apego ao ego, a falsa imputação de um eu inerentemente existente, por isso que se diz que o Dharma é tudo. Finalmente, o guru yoga que é a melhor forma para aperfeiçoar todas as qualidades e remover todos os defeitos. A essência do Dharma é a percepção de que a sua mente, em sua natureza sempre foi e sempre será o próprio Dharmakaya, é o guru ioga que desperta esse tipo de experiência e realização.

Se você entender a eficácia e a profundidade do ngondro terá prazer e respeito, e será capaz de praticá-lo, tanto quanto possível. Agora, se você tem um monte de responsabilidades, por exemplo; o trabalho, uma casa, uma criança para cuidar, e assim por diante, o seu tempo é mais limitado do que a de alguém sem responsabilidades. Mas não importa quantas responsabilidades que venha ter, se você realmente quer praticar, vai definitivamente achar pelo menos algum tempo para isso, e o desejo de prática leva à criação de oportunidades para fazê-lo. Caso contrário, se não houver um desejo forte, intenso para a prática o mais rápido possível, você encontrar-se-á procrastinando. A causa da procrastinação é simplesmente uma falta de motivação, e a maneira de superar o hábito da procrastinação é a própria prática. Quanto mais você praticar, mais você vai querer praticar, e você criará um hábito crescente, que reforça a si mesmo. Assim, a melhor coisa para você fazer é continuar a praticar, seguir em frente, e que em si é a solução para o problema de não ser capaz de praticar. Não há outra solução necessária. Quanto mais você praticar, mais você irá beneficiar não só a si mesmo, mas todo mundo que entra em contato com você, especialmente os seus filhos e aqueles que vivem com você.

 

P:- Você disse que não devemos abandonar nosso inimigo porque ele deve nos ensinar a paciência. Suponha que um homem tem uma esposa que não o deixa estudar o Budismo ou se associar com lamas e professores, e não deixará que ensine a seus filhos o Budismo porque ela e as pessoas ao seu redor são católicos. Esse homem deve abandonar seu inimigo da mesma forma que os tibetanos deixaram o Tibet após a invasão chinesa, ou deve praticar o Budismo quieto e pacientemente em sua casa e não falar para seus filhos do Budismo até que, talvez no futuro, a chance surja para ele assim o fazer? 

R:- Eu não posso afirmar o que tal pessoa deve fazer. Se essa pessoa puder ser paciente com o que sua esposa possa fazer, esta é a melhor coisa, pois a paciência é o caminho mais efetivo para o desenvolvimento de nossas qualidades. Por outro lado, se ele não puder ser paciente com a situação e isto o levar a agressão de sua parte, e o levar a ter problemas, então será difícil dizer que é particularmente bom. Os detalhes específicos desta situação são muito importantes, então eu não posso dizer em geral que ele deve ficar ou deve partir. Isto varia de caso a caso.

De fato, há dois tipos de conselhos neste contexto que entram em jogo aqui e eles podem parecer contraditórios a princípio. Um diz para não abandonar seus inimigos porque ajudam a desenvolver a paciência. O outro diz para abandonar companhias nocivas pois eles obstruem o Dharma. Não é uma contradição. Alguém capaz de ser paciente com a agressão dos outros, especialmente em situações que não é possível evitá-los, pode usar a agressão de outros para promover a prática da paciência. Se a agressão é muito forte para se manter paciente e isso impedir sua prática do Dharma, então é melhor se afastar desta situação. 

Quanto à situação dos refugiados tibetanos, durante a invasão muitos saíram para serem capazes de praticar o Dharma em outro lugar, enquanto outros simplesmente fugiram para salvar suas vidas. Em geral, desde essa época, eles se envolveram em atividades correspondentes com as razões de suas vidas. Aqueles que deixaram para praticar o Dharma, praticaram muito o Dharma, e aqueles que saíram simplesmente para sobreviver, fizeram o seu melhor para sobreviver e enriquecer se possível.

Esta é a situação geral. A respeito do que uma pessoa específica deve fazer neste tipo de situação que você descreveu, não posso dizer de antemão.

 

P:-  O compromisso estável significa que quando estou praticando Hevajra eu não posso mudar para o Kalachakra? Se estou entoando um mantra, quantas vezes devo entoá-lo antes de mudar para outro?

R:- Isto depende de cada indivíduo. Alguém que tem fé ou pleno conhecimento e reconhece que todas as deidades encarnam as qualidades completas e poder de Buddhahood precisa praticar somente uma deidade. Não é um ponto particular importante qual ela é, já que a deidade na qual ela ou ele tem completa confiança. Alguém que não tenha essa compreensão, mas vê coisas num caminho conceitual e pensa que precisa praticar uma deidade para ter riqueza, uma deidade para obter a iluminação, uma deidade para atividade vigorosa, uma deidade para a pacificação, e assim por diante, terá que praticar deidades diferentes para obter os respectivos resultados. Alguém que tenha o profundo conhecimento que elas são todas as mesmas, realizando uma, realiza todas.

 

P:- Estou fazendo esta pergunta para um amigo que pratica o Budismo da Terra Pura. Ele pergunta se há algum método especial no Vajrayana que leva ao renascimento em Dewatchen, e exatamente quantas vezes devemos entoar um mantra específico para garantir o renascimento em Dewatchen?

R:- Há uma diferença entre o sutra e a apresentação tântrica da prática de Amitabha nos métodos que eles são aplicados. A raiz e a intenção de ambas são as mesmas - obter renascimento em Dewatchen, a terra pura. A principal diferença é que no contexto da prática sutra consideramos nós mesmos como seres comuns e mantemos nosso conceito comum do corpo, palavra e mente. Reconhecemos a presença de Amitabha no centro do seu reino puro e suplicamos para ele. Isto é algo como se alguém estivesse na prisão suplicando a um indivíduo poderoso de fora para fazer o possível para tirá-lo da prisão. Isto é basicamente a visão sutra.

Na visão tântrica, a súplica para Amitabha é exatamente a mesma, mas em vez de trazer para a mente que Amitabha está em Dewatchen. realmente visualizamos o reino de Dewatchen, incluindo Amitabha, em frente de nós enquanto ele está presente na nossa própria experiência. Também, não nos consideramos sendo comuns, mas consagramos nosso corpo como uma deidade, nossa palavra como mantra, e assim por diante. Seguindo com a analogia acima, é como se para nos livrarmos do nosso aprisionamento, não apelamos apenas para alguém de fora nos livrar da prisão, mas também desenvolvemos o poder em nós mesmos que nos capacita a sair.

A razão para a diferença de aproximação é a visão. Um aspecto da visão Vajrayana é que todos os corpos e reinos dos Buddhas como Amitabha já estão espontaneamente presentes em nossa mente. Podemos experimentá-los externamente apenas por causa da sua presença espontânea dentro de nós, e este tipo de liberação pode ocorrer com a reunião das condições internas e externas. Por exemplo, o sol é algo fisicamente externo a nós, mas para vermos o brilho do sol temos que ter olhos, e nossos olhos tem que estar abertos. Do mesmo modo, a liberação dentro do reino de Sukhavati é considerada do ponto de vista Vajrayana a ser realizado através da interdependência de condições externas e internas. No que diz respeito a recitação de mantras, diferentes mantras e práticas associados com este ciclo. Não seria possível dizer que temos que recitar um número específico para obter o renascimento em Dewatchen.

 

P:- Como sabemos se somos adequados para a prática Mahayana ou Vajrayana? A prática Vajrayana é muito perigosa? Se quebrarmos os votos cairemos no inferno Vajra. 

R:- Em geral, as pessoas se encontram com os professores, que ensinam nos diferentes veículos, de acordo com as suas próprias disposições e na medida do seus próprios méritos. Quanto ao que é adequado aos indivíduos praticarem entre os diversos veículos, devem praticar o que os professores a qual se tornam naturalmente ligados enfatizam, deveriam ensinar o que está em conformidade com a sua própria confiança e visão sobre o Dharma. Isto não é somente verdadeiro com respeito ao Mahayana e Vajrayana, isto é verdadeiro em todos os níveis de Ensinamentos Budistas - Hinayana, Mahayana, Vajrayana, e assim por diante. Basicamente, você pode praticar o que você quiser, o que surge naturalmente para você, e para onde sua inclinação está voltada. O ponto principal é seu interesse e confiança nos ensinamentos, assim você deve praticar qualquer ensinamento que você tiver a maior confiança.

A respeito do perigo do Vajrayana, é verdade que o Vajrayana tem grande eficácia e pode ser também perigoso. O Vajrayana apresenta um caminho para pessoas com grande conhecimento, que são capazes de serem muito cuidadosas e metódicas em suas práticas. Apresenta um caminho através do qual estas pessoas podem, usando os excelentes métodos do Vajrayana, obter o despertar de muitas maneiras efetivas. É verdade que se alguém não tem esse tipo de conhecimento, não é diligente, e especialmente carece de fé e devoção, ela ou ele poderá violar o samaya, os compromissos do Vajrayana.

Na prática, porém, é preciso fazer uma distinção entre dois tipos de iniciação, uma vez que o samaya ou compromisso da iniciação foram aceitos. Podemos distinguir entre a iniciação que é uma benção e o que é chamado de iniciação último e real. Através da fé e confiança no lama, você deverá receber dele ou dela uma benção de iniciação que envolve várias substâncias, vasos e assim por diante coisas que serão colocados sobre sua cabeça e mantras recitados para você. A função disto é plantar uma semente para sua futura liberação, baseado sobre o processo de iniciação e sua própria abertura e fé nele. Este processo e método têm sua característica especial e qualidade do Vajrayana e é muito benéfico para os indivíduos envolvidos. Devemos distinguir entre este e a iniciação última, no qual o estudante, no momento que recebe o iniciação, gera a sabedoria associada com a iniciação através do entendimento completo de tudo que está acontecendo. Se alguém recebeu a iniciação última e então não faz nenhum uso dela e não pratica, mas só está envolvido em atividades mundanas e vira as costas para o Dharma, então esta pessoa poderia certamente quebrar o samaya.

Há, é claro, a forma comum de iniciação de benção, entretanto, quando as pessoas recebem esteiniciação, em geral não entendem nada do que está acontecendo. Não entendem exatamente o que deve ser praticado e o que deve ser rejeitado, estão se comprometendo talvez para receber o mantra, visualizar a deidade, e assim por diante. Em termos práticos, é pouco provável que as pessoas em tais situações vão se prejudicar com vajrayana.

 

P: Você poderia explicar a diferença entre um voto comum e o samaya?

R: Voto ou dompa em tibetano, e samaya, ou damtsig, são basicamente termos diferentes para a mesma coisa.  Em geral, o termo dompa, que normalmente é traduzido como voto, é usado nas discussões sobre o sutra, e o termo damtsig ou samaya é usado no contexto do tantra. O termo dompa significa "aquilo que segura" no sentido de nos proteger da perda ou enfraquecimento das qualidades do caminho que adquirimos, e nos protege da invasão de obstruções exteriores – por isso mantém e protege. Uma metáfora para isso é um cinto. O motivo de atar-se com um cinto é para impedir que sua roupa fique solta. Por exemplo, se você usa o cinto para manter uma chuba fechada, ele também impede a chuba de cair segurando a chuba fechada, mas também protege o seu corpo do vento, do sol e de tudo o mais, mantendo a chuba fechada. Votos ou dompa são assim. Eles atam, e atando, eles protegem. Este termo é, basicamente, o que é usado nos sutras ou é comum a ambos sutra e tantra.

O termo usado na maioria das vezes em tantra é damtsig, que literalmente significa "palavra que obriga" ou "comando". A analogia aqui é com a palavra de comando de um rei, de cuja desobediência significa certamente a morte. A ênfase está no perigo de ignorar as prescrições e as proibições do samaya, mas o perigo não vem do medo da punição como acontece com um rei, mas porque samaya é uma expressão natural da qualidade do ensinamento vajrayana. Não é um comando arbitrário imposto a nós; é simplesmente as regras que devem ser seguidas para que as qualidades não se transformem em defeitos. Por exemplo, se você estiver viajando em um automóvel existem certas regras que devem ser seguidas para evitar que você se mate. Se você estiver viajando em um avião, há mais regras porque as qualidades e a eficácia do veículo são maiores. Se pular de um avião você morre, e se pular fora do vajrayana, você irá para o inferno vajra. O rigor ou a ferocidade da samaya é diretamente proporcional às qualidades do Vajrayana.

 

P: O décimo ponto sobre as dez coisas necessárias para praticar o dharma fala sobre a aplicação de uma realização ou compreensão que não possua o "defeito da reificaçã". Eu realmente não entendi o que o defeito da reificação significa, e eu estou interessado em saber mais sobre o que podemos fazer para evitá-lo. 

R: Em primeiro lugar, o texto-raiz a partir do qual esta explicação é derivada tem a declaração: "É preciso que a nossa visão de todas as coisas não se desvie para a reificação ou a falsa imputação de solidez e o hábito de tomar por inerentes as características presentes; e nós evitamos isso, por meio do conhecimento, compreensão e realização". Isto significa que em relação a tudo o que vivenciamos, devemos transcender a ego-apreensão, ou mais precisamente, a falsa imputação de um eu inerentemente existente e a falsa imputação de solidez ou realidade de nossas experiências. Isto é verdade não só com as coisas em geral, mas também com a nossa atitude em relação ao Dharma e a prática do Dharma. Quando estamos meditando sobre uma divindade, se nos fixarmos na solidez daquela meditação e considerarmos a divindade como algo com uma existência física externa, com um corpo de carne e osso que se pareça com essa divindade particular, então há um equívoco. Esse ponto de vista não vai levar à realização. Se há uma fixação sobre as características ou forma da divindade como sendo qualquer coisa que não seja uma expressão da sabedoria que a divindade corporifica, não vai levar à realização a que a prática deveria levar. É o mesmo quando estamos considerando reinos puros. Se pensar que o reino de um Buddha é algo que existe em um lugar específico e é feito de objetos sólidos com forma tal e tal, como o mundo que experimentamos, se nos fixarmos em uma imputada solidez e em imputadas características daquele reino, isso não vai levar para a libertação naquele reino porque simplesmente perpetua nossa ordinária forma de experiência.

Diz-se que a forma de uma deidade, e, por conseguinte, a forma do reino daquela divindade é um corpo de luz cuja essência é sabedoria. Luz aqui não significa luz física; significa uma presença que é totalmente insubstancial. A divindade ter o aspecto da sabedoria significa que a forma é apenas a personificação da sabedoria, eficácia e atividade para o benefício dos seres que são a divindade. Portanto, diz-se que a forma da divindade é como raios de luz do arco-íris, e a essência da divindade é a própria sabedoria. Em última análise, no entanto, esta declaração refere-se ao fato de que a nossa compreensão final deve ser a realização do vazio que é totalmente sem qualquer tipo de elaboração, sem qualquer realizador e realização, qualquer tipo de atitude intelectual ou posicionamento algum. Assim, o ponto final é a transcendência da mente conceitual.

 

15/01/2017 - As Dez Coisas A Não Abandonar Play Download

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08. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 6 - As Dez Coisas a Serem Reconhecidas ou Compreendidas

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A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS A SEREM RECONHECIDAS OU COMPREENDIDAS - Capítulo 6 

O texto

Em seguida, vêm as dez coisas que devem ser conhecidas ou compreendidas. Considerando que o conjunto anterior; “as coisas que não devem ser abandonadas” devam ser colocadas em prática, estas devem apenas ser compreendidas.

1. Uma vez que as aparências exteriores são confusão, reconheça-as como sendo ilusórias.

2. Uma vez que os fenômenos mentais internos são desprovidos de uma existência em si (self), reconheça-os como sendo vazios.

3. Uma vez que os pensamentos surgem de forma condicionada, reconheça-os como sendo adventícios.

4. Uma vez que o corpo e a palavra, compostos por elementos, são compostos, reconheça-os como sendo impermanentes.

5. Uma vez que o prazer e o sofrimento dos seres sencientes surgem do karma, reconheça a lei da causalidade como sendo infalível.

6. Uma vez que o sofrimento é causa de renúncia, reconheça-o como sendo um amigo-espiritual.

7. Uma vez que o prazer e o conforto são a raiz do samsara, reconheça o desejo-apego como sendo Mara.

8. Uma vez que as distrações são condições prejudiciais à acumulação de mérito, reconheça-as como sendo obstáculos.

9. Uma vez que os obstáculos incitam à prática da virtude, reconheça os inimigos e obstrutores como sendo seu lama.

10. Uma vez que, na verdade última, todas as coisas são desprovidas de natureza própria, reconheça todos os fenômenos como sendo o mesmo.

AS DEZ COISAS A SEREM RECONHECIDAS OU COMPREENDIDAS - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

A primeira coisa a se compreender é que as aparências externas são as manifestações da nossa confusão. Devemos reconhecer que a nossa forma de experimentar o mundo não tem qualquer validade ou verdade inerente. A nossa forma de experimentar o mundo é baseado no apego-ego, a falsa imputação de uma auto existência inerente. Portanto, imputamos uma verdade ou realidade de nossa experiência do mundo, que é igualmente falsa, porque as coisas que nós experimentamos são simplesmente a exibição de nossa própria mente.  Se reconhecermos isso, as nossas experiências são em si a auto liberação, não haverá fixação sobre o que nós experimentamos. A forma de experimentarmos o mundo é como ver o reflexo da lua na água. Não é mais válido dizer que o que experimentamos é uma realidade objetiva do que dizer que o reflexo da lua é outra lua, ou seja, que há uma lua no céu e outro na água. Isto é válido na medida em que é uma experiência, mas em si não é a lua, e sim um reflexo.

Nos experimentamos coisas dessa forma em virtude de nossos hábitos e por influência de nossas ações passadas. Reconhecendo isso é reconhecer o mal ou engano oculto na forma como experimentamos as aparências. Para ilustrar a diferença entre o reconhecimento disso ou não, suponha que alguém diz que fora desse país, para além de uma cadeia de montanhas, existe um reino magnífico cheio de coisas deliciosas. Se ainda não o viu, não pode concebê-lo, por não ter a experiência disso. Trata-se de algo  que você apenas ouviu falar. Você pode acreditar ou não, mas não tem uma ideia definitiva sobre isso. Alguém que realmente tenha estado lá saberia. Da mesma forma, quando você reconhece o fato de que a forma que você experiência o mundo não tem uma validade inerente, além de ser simplesmente a sua maneira de experienciá-lo, a fixação por ele diminui.

O segundo ponto é que, uma vez que a mente em si (interna, em oposição à aparência externa) não tem existência inerente, deve ser reconhecida como vazia. Ao reconhecer o vazio ou ausência de existência inerente da mente, três tipos de fixações podem ser dissipadas. Trata-se de fixação na mente como sendo um eu (self) , fixação na mente como algo real, e fixação na mente como algo sólido.

O terceiro ponto é que os pensamentos surgem a partir da união de diversas condições, e devem ser reconhecidos como adventícios, significa que subitamente aparecem e desaparecem, e não de forma inerente à natureza da mente. Esse reconhecimento é importante, porque se nós acreditamos que os pensamentos são reais e sólidos, a fixação aos pensamentos produz por esse equívoco, um acúmulo de karma, através do poder dos pensamentos.

A quarta coisa a ser entendida é que este corpo e fala que são produzidos a partir dos elementos são coisas compostas. Elas não são coisas unitárias e, portanto, são impermanentes. Ao reconhecer a impermanência e a natureza composta do nosso corpo e fala, a tendência a se fixar sobre eles como coisas permanentes e sólidas são dissipadas.

A quinta coisa a ser entendida é que as experiências vividas pelos diversos tipos de seres vivos, de prazer e sofrimento surgem do karma, a partir de suas ações anteriores. Portanto, deve ser compreendido que os resultados das ações são infalíveis, o que você fizer, vai produzir certo resultado, que será vivido por você. O que você experimenta é definitivamente um resultado de suas próprias ações anteriore.

O sexto ponto é que o sofrimento e a doença são um motivo de renúncia estável para um praticante de Dharma, portanto, deve ser entendido como um tipo de professor valioso. Primeiro de tudo, a experiência da doença e do sofrimento, se for vivida com consciência por um praticante, é uma das causas de sua felicidade futura, pois irá esgotar o carma que o produziu. Se a doença não for experimentada agora, e o karma amadurecer-se mais tardiamente, a experiência de sofrimento será muito mais intensa, com um período de tempo muito mais longo. Além disso, a doença e o sofrimento exortam o praticante à renúncia, porque eles mostram que há karma negativo. Portanto, como praticante, você deve regozijar-se na presente experiência do sofrimento, e também usá-lo para continuar a sua renúncia ao reconhecer que isso significa que você ainda tem o carma que poderia leva-lo a um enorme sofrimento futuro.

O sétimo ponto é que como apego ao prazer e felicidade é a raiz do samsara, devemos saber que esse apego é devaputra-mara, ou lhai bu'i du em tibetano - significa que o demônio é o filho dos deuses. As experiências dos três reinos do samsara surgem do apego ou fixação na experiência de prazer e na tentativa de adquiri-la. Intoxicação com esta experiência do prazer é a causa dos sofrimentos do samsara. Portanto, este tipo de experiência deve ser reconhecido como o devaputra-mara.

O oitavo ponto é que, uma vez que as distrações e diversões são impedimentos para a acumulação de mérito, devem ser entendidas como obstáculos para a prática do Dharma. Se dedicamos o nosso tempo para distrações e diversões sem sentido, interrompendo a nossa prática, é uma forma de procrastinação da nossa prática. Isso interrompe nossa prática, fazendo como as coisas tomem muito mais tempo para serem concluídas. Isso rouba a nossa acumulação de mérito e, portanto, deve ser entendido como algo que devemos evitar.

A nona coisa a se compreender é que os obstáculos para a prática que surgem através de circunstâncias súbitas ou condições, como ações agressivas por outros, doenças e etc, são exortações para o cultivo da virtude. Portanto, esses inimigos e obstrutores devem ser conhecidos como nossos professores, nossos lamas. Como foi dito antes, se pudermos passar por condições adversas para o desenvolvimento do amor e da compaixão para com os outros, especificamente, com a atitude de que "qualquer sofrimento similar ao meu que os outros seres tenham que enfrentar, que somente eu tenha que suportá-los", então, as condições adversas, de fato, acabam por fomentar a prática do Dharma. Em particular, quando outras pessoas estão sendo agressivas com você, do seu ponto de vista, pode parecer agressão, mas se você olhar para o seu efeito final sobre a ótica do praticante, é como alguém dizendo: "Se você não sair do samsara, vai ter que lidar com essa situação novamente.” É uma exortação à renúncia e uma exortação à prática. Assim, a partir do próprio ponto de vista, e a partir do efeito final sobre você, as pessoas agressivas são realmente seus professores.

O décimo ponto é que uma vez que todas as coisas não têm a natureza inerente, devemos saber que todas as coisas, sem qualquer exceção que seja, possuem a mesma natureza, que é a quididade. Normalmente, na experiência de pessoas sem a realização da natureza ultima, há uma grande diferença entre as coisas, por um lado, que são distintas entre si, e por outro,  a natureza de todas as coisas, que é a mesma. Essa natureza é a ausência de uma essência as suas características. No entanto, quando essa mesma natureza é reconhecida, verifica-se que não existe qualquer diferença entre "coisas", de um lado, que são distintas entre si e, de outro lado, a "natureza" de todas as coisas, que é a mesma. Essa natureza é a ausência de uma essência para suas características. Entretanto, quando essa natureza em si é reconhecida, vê-se que não há diferença entre as coisas e sua natureza.  O convencional e o absoluto são os mesmos, porque qualquer coisa é a expressão da sua natureza, e a natureza de cada coisa é a mesma. Portanto, uma vez que cada coisa exprime a mesma natureza, cada coisa em sua natureza é a mesma.

É isso que é para ser entendido aqui. Esta décima coisa a ser entendida é direcionado principalmente para praticantes experientes, que têm alguma realização, e para eles é algo não apenas para ser compreendido, mas para ser praticado e realizado. Para os iniciantes, é algo que deve ser entendido como um conceito ou uma ideia.

Estas são as dez coisas a serem conhecidas ou compreendidas. A compreensão dessas coisas que chega através do raciocínio inferencial, no contexto de estudo e reflexão, é bastante diferente da realização direta do seu significado, que só pode vir através da prática de meditação. Compreender por si só não é uma base suficiente para as decisões morais, para decidir o que aceitar e o que abandonar. Devemos saber a diferença entre um reconhecimento conceitual e a realização definitiva.

a da mente conceitual.

26/02/2017 - As Dez Coisas a Serem Reconhecidas ou Compreendidas Play Download

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09. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 7 - As Dez Coisas a Serem Praticadas

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A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS A SEREM PRATICADAS - Capítulo 7 

O texto

1. Tendo se engajado na via do dharma, sem se juntar ao bando de profanos, pratique segundo o Dharma.

2. Tendo abandonado a sua terra natal, sem se enraizar de novo entre os homens, pratique o não apego.

3. Confiando no mestre, abandonando todo orgulho, pratique de acordo com as suas instruções.

4. Tendo-se treinado na escuta e na reflexão, sem ensinar aquilo que conhece apenas teoricamente, pratique o que foi aprendido.

5. Tendo surgido na mente a realização, sem cair na indiferença e na negligencia pratique sem distração.

6. A experiência da meditação tendo surgido, pratique sem se abandonar às distrações das multidões.

7. Uma vez engajados nos compromissos, sem deixar que corpo, palavra e mente tornem-se negligentes, pratique as três instruções.

8. Quando se desenvolveu a sublime mente do despertar, sem se preocupar consigo mesmo, pratique para o bem dos outros.

9. Uma vez engajados no caminho dos mantras (Mantrayana), sem deixar o corpo, a palavra e a mente em estado ordinário, pratique a meditação nas três mandalas.

10. Na juventude, sem perambular sem rumo, pratique os exercícios espirituais aos pés de um santo mestre.

AS DEZ COISAS A SEREM PRATICADAS - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

A lista anterior era de dez coisas a serem conhecidas, e em seguida temos as dez coisas que realmente devemos praticar. A primeira é que, tendo entrado pela porta do Dharma, não se deixe levar pelo comportamento de rebanho como nas atividades humanas insignificantes, mas pratique o Dharma adequadamente. Uma vez que tenhamos começado a prática do Dharma, é importante contar com as condições apropriadas que apoiarão a nossa prática inicial do Dharma, como ficar em um ambiente solitário onde a prática é possível, e nos cercar de companheiros que irão nos ajudar. Não devemos nos permitir ser atraídos para um monte de atividades insignificantes e distrativas. Isso pode acontecer com muita facilidade no início, nos impedindo de fazer pleno uso da nossa entrada na prática do Dharma. É importante, desde o início de nossa prática até o dia da nossa morte, fazer pleno uso da oportunidade que é o Dharma, criando condições que favoreçam a prática, como o ambiente, companheiros, e assim por diante.

A segunda coisa a ser praticada é, tendo abandonado o seu local de nascimento, não se estabeleça muito firmemente em qualquer lugar. Em outras palavras, pratique sem apego. Como foi dito antes, é importante abandonar o seu local de nascimento, o lugar pelo qual você está mais conectado, com a aspiração correta de desejar transcender o aprisionamento do samsara. Você pode deixar o local de seu nascimento, mas se você não abandonar o apego, você vai recriar os vínculos associados à sua terra natal em algum outro lugar. Você vai se identificar com um ambiente específico e se acomodar nele, o que não é melhor do que estar preso à sua terra natal. É importante que, não importando onde você esteja, manter uma falta de apego.

A terceira coisa a ser praticada é, confiando em um autêntico guru, abandonar a arrogância, e praticar de acordo com o comando dele ou dela. Ao confiar em um professor, deve-se respeitar a validade de seus ensinamentos e instruções e não ter o tipo de atitude arrogante que o faz pensar interiormente que você sabe mais. Diz-se que as qualidades não podem restar   sobre a dura esfera de ferro da arrogância . As pessoas muitas vezes têm uma atitude de pensar assim: "Meus professores sabem muito sobre o Dharma, mas eu não vou tomar os seus conselhos sobre as coisas mundanas. Quando se trata de decisões realmente sérias, eu não confio tanto neles." Se você tem uma desconfiança tão grande assim sobre seus gurus, que surgem a partir de uma espécie de arrogância, não há possibilidade de você gerar em si as qualidades deles e desenvolver o tipo de compaixão que eles encarnam.

A quarta coisa a ser praticada é, depois de ter treinado sua mente através da escuta e da contemplação, ou através do estudo e análise, não basta apenas estar envolvido em falar sobre isso, mas realmente colocar o que você entendeu em prática. Receber instruções ou chegar a um entendimento e apenas repeti-lo aos outros não vai fazer nenhum bem. Tudo que faz é criar ecos. Quando você está com fome e você tem comida, você só vai aliviar a fome na medida em que você realmente comer. Todo o propósito de possuir alimentos é que são para ser consumidos, a fim de aliviar a fome de alguém. Da mesma forma, você deve realmente colocar em prática e fazer uso de qualquer instrução que você receba e qualquer coisa que você vir a compreender através da análise.

A quinta coisa a ser praticada é que, se a experiência ou realização é gerada em seu contínuo mental, não fique esteja satisfeito com apenas isso, mas continue a praticar sem distração. Com frequência é possível ter algum tipo de experiência ou leve realização e achar que isso é o suficiente, que mais diligência e prática são desnecessárias. Isso está errado. É como tentar esfregar dois pedaços de madeira para fazer fogo, e quando eles começam a soltar fumaça, achar que isso é o suficiente. A fumaça é uma indicação de que se você continuar a fazer fricção, você obterá uma fogueira, pois a fumaça em si não é fogo; fumaça não é o suficiente. As indicações de sucesso que você experimenta em suas práticas não são indicações de que você não tem necessidade de praticar mais; eles são indicações que se você praticar ainda mais diligentemente, você vai chegar a algum resultado ou fruição. Portanto, a experiência e a realização devem estimulá-lo a um esforço adicional e não para abandonar o esforço.

A sexta coisa a ser praticada é que quando a prática tiver, em certa medida, entrado em seu contínuo mental, não se perca em distrações sem sentido em meio a muitas pessoas, mas continue a prática. Por exemplo, depois de ter terminado um período de retiro, se você entrar em um estado de completa distração e perder muito tempo, então, com o passar do tempo, o benefício recebido a partir da prática, as indicações de uma prática bem sucedida, e as mudanças em sua personalidade que são marcas de prática, vão diminuir, e sua distração e negligência aumentarão. Finalmente, se não se afastar dessa direção, você vai se dar conta que não tem ficado a menor impressão de qualquer tipo de benefício deixado pela prática que tem feito. O ponto é que se você pratica, você tem que continuar praticando. Você não pode parar e ser apenas descuidado.

A sétima coisa a ser praticada é, depois de ter se entregue ao compromisso de uma certa disciplina e modo de conduta na presença do khenpo, ou upadyaya, ou preceptor no caso de vinaya, ou o mestre vajra no caso de samaya, não deixe suas três portas – seu corpo, fala e mente – decaírem em descuido e preguiça, mas continuamente pratique os três treinamentos em conformidade com os compromissos que você fez. Os três treinamentos são disciplina pessoal ou moralidade, meditação e a aquisição de conhecimento e compreensão.

A oitava coisa a ser praticada é, tendo gerado bodhicitta – a intenção de atingir o supremo despertar – não pratique apenas para seu próprio benefício, mas execute todas as atividades, e especialmente toda a prática, para o benefício de outros. Em conexão com isso, muitas pessoas vêm a mim e dizem: "Eu não posso tomar o voto de bodhisattva, porque eu sou realmente mais preocupado comigo mesmo. Eu não posso simplesmente, de uma hora para outra, renunciar esse pensamento e fingir que eu estou preocupado apenas com as outras pessoas.” De certa forma esta é uma observação válida, mas quando você toma o voto do bodhisattva não é o caso que você deve imediatamente, em um instante, se tornar perfeito. Você tem que continuar trabalhando, ou fazendo o que quer que você precise fazer para sobreviver, mas você deve praticar o máximo Dharma que você possa, e praticá-lo para o benefício de outros. Lentamente, por incutir tal motivação, a preocupação para com os outros vai crescer, o treinamento relacionada com o voto de bodhisattva vai se enraizar em você.

A nona coisa a ser praticada é, depois de ter entrado pela porta do mantra secreto através receber a iniciação (capacitação), não deixe o seu corpo, fala e mente em um estado ordinário, mas pratique o estabelecimento de seu corpo, fala e mente como sendo as três mandalas. Isto significa reconhecer que o seu corpo é a divindade, que a fala e todos os sons são o mantra, e que tudo o que ocorre na mente é a extensão da sabedoria. O ponto é manter a atitude que o seu corpo, fala e mente são o corpo, fala e a mente de todos os Budas.

Em seguida, a décima coisa a ser praticada é que, quando você é jovem, não perca seu tempo vagando sem sentido, mas pratique com austeridade na presença de mestres autênticos. Quando as pessoas são jovens tendem a ir passear, a viajar (run around) e buscar novas experiências. Por exemplo, no Tibet, quando as pessoas eram jovens, muitas vezes gastavam muito tempo indo em peregrinação para as dezoito regiões e assim por diante. É verdade que estes são lugares que têm grandes bênçãos, porque eles foram consagrados pelos siddhas do passado, mas ir para as diversas montanhas, e assim por diante, envolve uma boa porção de dificuldades e trabalhos. Seria melhor, quando você é jovem e tem uma mente clara e um corpo forte, fazer uso dessas faculdades, não em tais atividades, mas para ficar em um lugar e praticar na presença de professores, que envolve em grande parte as mesmas dificuldades.

Estas são as dez coisas a serem praticadas.

 

03/03/2017 - As Dez Coisas a Serem Praticadas Play Download

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10. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 8 - As Dez Coisas para se Persistir

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A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS A PARA SE PERSISTIR - Capítulo 8 

O texto

1. Os principiantes devem persistir a escuta dos ensinamentos e na reflexão do seu sentido.

2. Quando a experiência aparece, persistir na prática da meditação.

3. Enquanto esta experiência não for estável, persista no isolamento e no retiro.

4. Se a dispersão e a agitação predominam, persista no domínio da mente.

5. Se o torpor e a opacidade predominam, persista em expandir e tonificar a mente.

6. Enquanto a mente não for estável, persista na absorção meditativa.

7. Tendo-se dedicado à absorção meditativa, persista na fase de pós-meditação.

8. Quando se encontram numerosas circunstancias desfavoráveis, persista nas três formas de paciência (não devolver o mal com o mal, tirar vantagem de toda adversidade, aceitar com certeza os ensinamentos do Lama).

9. Quando o apego e o desejo são muitos fortes, persista no emprego de meios poderosos para combatê-los.

10. Se o amor e a compaixão são muito frágeis, persista no cultivo da mente do Despertar.

AS DEZ COISAS PARA SE PERSISTIR - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

Em seguida, as dez coisas para se persistir, ou as dez coisas sobre as quais devemos ser diligentes. A primeira é ser diligente em ouvir ou contemplar, ou estudar e analisar. Quando você é um iniciante, por não saber absolutamente nada sobre o Dharma, não pode praticar, porque não sabe o que praticar e como praticar. No início, é importante se concentrar em adquirir as informações necessárias e certificar-se do entendimento.

A segunda coisa a ser persistente é tendo gerado a experiência e os conhecimentos básicos que vem da aquisição de informação e análise, enfatizar a prática da meditação.

No contexto da prática da meditação, o terceiro ponto é, até você alcançar a estabilidade, pratique na solidão. Estabilidade significa em sua prática, um estágio em que a sua mente não é afetada de forma alguma por qualquer tipo de condições ou circunstâncias externas, de qualquer natureza, e não é afetado também por nenhum tipo de pensamento ou emoção que pode ocorrer na mente. Até atingir esse grau de estabilidade, é necessário praticar na solidão.

No contexto de uma prática intensa, o quarto ponto é, se achar que sua mente divaga muito e está constantemente distraída pelos objetos, e se achar que é vítima da excitação ou agitação da mente, então, seja diligente relaxando sua consciência para pacificar essa agitação.

O quinto ponto é, se por outro lado achar que é presa do torpor e confusão mental, então eleve a sua consciência. Isso significa, por exemplo, endireitar sua postura e ligeiramente intensificar a aplicação de consciência. Dos dois defeitos que são mencionadas aqui, o primeiro, jingwa, o que significa sunkenness ou torpor, é um estado de depressão física e mental ou sonolência, não necessariamente depressão emocional e a segunda, mukpa, ou confusão mental, é um falta de clareza mental.

O sexto ponto é, até que sua mente se torne estável, enfatize o mesmo posicionamento. Mente estável refere-se ao estado em que a mente não é afetada por pensamentos, o estado em que a mente pode dirigir-se a um objeto sem que haja qualquer tipo de obstáculos surgidos dos pensamentos recorrentes. Até você chegar a esse estágio, deve se concentrar no mesmo posicionamento, o que neste caso significa a prática da meditação ou shamata.

O sétimo ponto é, quando você se tornou estável no mesmo posicionamento, em seguida, enfatize a pós-meditação. Pós-meditação aqui, não significa não praticar, significa  a classe de práticas formais que são feitas a fim de acumular mérito, são mais estruturadas do que shamata básico ou meditação da tranquilidade. O ponto aqui é, quando nós ganhamos alguma tranquilidade, devemos então aplicar isso para a acumulação de mérito, a fim de que nossa prática de tranquilidade não se torne apenas  a absorção dos reinos sem forma.

O oitavo ponto é, se parece haver muitas condições adversas,  concentre-se em aplicar diligentemente os três tipos de paciência. Quando as coisas não vão bem com qualquer aspecto de sua prática ou de sua vida, deve-se aplicar apropriadamente o tipo de paciência, ao invés de tentar fugir das circunstâncias.

O primeiro tipo de paciência é a aceitação do sofrimento. Isso significa aceitar a experiência do sofrimento que você está passando, e não tentar fugir dela ou negá-la, mas trabalhar com ela diretamente. O segundo tipo de paciência é a certeza sobre o Dharma. Isso significa ser paciente com a profundidade do Dharma, que pode não ser muito fácil de entender, e ser paciente com o processo de crescimento para compreendê-lo. O terceiro tipo é, literalmente, "a paciência que não pensa absolutamente em nada", significa, a paciência de não tornar as coisas como sendo algo relevante . Refere-se a situações em que alguém é agressivo com você, significa não reagir por intrigas; não pensar, "Fulano de tal fez (ou disse) isso, o que devo fazer (ou dizer) de volta?" e não trabalhar as estratégias e manobras complicadas, mas só pensar: "Bem, não é grande coisa, eu não tenho que fazer nada sobre isso”.

O nono ponto é, se você tem um grande apego e fixação em alguma coisa, então com força ou violência reverter esse apego. Isso significa concentrar-se em transcender qualquer forma particular de apego que atormentam a maioria. No caso, um professor Kadampa do passado, por exemplo, houve um momento em que alguém chegou pedindo a comida dele, claro que a comida significava farinha de cevada torrada ou tsampa. Ele não tinha muito tsampa, e foi originalmente dando a essa pessoa um punhado, porque quando olhou para o que tinha, pensou que era tudo o que poderia poupar. Percebeu, ao medi-lo daquele jeito, que estava muito ligado a este alimento, então deu tudo ao mendigo o que tinha, apenas para ser capaz de cortar através dessa avareza.

Finalmente, se você achar que não tem muita bondade e compaixão, então concentre-se em desenvolver a bodhicitta. Você deve considerar cuidadosamente os benefícios da bodhicitta, uma vez que é a única causa possível do estado de Buda, e os defeitos de não possuir a bodhicitta, pois sem ela não há nenhuma possibilidade de despertar. Portanto, considere a necessidade de se engajar no processo de desenvolvimento da bondade amorosa e compaixão. Motive-se a si mesmo e analise a situação. Compreenda que não importa como possa parecer, a raiz de todo o sofrimento é na realidade o desejo de realizar em benefício próprio os nossos próprios objetivos, e a raiz de toda a felicidade é a renúncia dessa preocupação, diz respeito ao desejo de realizar em benefício dos outros. Tendo compreendido essas coisas como elas são explicadas nos textos Mahayana, deve cultivá-las da melhor maneira possível.

Estas são as dez coisas a serem feitas de forma diligente, ou dez coisas para enfatizar em situações específicas. 

12/03/2017 - As Dez Coisas para se Persistir Play Download

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11. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 9 - As Dez Exortações

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A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ EXORTAÇÕES - Capítulo 9 

O texto

Essas são as dez exortações:

1.  A reflexão sobre a dificuldade de obter as liberdades e aquisições é uma exortação à prática do Dharma.

2. A reflexão sobre a impermanência e a morte é uma exortação à pratica da virtude.

3. A reflexão sobre a infalibilidade da lei da causalidade é uma exortação ao abandono dos atos nocivos.

4. A reflexão sobre os defeitos do samsara é uma exortação a se atingir a liberação.

5. A reflexão sobre o sofrimento dos seres sencientes presos ao samsara é uma exortação ao cultivo da mente do despertar (bodhicitta).

6. A reflexão sobre a confusão inequívoca dos seres sencientes é uma exortação à prática da escuta dos ensinamentos e a à reflexão sobre o seu sentido.

7. A reflexão sobre a dificuldade de abandonar os hábitos que mantém os seres na ilusão é uma exortação à prática da meditação.

8. A reflexão de que nesta época degenerada as emoções perturbadoras são muito fortes é uma exortação ao emprego dos antídotos.

9. A reflexão de que nesta época degenerada as circunstancias adversas são uma exortação à paciência.

10. A reflexão de que se pode desperdiçar a vida em várias distrações é uma exortação a diligencia 

Essas são as dez exortações.

AS DEZ EXORTAÇÕES – COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

Em seguida, vêm as dez exortações. A primeira delas é, pensando na dificuldade de obter a liberdade e os recursos da existência humana preciosa, exorta-se para a prática do Dharma sagrado. Considere-se que a única base possível para a realização da existência humana preciosa é ter acumulado uma quantidade inconcebível de mérito sobre um período longo inconcebível de tempo, e por isso é muito, muito duro alcançá-la, e muito improvável que pudéssemos alcançá-la sem o esforço intencional através do cultivo da virtude. Consideração esta nos exorta à prática de Dharma.

Em segundo lugar, pensando em morte e impermanência, exorta-se a praticar a virtude. Considere, ainda, que esta existência humana preciosa que possuímos agora, que é tão rara não dura muito tempo, portanto, não há tempo a perder. Se quisermos fazer uso dela e se quisermos obter  novamente, devemos praticar a virtude tanto quanto possível. Estas considerações levam a realmente se envolver na prática.

Em terceiro lugar, pensando na infalibilidade dos resultados das ações, exorta-se a abandonar as transgressões. Uma ação negativa não só causa dano aos outros, mas também a si mesma, porque produz um resultado desagradável na experiência futura do executor da ação. E uma ação virtuosa não só ajuda os outros, mas vai certamente ajudá-lo no futuro. Se considerar e tiver confiança nisso, naturalmente irá evitar tudo o que é nocivo. 

Em quarto lugar, considerando-se os defeitos do samsara, exorta-se para a atingir a liberação. Lembre-se que não importa em qual dos seis estados de existência que tenha nascido, é uma experiência inteiramente composta dos três tipos de sofrimento. Pensando realmente sobre o quão ruim é o samsara, você naturalmente irá desenvolver a motivação para ser liberado daquele estado de existência, e você vai realmente se envolver nos métodos que levam à libertação.

Em quinto lugar, pensando que você não está sozinho em seu sofrimento, que todos os seres sencientes dentro do samsara passam por um sofrimento terrível, exorta-se a cultivar bodhicitta.

Em sexto lugar, pensando que as atitudes de todos os seres sencientes estão incorretas ou equivocadas, exortam-se a serem diligentes em ouvir e contemplar. Ao reconhecer o fato de que a forma como todos nós vemos a nossa experiência é equivocada ou imprecisa, você reconhece a necessidade de estudar e analisar a informação que é adquirida através do estudo.

Em sétimo lugar, pensando em como é difícil extirpar o hábito de confusão que temos cultivado durante um período de tempo sem começo, exorta-se a praticar a meditação.

Em oitavo lugar, pensando que, nestes tempos degenerados as aflições mentais tornam-se mais e mais fortes, exorta-se a aplicar o remédio ou antídoto específico para cada um.

Em nono lugar, pensando, nesses tempos degenerados em que vivemos, há muitas condições adversas, exorta-se a aplicar a paciência. Diz-se que a paciência é especialmente necessária em tempos ruins ou degenerados porque há tantas condições adversas que aumentam os casos de pessoas que prejudicam os outros. Tê-la em tais circunstancias,  é dito ser a mais importante qualidade no Dharma, portanto, torna-se cada vez mais necessário o cultivo da paciência.

Em décimo lugar, pensando que a constante distração desperdiçará toda a sua vida humana, exorta-se a ser diligente.

Estas são as dez coisas para usar como exortações.

19/03/2017 - As Dez Exortações Play Download

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12. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 10 - Os Dez Riscos

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A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
OS DEZ RISCOS - Capítulo 10 

O texto

Esses são os dez riscos:

1. Se você tem pouca confiança e muito conhecimento, isso é o risco para se tornar um falador.

2. Se você tem muita confiança e pouco conhecimento, isso é o risco de esforço inútil.

3. Se você tiver muita energia e poucas instruções, isso é o risco de defeitos e erros.

4. Se você não eliminou previamente seus equívocos através da escuta e da contemplação, isso é o risco da meditação sobre a escuridão mental.

5. Se uma nova instrução não é colocada em prática, isso é o risco de se tornar um estudioso do Dharma fatigado.

6. Se sua mente não estiver treinada no método - grande compaixão - isso é o risco para o caminho do veiculo menor.

7. Se sua mente não estiver treinada no conhecimento - vacuidade - isso é o risco no caminho do samsara.

8. Se os oito dharmas mundanos não são superados, isso é o risco de que qualquer coisa que você faça se torne um ornamento mundano.

9. Se aldeões tem muita confiança e interesse em você, isso é o risco de ter que agradar pessoas comuns.

10. Se você tem grandes qualidades e poder, mas uma mente instável, isso é o risco de se tornar um artista de rituais da vila.

Esses são os dez desvios.

OS DEZ DESVIOS - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

Em seguida, estão os dez desvios.

O primeiro deles é que, se você tem pouca confiança, mas é muito intelectual, arrisca-se a se tornar um grande falador. Se entender o Dharma intelectualmente, mas não tiver muita fé, você não vai praticá-lo realmente, e, consequentemente, o seu entendimento se tornará um mero aglomerado de palavras.

O segundo risco é que se, por outro lado, você tiver uma grande quantidade de fé, mas não tiver muita compreensão, então vai se arriscar a conceber tudo de forma literal e, assim, avançar cegamente, ou esforçar-se com intensidade sem saber o que está fazendo. Isto significa que você não terá nenhum reconhecimento do significado do que está praticando, e, assim, não será realmente capaz de atingir a liberação que a prática poderia proporcionar.

Em terceiro lugar, se tiver muita energia, mas lhe faltarem instruções, corre o risco de fazer as práticas com defeitos e erros. Você pode ser muito diligente na sua prática, mas não receber instruções de professores qualificados, que incluem conselhos como: "quando isto é feito, isso pode acontecer, e se aquilo acontecer, então você deve fazer tal coisa; se esta experiência surge, então não se preocupe, só significa que você deve proceder de maneira tal", e assim por diante. Se não tiver tais instruções, vai ser enganado por suas próprias experiências, e desviar-se para o engano e a ruína.

Em quarto lugar, se você previamente não cortar os equívocos através do estudo e análise, ou escuta e contemplação, consequentemente a prática de meditação será simplesmente o cultivo do estado de escuridão mental ou estupidez. Isto seria como apenas estar sentado e tentando não pensar, apenas se fechando e se isolando.

Em quinto lugar, se você não colocar imediatamente em prática o seu entendimento do Dharma, vai se tornar um estudioso fatigado. Quando você chegar a um entendimento de algo ou receber algumas instruções práticas, se não as utilizar imediatamente, o desejo de usá-las se torna cada vez menor ao longo do tempo. Você se torna mais e mais cansado e começa a pensar menos e menos no valor do Dharma e das instruções que recebeu. Você continua a receber mais e mais instruções e adquirindo mais e mais conhecimento ou informação, mas permanece apenas como informação, e tem cada vez menos vontade de praticar. Por outro lado, se imediatamente põe em prática as instruções que recebe, o seu desejo de praticá-las aumenta. Quanto mais prática você fizer, mais o seu respeito pelas instruções e a compreensão do seu verdadeiro valor irá aumentar.

Sexto, se você não treinar no aspecto do método, cultivando a compaixão, então, ao se preocupar apenas com seu próprio benefício e com sua própria libertação, há o risco de se desviar para o veículo menor. Isto significa que se não gerar uma intenção pura por ter compaixão e genuíno interesse em benefício dos outros, não importa que prática esteja fazendo, ela ainda será do veículo inferior, uma vez que é a motivação que as distingue. Mesmo que se esteja praticando o mantra secreto, que é certamente o veículo maior, fazendo pujas, visualizando divindades, recitando mantras, e assim por diante, se não tem compaixão, então não é realmente o mantra secreto. Essa situação se parece um pouco com a de alguém que tem uma arma muito poderosa que poderia disparar uma bala com muita precisão a longa distância, mas dispara apontando para o chão. Assim, é essencial ter o compromisso e compreender a importância de enfatizar o benefício de outras pessoas na sua motivação para a prática.

Em sétimo lugar, se não treinar sua mente no aspecto do conhecimento, que é a compreensão correta da vacuidade, o que quer você pratique será simplesmente o cultivo de mais samsara. Se não chegar a um entendimento da vacuidade, então o que você fizer terá a marca do apego e uma crença persistente em sua própria existência inerente como sua motivação básica ou ponto de partida. Com isso como base, não importa o que você pratique, se é o mantra secreto mais profundo ou qualquer outra coisa, isso só vai aumentar o cultivo do ego.

Em oitavo lugar, se você não transcender ou derrotar os oito dharmas mundanos, qualquer prática será apenas um ornamento mundano. Se a motivação para a sua prática é o desejo de adquirir bens, fama, respeito e serviço, e o medo que estes possam diminuir, então a prática do Dharma irá conduzir a uma ligeira obtenção de tais coisas, tal como um belo ornamento sem significado, que não leva a nada.

Em nono lugar, se as pessoas em aldeias ficam muito interessadas e tem muita fé em você, pode se desviar e tornar-se alguém que só atende aos desejos das outras pessoas. Este ponto é expresso em termos de uma situação que pode surgir no Tibete: se você é um praticante e deixar moradores ter muita fé e interesse em você, só vai se tornar um escravo da popularidade. Isto significa que se você atender demasiadamente as solicitações de outras pessoas, é onde sua mente estará, e sua prática vai degenerar em simplesmente tentar agradá-los.

Em décimo lugar, se tiver gerado algumas qualidades e poderes pessoais através de sua prática, mas a sua mente não se estabilizou – ter adquirido algumas qualidades em sua prática, mas não as ter estabilizado ou maturado, permitindo permanecer na solidão, concentrando-se em apenas praticar, – então pode se tornar alguém que vagueia em torno das aldeias fazendo pequenos pujas para agradar as pessoas e adquirir oferendas.

Estes são os dez tipos de desvios.

26/03/2017 - Os Dez Riscos Play Download

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13. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 11 - As dez confusões de uma coisa por outra

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A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ CONFUSÕS DE UMA COISA POR OUTRA - Capítulo 11 

O texto

Essas são as dez confusões de uma coisa por outra.

1. Pode haver confusão entre fé e desejo.

2. Pode haver confusão entre amor-bondade e apego.

3. Pode haver confusão entre a essência da vacuidade e a vacuidade que é conceitualizada pelo intelecto.

4. Pode haver confusão entre dharmadhatu e a visão nihilista.

5. Pode haver confusão entre simples experiência e realização.

6. Pode haver confusão entre praticantes que são realizados e aqueles com experiência relativa.

7. Pode haver confusão entre praticantes virtuosos e impostores.

8. Pode haver confusão entre sidhas e charlatões.

9. Pode haver confusão em beneficiar os outros e beneficiar a si próprio.

10. Pode haver confusão entre professores qualificados e enganadores.

AS DEZ CONFUSÕES DE UMA COISA COM OUTRA - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

O Próximo capitulo são relacionados às dez situações em que se pode confundir uma coisa com outra. Refere-se a dez situações em que duas atitudes podem ser similares em aparência, mas são muito diferentes em seu efeito e natureza, e, portanto, podem facilmente ser confundidas uma pela outra.

A primeira delas é que é possível confundir a fé e o desejo. Quando você tem fé em alguém, isso é bom, é prazeroso. Quando você está pessoalmente ligado a alguém, você também se sente bem. É possível confundir uma coisa pela outra na sua atitude com seus professores. A fé nos professores é a valorização do fato de que através de sua realização, compreensão e compaixão, ensinam o caminho que conduz à liberação e onisciência. É um interesse neles e no que eles ensinam, um respeito por eles e pelo método.

Por outro lado, o apego, o desejo, ou a fixação pessoal pelos professores acontece por se estar atraído por eles e se ter prazer por sua raça, sua aparência, pelo fato de que eles podem ser jovens, ou algo efêmero ou superficial em sua personalidade.

Em segundo lugar, é possível confundir apego por bondade genuína e compaixão. Amor e compaixão se distinguem de apego quando são igualmente aplicados aos seus amigos e seus inimigos. O amor genuíno e compaixão não fazem distinção com base na sua relação com o objeto de compaixão. Eles são o desejo de que todos os seres sencientes, sem exceção tenham a felicidade e as causas da felicidade, e o desejo de que todos os seres sencientes, sem exceção, sejam livres do sofrimento e das causas do sofrimento. A tônica dessas duas atitudes é que não há nenhuma esperança envolvida de qualquer natureza de retorno ou qualquer tipo de satisfação pessoal como resultado da felicidade dos outros.

No caso do apego por alguém, você deseja o bem a essa pessoa, mas ele está baseado em uma identificação com ele ou ela como "meu amigo, meu filho, minha filha". Essa identificação e sentimento de propriedade ou de territorialidade estão relacionados com querer algum tipo de retorno. Você desfruta da felicidade dessa pessoa por ter uma identificação com ele ou ela, e, portanto, em essência, é apenas o desejo para seu próprio benefício. Tal apego pode muito facilmente se transformar em aversão, raiva e ódio. Esta é a diferença entre a compaixão e o apego.

Terceiro, é possível confundir a natureza vazia de todas as coisas com a vacuidade conceitualmente imputada. Isto é, podemos confundir a vacuidade genuína com uma ideia de vacuidade. A vacuidade genuína, a verdadeira natureza de todas as coisas, está além de qualquer tipo de elaboração, significa que está além de qualquer tipo de descrição ou apreciação conceitual. Ela não pode ser encontrada através do pensamento. Portanto, quando pensamos sobre a vacuidade e geramos um conceito ou ideia sobre isso, tudo o que podemos fazer é negar aspectos da nossa experiência e chamar essa negação de vacuidade. Não há nenhuma experiência direta da vacuidade em tal raciocínio. Raciocínio pode ser útil, mas não pode levar a uma experiência direta da própria natureza. Ele só pode conduzir à negação parcial de conceitos errôneos. A vacuidade verdadeira transcende não só a existência ou a afirmação da existência, mas também a não existência ou negação da existência. A vacuidade é inconcebível e, portanto, deve-se distinguir de uma ideia conceptual dela.

Em quarto lugar, é possível confundir o domínio dos fenômenos, o dharmadhatu, e a visão niilista. Porque o dharmadhatu é a natureza de todas as coisas, ele transcende o fato de ser uma coisa interdependente. Não é ocasionado por causas e condições. Não é um produto e não é um fenômeno composto. Isto é muito diferente da visão de que não há interdependência e, portanto, nenhuma continuação dos resultados produzidos por nossas ações presentes e passadas. É possível confundir estes dois. Algumas vezes, quando a natureza do dharmadhatu é apresentada, o entendimento parcial dessa natureza pode levar ao equívoco de que não há algo como karma.

Houve uma vez um mestre eminente, um nascimento anterior do Dodrupchen Rinpoche, que deu um ensinamento no qual expôs sobre o dharmadhatu. Um dos monges presentes entendeu mal a visão do dharmadhatu e pensou que isso significava que não havia resultados das ações e que era permitido fazer qualquer coisa. Ele saiu e matou uma cabra. Então Dodrupchen Rinpoche perguntou-lhe: "Você é uma pessoa do Dharma e um monge, como você poderia matar uma cabra?" Ele respondeu: "Você disse que eu não existo, a cabra não existe, e o ato de matar não existe. Portanto, pensei que não haveria nenhum problema." Dodrupchen Rinpoche estava tão angustiado pelo fato do seu ensinamento ter levado a tal mal-entendido que ele entrou em retiro e não ensinou durante anos.

Quinta estancia, é possível confundir experiência e realização. Uma variedade de experiências pode surgir durante a sua prática. São indícios de que a prática é bem sucedida e está surtindo algum efeito sobre você. Tais experiências, tais indicações ou sinais são bastante diferentes da realização. As experiências por sua própria natureza decaem e desaparecem, enquanto que a realização não se desfaz e não pode desaparecer. Se você se fixar em uma experiência e direcionar sua prática em direção a ela, quando a experiência desaparecer você vai ficar sem nada, e certamente sem nenhuma realização.

É muito comum que as pessoas confundam estes dois. A diferença é extrema porque na realização todos os defeitos foram abandonados e o poder da sabedoria expandiu-se ou floresceu. É bastante comum para pessoas que têm algumas experiências durante a prática, assumir que atingiram realização. Eles assumem que são siddhas, e, portanto, se envolvem em condutas que eles ouviram que são apropriadas para siddhas. Então, é claro, quando eles morrem, vão para os reinos inferiores.

Em sexto lugar, é possível confundir um bom monge ou monja por um falso. Bons monges e monjas abandonam o que é prejudicial para si e para os outros, e cultivam o modo de conduta prescrito no Vinaya ou disciplina. A maneira como monges devem aparecer também é determinado: há determinadas vestes que são usadas de maneira particular, certas cores, certos implementos que são mantidos, certas coisas que são abandonadas, e assim por diante. Isto é muito detalhado, e um bom monge ou monja manterá tudo isso. Um falso pareceria o mesmo por fora, usando as mesmas vestes, e pareceria exatamente igual na conduta, se você apenas olhasse para ele ou ela. A diferença é que um bom monge ou monja se comporta da mesma maneira se alguém está ou não olhando. Ele ou ela é o mesmo em público ou privado. Um falso é sempre muito bom quando os outros estão olhando, mas quando ninguém está olhando, não é tão bom.

Sétimo, é possível confundir alguém que, tendo realizado manifestadamente a natureza de todas as coisas, erradicou toda confusão, com alguém que foi levado por Mara e enlouqueceu. Quando as pessoas realmente perceberam diretamente a natureza de todas as coisas, finalmente, elas não têm medo. Não têm medo de nada. Não têm nenhuma hesitação. Não têm necessidades pessoais; não se preocupam absolutamente consigo. Portanto, a maneira como eles podem agir é bastante incerto. Nós não podemos dizer que eles vão agir de uma forma ou de outra. Por outro lado, a forma de agir de alguém que ficou louco porque algo deu errado em sua prática poderá ser igualmente incerta. Não se pode realmente dizer a diferença do nosso ponto de vista.

Oitavo, é possível confundir um siddha e um charlatão. Tendo realizado completamente a natureza de todas as coisas e purificado todas as contaminações, os siddhas fazem uma variedade de coisas para o benefício dos seres sencientes. Por exemplo, eles podem fazer previsões. Siddhas podem dizer que daqui a vinte anos tal e tal coisa vai acontecer. As pessoas acham que as ações dos siddhas são bastante úteis e agradáveis; é útil saber dessas coisas. Por conseguinte, há também charlatães que, vendo que as pessoas acham os siddhas muito atraentes, fingem ser siddhas e fazem previsões - dizendo o que vai acontecer daqui a vinte anos, e que no passado certas coisas aconteceram e assim por diante, a fim de ganhar louvor e ficar ricos. Assim, é possível confundir siddhas e charlatães.

Nono, é possível confundir alguém que está envolvido em benefício de outros com alguém que está envolvido em seu próprio benefício. Bodhisattvas e iogues realizados irão fazer tudo o que puderem para beneficiar os seres sencientes com o seu corpo, fala e mente. Eles produzem um grande número de benefícios, e dedicam todo o mérito acumulado do bem que fazem a todos os seres sencientes. Eles não têm nenhuma esperança de qualquer tipo de resultado ou ganho pessoal através do bem que fazem.

Por outro lado, há pessoas que fazem uma quantidade de boas ações com o fim de atrair seguidores, ganhar riqueza e poder. Por exemplo, houve uma vez um lama tibetano que foi para Ladakh. Ele não era muito conhecido, então não tinha muitos seguidores e não recebeu muitas oferendas. Quaisquer que tenham sido as oferendas que recebeu, as usou para oferecer lamparinas e fazer oferendas de festim e assim por diante, com o proposito de acumular mérito. Quando as pessoas ouviram falar sobre isso, ficaram muito impressionadas com ele, a coisa era evidentemente real, então começaram a fazer um monte de oferendas para ele. Uma grande quantidade de pessoas reunidas em torno dele, uma cidade inteira de alunos. Desta forma, acumulou muito dinheiro a ponto de ir direto de volta ao Tibet. Foi um investimento calculado ao fazer pequenas oferendas iniciais. Ele sabia o que estava fazendo, que tudo o que oferecia estava indo para o campo de méritos, as pessoas poderiam oferecer muito mais, ele poderia simplesmente pegar o dinheiro.

Décimo, é possível confundir um professor habilidoso com um enganador ou professor desonesto. Professores hábeis fazem o que podem e dizem o que é necessário para possibilitar que as pessoas entrem na prática do Dharma e para ajudar seus alunos a evitar dificuldades e obstáculos desnecessários. Um professor que faz isso é um professor muito útil e excelente. Professores genuínos desse tipo não têm nenhuma preocupação com qualquer tipo de benefício que virá para eles. Eles não têm fixação sobre o que acontece e não há expectativa no que diz respeito à atitude dos seus alunos em relação a eles.

Por outro lado, há pessoas que agem de maneira um tanto similares, pelo menos na aparência, mas escondem seus próprios defeitos e fingem ter qualidades que eles realmente não possuem. Usando desse engodo, eles manipulam as pessoas para realizar algum tipo de intenção própria, tais como a aquisição de riqueza ou seguidores, ou ambos. É possível confundir estes dois tipos de professores.

Estas são as dez situações em que duas coisas têm a mesma aparência em primeiro lugar, mas não são, de fato, o mesmo.

18/06/2017 - As Dez Confusões de Uma Coisa por Outra Play Download

Ensinamentos em Audio sobre Gampopa e sua obra: clique aqui

14. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 12 - As dez coisas infalíveis

gampopaAS INSTRUÇÕES DE GAMPOPA
A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS INFALÍVEIS - Capítulo 12 

25/06/2017 - As Dez Coisas Infalíveis Play Download

Ensinamentos em Audio sobre Gampopa e sua obra: clique aqui

A Vida do Buda

Com Lama Drime

Lama Drime3Nesses dois dias vamos fazer uma imersão nos diversos textos que relatam a vida do Buda Shakyamuni. Vamos procurar conhecer melhor o contexto de sua vinda ao mundo : o tempo, o lugar as culturas a espiritualidade da época. Seguindo seus passos vamos conhecer sua busca nas tradições existentes, sua renúncia e sua pratica que o conduziu ao Despertar.
Vamos acompanhar sua atividade , seus ensinamentos, discípulos, retiros e viagens pelo vale do Ganges até sua última viagem e o seu paranirvana em Kushinagar.

Data:30/4 e 01/5
Local:
Rua Pedro Morganti, 76 - Vila Mariana/SP
Contribuição: R$ 60,00 para um dia, R$90,00 para os dois dias.
Mais informações: 11 99484 3102 (preto) e 94158 1331 (Chris) ou shangpa.sp@gmail.com 

 

 

Programa

Sábado 30 de Abril de 2016

Período

de   h

à   h

duração

Atividade

1ª sessão. Primeira parte

9:00

10:30

1:30h

Ensinamentos

Pequena pausa

10 :30

11:00





2ª sessão. Segunda parte

11:00

12:30

1:30h

Ensinamentos

Almoço e pausa

12:30

14:00





3ª sessão. Terceira parte

14:00

15:30

1:30h

Ensinamentos

Pequena pausa

15:30

16:00





4ª sessão. Quarta parte

16:00

17:30

1:30h

Ensinamentos

Pausa

17:30

9:00h



Repouso

Domingo, dia 1 de Maio de 2016

Período

de  h

à h

duração

Atividade

1ª sessão. Primeira parte

09:00h

10:30

1:30h

Ensinamentos

Pequena pausa

10:30

11:00





2ª sessão. . Segunda parte

11:00

12:30

1:30h

Ensinamentos

Almoço e pausa

12:30

14:00





3ª sessão. Segunda parte

14:00

15:30

1:30h

Ensinamentos



15:30





 Fim do Retiro

 

 

Ensinamentos sobre o Bardo, com Lama Tartchin

PSSP - Ensinamentos sobre o Bardo

Caros Amigos,

Gostaríamos de convida-los para os Ensinamentos sobre o Bardo (estado intermediário) com o Lama Karma Tartchin, do Centro Karme Thegsum Tcholing (KTT/RJ).

Os ensinamentos sobre os Quatro Bardos são únicos ao budismo tibetano, dentre eles há o bardo que lida com o processo da morte, do morrer e do renascer tal qual experimentado pela mente do indivíduo nesse momento. Lama Tartchin ensinará sobre os 4 Bardos (estados intermediários da vida, do dormir, do samadhi e do morrer), dando ênfase no bardo do morrer, e de como a mais simples das meditações pode ser de importância crucial para a liberação dentro da experiência do Bardo.

O termo bardo significa "período intermediário" em tibetano, neste caso trata-se do período transcorrido entre a morte física e o renascimento. Nos textos budistas, diz-se que os seres humanos têm corpo, fala e mente. O corpo é feito de carne e osso enquanto a mente é a coleção das oito consciências e a fala é uma colaboração do corpo e mente para criação de som para comunicação com os outros.

O corpo e o mecanismo da fala são criados no útero da mãe, se desenvolvem significativamente no nascimento e cessam na morte. A mente, entretanto, não é criada no útero da mãe e não desaparece como o corpo depois da morte. Através de tempos sem começo a mente se manteve habituada a suas tendências kármicas. Através da força de se agarrar a um eu, a mente toma uma forma física no útero da mãe na concepção e este processo é chamado "nome e forma" nos doze elos originação interdependente. "Nome" se refere aos quatro agregados mentais: sensação, identificação, eventos mentais e consciência. "Forma" se refere ao primeiro agregado da forma. Existe, então, a combinação de nome e forma.

Precisamos então praticar a meditação enquanto estamos vivos para sermos capazes de controlar a mente durante o bardo. Tendo cultivado a prática de meditação, podemos entrar em um estado de profunda meditação ou samadhi na hora da morte. Sem essa prática vamos cair em um estado de inconsciência e acordar experimentando várias delusões, que são manifestações de cem deidades pacíficas e iradas em nosso interior. Se reconhecermos a natureza da mente na morte, não vamos ficar com medo quando aparências desconhecidas nos confrontarem, mas vamos saber que a morte se estabeleceu e vamos ser capazes de reconhecer as manifestações da morte. Sem o reconhecimento da morte e das aparências que surgem depois dela, ficaremos assustados e não teremos controle de nossas mentes, que então ficará fora de controle e não pode ser acalmada. 

Ngondro - Preliminares comuns: “Os quatro pensamentos que desviam a mente do Samsara”

Com Lama Drime

Lama Drime3
Introdução
"Quando somos apresentados ao Budismo Tibetano, é como se chegássemos a uma casa com várias portas da frente. Ficamos sem saber por que porta entrar, e também não sabemos o que dizer ou fazer depois que entramos.

O budismo tibetano, com suas muitas práticas, templos coloridos e variadas deidades meditativas, pode, a princípio, parecer confuso para o novo estudante. Mas quando entendemos como as diferentes deidades e práticas se encaixam no conjunto, esse quadro não fica mais tão confuso.

No ocidente, entretanto, o budismo ainda é novo, e as etapas da prática – forma dos estudantes evoluírem de um nível para outro – não é óbvia nem parece lógica em sua aparência externa.

No entanto, tendo uma orientação, é fácil reconhecer os padrões da tradição do Budismo Tibetano e ver como as práticas se encadeiam de uma forma lógica e progressiva. Este entendimento nos dará a confiança para prosseguirmos com a nossa prática e progredirmos no caminho, da mesma forma que o fizeram os praticantes do passado."

Lama Kathy Wesley

 

 

Para isso é importante estabelecermos a motivação correta, compreendendo que o propósito de praticar é despertar a Natureza de Buddha, se conscientizando que temos uma Existência Humana Preciosa como um suporte adequado, e uma condição extremamente favorável quando encontramos um Amigo Espiritual.

Preliminares comuns são meditações contemplativas sobre a preciosidade da existência humana, a impermanência de toda a existência, a verdade do karma e a insatisfatoriedade da vida samsárica, confusa. Quando estas contemplações tiverem sido feitas de maneira satisfatória, a mente da pessoa estará voltada firmemente para o Dharma, e ela estará pronta para começar com os fundamentos extraordinários.

Como esses Ensinamentos são essenciais e profundos que nos levam a entrar pela porta correta do Dharma, sem erro, vamos dividi-lo em 2 partes;

Nesse primeiro retiro vamos aprofundar o estudo;

  • Na Causa: A Mente de Buddha;
  • No Suporte: A Preciosa Existência Humana;
  • Na Condição; O Amigo Espiritual.

A partir dos textos clássicos de Shantideva, Gampopa e Patrul Rimpoche, associado com as instruções de Taranata para a meditação sobre esses temas..

Dia 25 - sábado: 08h30 as 18h00
Dia 26 - domingo: 08h30 as 13h00
Endereço - Rua Pedro Morganti, 76 - Vila Mariana - UNIPAZ
Contribuição: R$ 50,00 para um dia, R$ 80,00 para os dois dias
Fone: 11 99484 3102 (preto) ou shangpa.sp@gmail.com

 

 Programa do Retiro

Sábado, 25 de junho de 2016

Período

de   

até   

duração

Atividade

1ª sessão : meditação

8:30

9:00

30 min

Meditação inicial

Café da manhã e pausa

9:00

9:30

30 min



2ª sessão. Primeira parte

9:30

11:00

1:30h

Apresentação geral do retiro

A causa primeira: A Mente de Buddha

Pequena pausa

11 :00

11:20





2ª sessão. Segunda parte

11:20

13:00

1:40h

A causa primeira: A Mente de Buddha

Almoço e pausa

13:00

14:30





3ª sessão. Primeira parte

14:30

16:00

1:30h

O Suporte :  A Preciosa Existência Humana

Pequena pausa

16:00

16:20





3ª sessão. Segunda parte

16:20

18:00

1:40h

O Suporte :  A Preciosa Existência Humana

Descanso

18:00







 

Domingo, 26 de março de 2016

Período

de   h

à   h

duração

Atividade

1ª sessão : meditação

8;30

9:00

30 min

Meditação inicial

Café da manhã e pausa

9:00

9:30





2ª sessão. Primeira parte

9:30

11:00

1:30h

A Condição : O Amigo Virtuoso

Pequena pausa

11 :00

11:30





2ª sessão. Segunda parte

11:30

13:00

1:30h

A Condição : O Amigo Virtuoso



13:00

13:30

00:30h

Encerramento

Almoço

13:30







 

 

 

Retiro - O Ornamento da Preciosa Liberação

Com Lama Wangdu

Lama Wangdu KPGNesse retiro teremos a oportunidade de estudar o texto lamrin O Ornamento da Preciosa Liberação, a jóia que realiza todas as aspirações dos ensinamentos sagrados do grande mestre tibetano do século XI, Sonam Rinchen, conhecido como Gampopa, detentor da linhagem Kagyu. Trata-se de um material de referência para aqueles que desejam conhecer os ensinamentos do Senhor Buda de forma sistemática. Nas palavras de S.S. Dalai Lama: "esse texto é um excelente trabalho que reflete a síntese de dois sistemas de ensinamentos – o ensinamento tradicional Kadampa e o ensinamento tradicional do Mahamudra". Durante o retiro conheceremos um pouco mais da biografia desse mestre realizado e realizaremos práticas meditativas associadas aos ensinamentos que serão apresentados.

O material encontra-se disponível no site do KPG para dowload gratuito.

Esperamos que essa seja uma oportunidade para melhor compreensão dos ensinamentos budistas e seja útil para aqueles que desejam progredir na Via do Despertar.

Local:Rua Pedro Morganti, 76 - Vila Mariana/SP
Contribuição: R$ 220 para o retiro completo; R$90,00 para um dia
Mais informações: shangpa.sp@gmail.com

Programação

Retiro Gampopa PSSP programa

 

Inscrições

 

 

Tara Verde – Iniciação, Autorização e Comentários da Prática (WANG, LUNG E TRI)

INICIAÇÃO DE TARA VERDE

Cartaz Tara Verde PSSP

Tara (em sânscrito Tārā para os tibetanos, Drolma ou Jetsün Dólmã, "Salvadora") é uma deidade feminina do budismo Vajrayana.
Tara é a mãe da compaixão, o aspecto feminino do bodhisattva Avalokiteśvara, indissociável do estado desperto iluminado, Buda.
Tara é a grande Bodhisattva que sempre se apresenta em uma forma feminina. Há duas historias de sua origem;

A princesa Yeshe Dawa

Conta-se que a princesa Yeshe Dawa, "Lua de Sabedoria", que recebeu ensinamentos de um Buda, acumulou méritos e sabedoria, tendo sido aconselhada a rezar por um renascimento masculino, pois, como homem, alcançaria a iluminação espiritual. A Princesa não aceitou os conselhos e fez o compromisso de sempre renascer em forma feminina, como mulher.

A outra história contada que Tara é uma emanação de Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão. Uma vez, quando Chenrezig estava muito emocionado pelos sofrimentos de todos os seres sencientes, ele derramou duas lágrimas. A lágrima de seu olho direito se transformou na forma na Bodhisattva Tara Verde e a lágrima de seu olho esquerdo se transformou na forma da Bodhisattva Tara branca.

Tara, a Nobre Tara, a Salvadora ou Liberadora, Protetora, rápida, que elimina os oito medos.

Tara Verde é representada sentada sobre uma flor de lótus emergindo de um lago, veste roupas de realeza, com diversas cores e uma blusa ornamentada com joias, mas que não cobrem seus seios. Na cabeça há uma tiara com joias e um rubi ao centro simbolizando Amitabha, seu pai espiritual da família Búdica do lótus. Cada mão mostra um mudra e possui o talo de uma flor de lótus com uma flor aberta e dois botões, indicando o alcance de sua atividade em todos os tempos. A perna esquerda está encolhida, indicando sua renúncia às paixões mundanas, mas a perna direita se estende e sai da flor, indicando sua presteza para acudir e ajudar todos os seres.
Seu mudra da mão direita é o de "dar-oferecer", indicando sua habilidade para oferecer a todos os seres o que necessitam, enquanto a mão esquerda, na altura de seu coração, faz o mudra de "oferecer refúgio".

Quando Buda ensinou o tantra raiz associado com Tara, ele elogiou:
"Tara é ela que liberta e protege os seres de todos os medos e sofrimentos possíveis que eles podem encontrar, Tara é ela que fecha as portas para os reinos inferiores de existência, Tara é ela.. que leva-los no caminho para os estados mais elevados de ser."

Junte-se a nós para esta oportunidade especial, aproximar-se da Liberadora Tara Verde. O Lama Tartchin nos concederá a Iniciação de Tara Verde, nos capacitando a meditar, aprofundando a ligação com a mente Iluminada de Tara, receber suas bênçãos poderosas, despertando o nosso próprio potencial para a bondade e liberdade do medo.

No final de semana dos dias 27 e 28 de fevereiro, Lama Tartchin dará a iniciação (Wang), transmissão oral (Lung) e explicação (Tri) de como fazer a prática de Tara Verde.

  • Dia 27 - sábado: comentário, explicação da prática e transmissão oral.
  • Dia 28 - domingo: Continuação dos comentários e transmissão oral e a tarde a Iniciação.
  • Contribuição: R$ 80,00 para um dia, R$ 140,00 para os dois dias - Pré-requisito: ter refúgio para a iniciação. Para àqueles que queiram tomar os votos refúgio para ter a iniciação de Tara Verde, confirmem através da ficha de inscrição.
  • Sadhanas : Pedimos a gentileza de nos informar no momento da inscrição àqueles que necessitarão da sádhana (haverá a necessidade do texto de pratica, para acompanhar os ensinamentos).

Mais informações: 11 99484 3102 (preto) e 94158 1331 (Chris) ou shangpa.sp@gmail.com