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	<title>sudamar &#8211; Kagyu Pende Gyamtso</title>
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	<description>Centro Budista Tibetano</description>
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	<title>sudamar &#8211; Kagyu Pende Gyamtso</title>
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		<title>A Preciosa Guirlanda 06 &#8211; Cap 5 As Dez Coisas A Não Abandonar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sudamar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2017 02:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gampopa - A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo]]></category>
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					<description><![CDATA[1. Sendo a compaixão a raiz da realização do bem alheio, não abandone. 2. Sendo as aparências, a irradiação da própria mente, não as abandone; 3. Sendo os pensamentos, o jogo da vacuidade (dharmata), não as abandone. 4. Sendo as emoções perturbadoras a revelação da sabedoria, não as abandone. 5. &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//soundcloud.com/sanghakpg/a-preciosa-guirlanda-do-caminho-supremo-7?in=sanghakpg/sets/gampopa-a-preciosa-guirlanda-do-caminho-supremo&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=false" width="100%" height="auto" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p>1. Sendo a compaixão a raiz da realização do bem alheio, não abandone.</p>
<p>2. Sendo as aparências, a irradiação da própria mente, não as abandone;</p>
<p>3. Sendo os pensamentos, o jogo da vacuidade (dharmata), não as abandone.</p>
<p>4. Sendo as emoções perturbadoras a revelação da sabedoria, não as abandone.</p>
<p>5. Sendo os objetos de desejo, o adubo das experiências e da realização, não as abandone.</p>
<p>6. Sendo os sofrimentos e as doenças um mestre espiritual, não os abandone.</p>
<p>7. Sendo os inimigos e os obstáculos uma incitação ao reconhecimento da verdadeira natureza dos fenômenos (dharmata), não os abandone. Se desaparecerem espontaneamente, isto é realização. Não os rejeite.</p>
<p>8. Sendo o caminho do método o que conduz ao conhecimento transcendente, não o abandone.</p>
<p>9. Não abandone a atividade física que pode ser colocada a serviço do dharma.</p>
<p>A nona coisa que não deve ser abandonada é as diferentes práticas que envolvem atividades físicas, por que elas são práticas genuínas que amadurecem a mente e são benéficas. Isto significa não abandonar as prosternações, circumbalações, e outras práticas externas do Dharma porque isto realmente nos beneficia; elas realmente trazem resultados.</p>
<p>10. Não abandone a intenção de realizar o bem alheio, mesmo que se disponha de poucos meios.</p>
<h5>AS DEZ COISAS A NÃO ABANDONAR &#8211; COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:</h5>
<p><strong>Em seguida</strong>, as dez coisas para não ser abandonadas. Para começar, por ser a raiz de todos os benefícios que somos capazes de dar aos outros, a compaixão não deve ser abandonada.</p>
<p>A <strong>segunda</strong> coisa que não deve ser abandonada são as aparências. Visto que as aparênciassão a manifestação da natureza da mente, não é necessário abandoná-las. Tilopa apontou isso quando disse: &#8220;Não é pelas aparências que você está acorrentado, mas pela fixação a elas. Então abandone essa fixação.” Não é o que você experimenta que causa confusão, e sim a sua fixação na experiência como sendo algo inerente ao que aparenta ser. Portanto, somente essa fixação precisa ser abandonada, não a experiência em si.</p>
<p>A <strong>terceira</strong> coisa que não deve ser abandonada é o pensamento, porque é o jogo da natureza última ou dharmata. Como é dito na oração linhagem Kagyu, &#8220;A natureza do pensamento é o dharmakaya.&#8221; Se formos capazes de olhar diretamente para a essência do pensamento, então, qualquer pensamento que surja é auto-liberado.Se pudermos colocar isso em prática, não há necessidade tentar remover pensamentos ou abandoná-los de qualquer forma.</p>
<p>A <strong>quarta</strong> coisa que não deve ser abandonada se aplica principalmente àqueles com realização. Aflições mentais são indicações de sabedoria e, portanto, não devem ser abandonadas. A presença em nossa experiência de estupidez, aversão, orgulho, desejo e ciúme indica a presença em nosso contínuo da sabedoria do dharmadhatu, a sabedoria como um espelho, a sabedoria da equanimidade, a sabedoria discriminativa, e a sabedoria da atividade. Visto que as aflições mentais são apenas a manifestação das sabedorias que são a sua própria essência, alguém que tenha realização para experimentar isso diretamente, não precisa abandoná-las.</p>
<p>É importante analisar essa afirmação, pois pode parecer muito estranho. A pouco tempo atrás foi dito que se deve abandonar definitivamente as aflições mentais, e agora é dito que você não tem que abandoná-las. Isso não é uma contradição, mas a demonstração da diferença de maturidade dos praticantes, nos diversos níveis de ensinamentos. A abordagem para iniciantes, em que é preciso abandonar as aflições mentais, é como a necessidade de escadas para aqueles que desejam chegar ao segundo andar; por não terem asas, precisam subir um lance de escadas. O processo de subir escadas é como o processo de subjugar as aflições mentais. Aquele que têm asas, como um pássaro, não precisa usar escadas, pode voar diretamente até o segundo andar. Ter asas corresponde a ter a realização de ser capaz de aplicar a profunda sabedoria do mantra secreto. Assim, esses dois conselhos não são contraditórios, mas são direcionados para indivíduos com diferentes níveis de prática.</p>
<p>O <strong>quinto</strong> ponto nessa seção está na mesma categoria que a quarta. Os objetos de desejo que aparecem através dos cinco sentidos não devem ser abandonados, porque eles são a água e o adubo  da experiência e realização. Para um praticante com alguma realização e experiência mais forte, não há fixação grosseira em sua existência inerente imputada. Não há fixação grosseira à sua suposta existência inerente. Não há um apego grosseiro ao ego e, na ausência disso, não há um sentimento ou conceito inerente de propriedade. Para certos iogues e yoginis não importa quantas coisas o cercam, não importa o quanto de riqueza ou prosperidade eles experimentem, eles não têm um sentimento de identificação de posse dessas coisas. É como se houvesse belos animais selvagens vagueando em torno deles. Se nós vemos os animais selvagens, nós não sentimos: &#8220;Esse é o meu tigre&#8221; ou &#8220;Esse é o meu veado.&#8221; Nós podemos aprecia-los, mas não há nenhum apego a neles.</p>
<p>Por exemplo, quando ofereceram a Jetsun Milarepa alimentos nutritivos e muitos saudáveis, foi de grande benefício para aumentar sua  realização, mas ele não desenvolveu qualquer apego ao gosto dos alimentos. Não era uma questão de saciar  o seu desejo, era uma questão de fortalecer seu corpo. Da mesma forma, os praticantes avançados podem usar comidas e bebidas como substâncias de festa. Existem práticas em que a roupa que vestem é consagrada como a armadura de mantra. Essas práticas são adequadas para praticantes avançados, com alguma experiência direta. É importante entender que as diferentes recomendações desse texto, são oferecidas aos praticantes de diferentes níveis.</p>
<p>A <strong>sexta</strong> coisa que não deve ser abandonada são as doenças, sofrimentos e dores, pois eles são excelentes professores. Quando nos distraímos e nos engajamos em coisas erradas, ou quando simplesmente não estamos atentos, ou quando a renúncia não é algo estável, algumas vezes um pouco de sofrimento pode nos lembrar, direta e efetivamente, do que não deve ser esquecido, o que deve ser renunciado, e o que é realmente  sofrimento. Por exemplo, se experimentamos um pouco de dificuldade física como seres humanos, então devemos considerar o quanto deve ser desagradável renascer nos reinos inferiores, onde o sofrimento é muito pior. Isto deve nos inspirar a tentar não renascer nos reinos inferiores. Então, estas situações difíceis não devem ser evitadas, porque em alguns momentos podem ser de muita ajuda.</p>
<p>De acordo com Shantideva, nossas experiências de sofrimento podem ser benéficas, pois elas nos entristecem, e a tristeza nos traz de volta para nós mesmos e corta o nosso orgulho. Com a perda de nossa arrogância grosseira somos capazes de experimentar compaixão genuína pelos outros. Nós pensamos, “Se estou sofrendo tanto assim, se isto é desagradável, quanto isto pode ser para os outros?” e nós avaliamos o sofrimento dos outros. Isto nos leva a deixar as coisas erradas e o que é prejudicial para nós e para os outros, e nos leva para o que é naturalmente agradável e virtuoso. Então, há algum beneficio nestas experiências.</p>
<p>A <strong>sétima</strong> coisa que não deve ser abandonada são inimigos e obstáculos, pois eles nos incitam a praticar. Do ponto de vista Mahayana, a base para a nossa realização, a realização da natureza última, é cultivar qualidades como a paciência. O único caminho possível para se cultivar a virtude da paciência através de situações em que lidamos com algum infortúnio ou efetiva agressão. Por esta razão, pessoas agressivas conosco são nossos ajudantes na prática, e desde que elas surjam naturalmente, é dito que são incentivos naturais para a prática. Eles são também os incentivadores que nos dirigem para a realização da verdadeira natureza de todas as coisas, que é a budeidade.</p>
<p>No entanto, se os inimigos e os obstáculos desaparecem espontaneamente, é sinal de realização (siddhi) e você não deve rejeitar o resultado. Se situações desagradáveis sumirem, mesmo quando você não faz nenhum esforço para removê-las, você não deve tentar trazê-las de volta.  Se você tem mérito e realização, em muitos momentos isto pode causar situações em que outros são agressivos com você e são pacificados naturalmente. Quando isto acontece, você não deve pensar que algo errado aconteceu. Por exemplo, quando o rei tentou matar Acharya Nagarjuna com uma variedade de espadas cortando seu pescoço, o rei não foi capaz de ferir Nagarjuna porque Nagarjuna não tinha o karma de ser ferido. Do mesmo modo, alguém com realização não encontrará muitos inimigos e obstáculos, e isto é sinal do siddhi; é o sinal de realização. Só porque a presença de inimigos não é  algo necessariamente ruim, a falta de inimigos também não necessariamente o é.</p>
<p>A <strong>oitava</strong> coisa que não deve ser abandonada é o progresso metódico e gradual em seu estudo e prática, pois é isto que nos eleva à altura à compreensão última. Não devemos  pensar que o progresso gradual através dos vários estágios ou veículos de prática deve ser abandonado por parecer não ser o sentido final dos ensinamentos do Buddha. Tal pensamento é incorreto. Todas as grandes escolas e siddhas do passado começaram aprendendo no vários estágios e veículos dos ensinamentos do Buddha, e  a partir destas bases, chegaram finalmente ao conhecimento definitivo associados ao Vajrayana. Para o nosso próprio progresso devemos praticar de uma maneira que irá gradualmente amadurecer nossa compreensão do Dharma. Há muitos estágios para isto e eles devem ser cultivados. Da mesma forma, não devemos abandonar ou rejeitar as várias apresentações do Dharma que são feitas em estilos e níveis diferentes, porque estas são apropriadas para as necessidades e disposições dos diferentes seres.</p>
<p>A <strong>nona</strong> coisa que não deve ser abandonada é as diferentes práticas que envolvem atividades físicas, por que elas são práticas genuínas que amadurecem a mente e são benéficas. Isto significa não abandonar as prosternações, circumbalações, e outras práticas externas do Dharma porque isto realmente nos beneficia; elas realmente trazem resultados.</p>
<p>A <strong>décima</strong> coisa que não deve ser abandonada é a intenção de beneficiar os outros, mesmo quando você não tem muitas habilidades para beneficiá-los neste momento. Frequentemente, quando as pessoas começam a praticar elas pensam, “Qual é o beneficio de dizer, “Estou fazendo esta prática para beneficiar outros. Eu ajudarei outros no futuro dessa ou daquela maneira? Uma vez que, de fato,  não estou fazendo nada que beneficie aos seres neste momento, qual o significado disto? Eu não posso fazer nada para ajudar alguém.”” De fato, há o mesmo potencial para que esta atitude altruística produza resultados concretos, como há na semente para produzir a flor. Se você diz que não há beneficio no altruísmo, é como dizer que a semente não gerará a flor. Como o altruísmo em si não é benéfico para os outros, a semente não é a flor. Uma semente não é mesmo um broto. No entanto, sem a semente não existe a possibilidade de ter broto, folhas e flores; então é importante iniciar com a atitude e intenção pois assim você se tornará de grande, vasto beneficio para outros.</p>
<p>Ao iniciar o caminho ninguém pode realizar os atos grandiosos de um Bodhisatva. Quando Buddha gerou pela primeira vez a intenção de realizar a suprema iluminação ele ainda era incapaz de fazer muito pelas pessoas. Com o correr do tempo, então, ele se tornou extraordinariamente capaz de ajudar outros. Atualmente, as pessoas têm muitas dúvidas a respeito disto. Quando instruções são dadas dessa maneira, como as instruções sobre a boddhicita, as pessoas normalmente  dizem, “Que uso tem isso? Eu não posso fazer nada.” É importante não abandonar o altruísmo somente porque você não percebe sua capacidade de fazer muita coisa agora.</p>
<p>Estas são as dez coisas a que não devem ser abandonadas.</p>
<h5>PERGUNTAS E RESPOSTAS</h5>
<p>P: Eu tenho uma pergunta sobre as formas comuns e incomuns da atenção plena. Será que elas se aplicam quando nós começamos a comer, a cair no sono, ou começamos a andar, ou através do todo processo de caminhar ou comer? Elas estão presentes no inicio ou no contínuo?</p>
<p>R: Se você praticar as formas comuns ou incomuns de desenvolvimento da atenção plena, deve ser o mais contínuo quanto possível. Claro, por se envolver em uma variedade de atividades, não é possível permanecer continuamente absorto em uma determinada contemplação ou em uma meditação particular. No entanto, deve fazê-lo no início de qualquer atividade, e fazê-lo sempre que vem à mente como a atividade continua, se está comendo, andando, ou em qualquer outra atividade. Quanto mais continua melhor. Não é o caso de você simplesmente gerar uma visualização ou contemplação no início, e em seguida, esquecê-la.</p>
<p>P: Eu não tenho certeza se entendo os três tipos de fé. Eu acredito que o primeiro tipo é a fé da clareza e o segunda tipo é a fé do desejo. Isso quer dizer que o desejo de se tornar iluminado, ou há mais do que isso?</p>
<p>R: Sim, está correto. Pode haver alguma confusão sobre o termo &#8220;desejo&#8221;. Esse tipo de fé, a fé do desejo, é reconhecer o valor da obtenção da liberação e onisciência ou estado de Budha. O pensamento: &#8220;Eu realmente quero atingir esse estado, portanto, vou fazer o que for necessário para alcançá-lo&#8221;, é diferente do convencional ou desejo mundano, em que eu quero experiências agradáveis ​​de todos os tipos. A fé do desejo não é com base em um erro ou um equívoco, se baseia no querer aquilo que realmente vale a pena. Embora a forma do pensamento seja em um sentido paralelo ao desejo convencional, o objeto é completamente diferente.</p>
<p>P: “Das dez coisas a serem abandonadas”, a oitava é; abandonando as atividades que causam a perda de fé no Dharma. Você poderia esclarecer a que se refere a nossa própria perda de fé no Dharma ou a perda de fé no Dharma dos outros através de ver nossas ações?</p>
<p>R: O ponto da oitava, das dez coisas a serem abandonadas é abandonar conduta estranha que faz com que outras pessoas tenham desrespeito ao Dharma. Isso pode ocorrer quando você tem algum tipo de experiência na prática que o leva a sentir um desejo a agir de uma forma estranha. Nesse caso, ele irá prejudicá-lo, porque isso será enganoso, e vai prejudicar aos outros. Ou você pode ter algum grau de realização que leva a agir de uma forma estranha. Isso não pode prejudicá-lo, mas pode prejudicar outras pessoas, porque outras pessoas não podem ver a sua realização, elas só podem ver o que você está fazendo. Se você fizer as coisas que parecem estranhas ou impróprias para elas, elas vão assumir que há algo de errado com você, e, uma vez que é suposto ser um praticante exemplar, há algo de errado com as instruções ou o caminho que o levou a se comportar de tal maneira. Você está fazendo com que os seres sencientes tenham desrespeito ao Dharma, que os afasta do Dharma, é uma tremenda fonte de karma ruim para eles. A responsabilidade de alguém com realização é manter e fomentar o Buddha-dharma, para fazer com que floresça e para ser um professor exemplar para os outros. Se agir de tal maneira, na qual não deve ser feito, você não está mantendo suas responsabilidades.</p>
<p>P: Gostaria de saber se você poderia dar alguns exemplos?</p>
<p>R: Eu posso dar um exemplo de mim mesmo. Estou sempre falando sobre como são importantes a bondade amorosa e a compaixão, enquanto estou comendo carne durante todo o dia.</p>
<p>P: Você comentou sobre muitos pontos fortes feitos por Gampopa, nesse texto. Para nós, é possível ou necessário colocar todos esses pontos em prática?</p>
<p>R: Primeiro de tudo, Gampopa dá uma variedade de instruções e gera um grande número de pontos nesse texto, e não se destina apenas a uma pessoa. Ele contém métodos e instruções destinadas a orientar os indivíduos a partir do início do seu caminho até que atinjam o estado de Buda completo. Ele também contém instruções destinadas a diferentes tipos de pessoas. Você tem que fazer a distinção entre estudar o texto e colocá-lo em prática. No contexto do estudo e análise do texto deve ser lido do começo ao fim, em sua totalidade, e chegar a um coeso entendimento definitivo. Por outro lado, quando colocar em prática, você seleciona partes do texto como conselhos pessoais, apropriados à sua situação. No contexto de prática, não é importante passar por todo o texto do começo ao fim e lembrar cada coisa dele.</p>
<p>P: Na primeira estancia, das dez causas de perda, o termo &#8220;sem sentido&#8221; foi utilizado em termos de atividade sem sentido e distrações sem sentido. Isso significa que muitas das coisas que fazemos devem ser evitadas, como assistir TV, ouvir música, ou tirando uma soneca? É isso que é chamado de &#8220;atividade sem sentido&#8221;?</p>
<p>R: De um ponto vista convencional ou mundano, claro, quando você está muito cansado do trabalho e de todos os tipos de atividades que você não tem escolha a realizar, talvez seja necessário para relaxar. Normalmente no mundo, não consideramos isso uma perda de tempo, ver um espetáculo de algum tipo, tirar um cochilo ou simplesmente relaxar. A questão aqui é que não temos muito tempo para praticar, e não queremos desperdiçar o pouco tempo que temos. Tendo-se comprometido a gastar um determinado período de tempo diário praticando o Dharma, em vez disso, usou o tempo para relaxar e se divertir, seria definitivamente uma atividade sem sentido, uma causa de perda ou desperdício.</p>
<p>P: A pergunta que eu tenho diz respeito ao desenvolvimento de coragem e confiança na prática do Dharma em face aos obstáculos. Eu sou um chefe de família com um filho, e trabalhando. Não tenho o habito  de praticar todos os dias. Eu sei que a prática constante é importante. Contemplando os quatro pensamentos como é feito no início de prática do ngondro, sensibilizando-nos para o fato de que essa é uma preciosa vida humana, que tudo é impermanente, que a lei do karma é verdade, e que não devemos nos apegar aos prazeres mundanos. No entanto, continuam sendo impulsionados por padrões habituais, é difícil ter tempo para fazer a prática formal. Qual é a melhor maneira de trabalhar com isso e tornar-se um forte praticante?</p>
<p>R: De uma forma ou de outra, todos tem que lidar com essa situação. A principal coisa em trabalhar com isso é, como disse anteriormente, não deixar ninguém se apossar de sua “corda de nariz”, significa estar no controle de sua própria direção e suas próprias decisões. Alguém que tem uma total convicção sobre os quatro pensamentos que transformam a mente não terá qualquer dificuldade em praticar Dharma. Se você achar que, apesar de compreendê-los, você não consegue praticar porque as coisas sempre ficam no caminho, indica que você não confia neles completamente ou está afligido por medos e esperanças. Embora tenhamos estudado a impermanência e os defeitos do samsara, tendemos, por um longo tempo, a manter interiormente a esperança de que nunca vamos morrer, dando uma sensação de espaço, de tempo de espera para a prática. Apesar de ter estudado os defeitos do samsara, dentro de nós existe a dúvida se realmente é tão ruim assim, e a dúvida faz com que seja fácil adiar a prática. Se alguém tem total convicção sobre a validade dos quatro pensamentos que transformam a mente, ele ou ela não terá qualquer dificuldade em praticar.</p>
<p>O fato de você ter acesso ao Dharma, estando envolvidos em tais práticas, indica que você acumulou muito de mérito no passado, significa também, pela quantidade de méritos, que você pode construir o hábito de praticar o Dharma em relação ao hábito de não praticar. Pensando que o Dharma está em tudo, pensando em outras coisas como nos quatro pensamentos que transformam a mente, pensando &#8220;Eu tenho que encontrar tempo para praticar&#8221;, indica o hábito prévio de prática do Dharma, é algo para dar confiança a si mesmo e pode ser construído.</p>
<p>Quanto à prática, a principal a ser praticada é o ngondro, que chamamos de preliminares. Na verdade, ngondro é um termo equivocado, pois implica em ser um tipo secundário de prática ou preliminar, ou seja, algo que começamos fora do caminho para irmos até a prática real. Normalmente as pessoas têm a ideia que, ao terminarmos o ngondro, vai ser muito melhor, muito mais eficaz, e certamente, muito mais interessante. Mas isso é incorreto, pois os temas trazidos e as técnicas apresentadas no ngondro são a essência de todo o Dharma, não são realmente preliminares. Em particular, a base e a essência de toda a prática do Dharma são o refúgio e a geração de bodhicitta. Bodhicitta é a remoção de obscuridades. Bodhicitta é a realização da iluminação.</p>
<p>As outras práticas mais centrais são; a prática de Vajrasattva que é a remoção de obscuridades, os vários padrões habituais e confusões que impedem a prática do Dharma e são as razões pela qual temos que praticar em primeiro lugar. O acúmulo de mérito através da oferenda de mandala, que leva diretamente para o abandono do apego ao ego, a falsa imputação de um eu inerentemente existente, por isso que se diz que o Dharma é tudo. Finalmente, o guru yoga que é a melhor forma para aperfeiçoar todas as qualidades e remover todos os defeitos. A essência do Dharma é a percepção de que a sua mente, em sua natureza sempre foi e sempre será o próprio Dharmakaya, é o guru ioga que desperta esse tipo de experiência e realização.</p>
<p>Se você entender a eficácia e a profundidade do ngondro terá prazer e respeito, e será capaz de praticá-lo, tanto quanto possível. Agora, se você tem um monte de responsabilidades, por exemplo; o trabalho, uma casa, uma criança para cuidar, e assim por diante, o seu tempo é mais limitado do que a de alguém sem responsabilidades. Mas não importa quantas responsabilidades que venha ter, se você realmente quer praticar, vai definitivamente achar pelo menos algum tempo para isso, e o desejo de prática leva à criação de oportunidades para fazê-lo. Caso contrário, se não houver um desejo forte, intenso para a prática o mais rápido possível, você encontrar-se-á procrastinando. A causa da procrastinação é simplesmente uma falta de motivação, e a maneira de superar o hábito da procrastinação é a própria prática. Quanto mais você praticar, mais você vai querer praticar, e você criará um hábito crescente, que reforça a si mesmo. Assim, a melhor coisa para você fazer é continuar a praticar, seguir em frente, e que em si é a solução para o problema de não ser capaz de praticar. Não há outra solução necessária. Quanto mais você praticar, mais você irá beneficiar não só a si mesmo, mas todo mundo que entra em contato com você, especialmente os seus filhos e aqueles que vivem com você.</p>
<p>P:- Você disse que não devemos abandonar nosso inimigo porque ele deve nos ensinar a paciência. Suponha que um homem tem uma esposa que não o deixa estudar o Budismo ou se associar com lamas e professores, e não deixará que ensine a seus filhos o Budismo porque ela e as pessoas ao seu redor são católicos. Esse homem deve abandonar seu inimigo da mesma forma que os tibetanos deixaram o Tibet após a invasão chinesa, ou deve praticar o Budismo quieto e pacientemente em sua casa e não falar para seus filhos do Budismo até que, talvez no futuro, a chance surja para ele assim o fazer?</p>
<p>R:- Eu não posso afirmar o que tal pessoa deve fazer. Se essa pessoa puder ser paciente com o que sua esposa possa fazer, esta é a melhor coisa, pois a paciência é o caminho mais efetivo para o desenvolvimento de nossas qualidades. Por outro lado, se ele não puder ser paciente com a situação e isto o levar a agressão de sua parte, e o levar a ter problemas, então será difícil dizer que é particularmente bom. Os detalhes específicos desta situação são muito importantes, então eu não posso dizer em geral que ele deve ficar ou deve partir. Isto varia de caso a caso.</p>
<p>De fato, há dois tipos de conselhos neste contexto que entram em jogo aqui e eles podem parecer contraditórios a princípio. Um diz para não abandonar seus inimigos porque ajudam a desenvolver a paciência. O outro diz para abandonar companhias nocivas pois eles obstruem o Dharma. Não é uma contradição. Alguém capaz de ser paciente com a agressão dos outros, especialmente em situações que não é possível evitá-los, pode usar a agressão de outros para promover a prática da paciência. Se a agressão é muito forte para se manter paciente e isso impedir sua prática do Dharma, então é melhor se afastar desta situação.</p>
<p>Quanto à situação dos refugiados tibetanos, durante a invasão muitos saíram para serem capazes de praticar o Dharma em outro lugar, enquanto outros simplesmente fugiram para salvar suas vidas. Em geral, desde essa época, eles se envolveram em atividades correspondentes com as razões de suas vidas. Aqueles que deixaram para praticar o Dharma, praticaram muito o Dharma, e aqueles que saíram simplesmente para sobreviver, fizeram o seu melhor para sobreviver e enriquecer se possível.</p>
<p>Esta é a situação geral. A respeito do que uma pessoa específica deve fazer neste tipo de situação que você descreveu, não posso dizer de antemão.</p>
<p>P:-  O compromisso estável significa que quando estou praticando Hevajra eu não posso mudar para o Kalachakra? Se estou entoando um mantra, quantas vezes devo entoá-lo antes de mudar para outro?</p>
<p>R:- Isto depende de cada indivíduo. Alguém que tem fé ou pleno conhecimento e reconhece que todas as deidades encarnam as qualidades completas e poder de Buddhahood precisa praticar somente uma deidade. Não é um ponto particular importante qual ela é, já que a deidade na qual ela ou ele tem completa confiança. Alguém que não tenha essa compreensão, mas vê coisas num caminho conceitual e pensa que precisa praticar uma deidade para ter riqueza, uma deidade para obter a iluminação, uma deidade para atividade vigorosa, uma deidade para a pacificação, e assim por diante, terá que praticar deidades diferentes para obter os respectivos resultados. Alguém que tenha o profundo conhecimento que elas são todas as mesmas, realizando uma, realiza todas.</p>
<p>P:- Estou fazendo esta pergunta para um amigo que pratica o Budismo da Terra Pura. Ele pergunta se há algum método especial no Vajrayana que leva ao renascimento em Dewatchen, e exatamente quantas vezes devemos entoar um mantra específico para garantir o renascimento em Dewatchen?</p>
<p>R:- Há uma diferença entre o sutra e a apresentação tântrica da prática de Amitabha nos métodos que eles são aplicados. A raiz e a intenção de ambas são as mesmas &#8211; obter renascimento em Dewatchen, a terra pura. A principal diferença é que no contexto da prática sutra consideramos nós mesmos como seres comuns e mantemos nosso conceito comum do corpo, palavra e mente. Reconhecemos a presença de Amitabha no centro do seu reino puro e suplicamos para ele. Isto é algo como se alguém estivesse na prisão suplicando a um indivíduo poderoso de fora para fazer o possível para tirá-lo da prisão. Isto é basicamente a visão sutra.</p>
<p>Na visão tântrica, a súplica para Amitabha é exatamente a mesma, mas em vez de trazer para a mente que Amitabha está em Dewatchen. realmente visualizamos o reino de Dewatchen, incluindo Amitabha, em frente de nós enquanto ele está presente na nossa própria experiência. Também, não nos consideramos sendo comuns, mas consagramos nosso corpo como uma deidade, nossa palavra como mantra, e assim por diante. Seguindo com a analogia acima, é como se para nos livrarmos do nosso aprisionamento, não apelamos apenas para alguém de fora nos livrar da prisão, mas também desenvolvemos o poder em nós mesmos que nos capacita a sair.</p>
<p>A razão para a diferença de aproximação é a visão. Um aspecto da visão Vajrayana é que todos os corpos e reinos dos Buddhas como Amitabha já estão espontaneamente presentes em nossa mente. Podemos experimentá-los externamente apenas por causa da sua presença espontânea dentro de nós, e este tipo de liberação pode ocorrer com a reunião das condições internas e externas. Por exemplo, o sol é algo fisicamente externo a nós, mas para vermos o brilho do sol temos que ter olhos, e nossos olhos tem que estar abertos. Do mesmo modo, a liberação dentro do reino de Sukhavati é considerada do ponto de vista Vajrayana a ser realizado através da interdependência de condições externas e internas. No que diz respeito a recitação de mantras, diferentes mantras e práticas associados com este ciclo. Não seria possível dizer que temos que recitar um número específico para obter o renascimento em Dewatchen.</p>
<p>P:- Como sabemos se somos adequados para a prática Mahayana ou Vajrayana? A prática Vajrayana é muito perigosa? Se quebrarmos os votos cairemos no inferno Vajra.</p>
<p>R:- Em geral, as pessoas se encontram com os professores, que ensinam nos diferentes veículos, de acordo com as suas próprias disposições e na medida do seus próprios méritos. Quanto ao que é adequado aos indivíduos praticarem entre os diversos veículos, devem praticar o que os professores a qual se tornam naturalmente ligados enfatizam, deveriam ensinar o que está em conformidade com a sua própria confiança e visão sobre o Dharma. Isto não é somente verdadeiro com respeito ao Mahayana e Vajrayana, isto é verdadeiro em todos os níveis de Ensinamentos Budistas &#8211; Hinayana, Mahayana, Vajrayana, e assim por diante. Basicamente, você pode praticar o que você quiser, o que surge naturalmente para você, e para onde sua inclinação está voltada. O ponto principal é seu interesse e confiança nos ensinamentos, assim você deve praticar qualquer ensinamento que você tiver a maior confiança.</p>
<p>A respeito do perigo do Vajrayana, é verdade que o Vajrayana tem grande eficácia e pode ser também perigoso. O Vajrayana apresenta um caminho para pessoas com grande conhecimento, que são capazes de serem muito cuidadosas e metódicas em suas práticas. Apresenta um caminho através do qual estas pessoas podem, usando os excelentes métodos do Vajrayana, obter o despertar de muitas maneiras efetivas. É verdade que se alguém não tem esse tipo de conhecimento, não é diligente, e especialmente carece de fé e devoção, ela ou ele poderá violar o samaya, os compromissos do Vajrayana.</p>
<p>Na prática, porém, é preciso fazer uma distinção entre dois tipos de iniciação, uma vez que o samaya ou compromisso da iniciação foram aceitos. Podemos distinguir entre a iniciação que é uma benção e o que é chamado de iniciação último e real. Através da fé e confiança no lama, você deverá receber dele ou dela uma benção de iniciação que envolve várias substâncias, vasos e assim por diante coisas que serão colocados sobre sua cabeça e mantras recitados para você. A função disto é plantar uma semente para sua futura liberação, baseado sobre o processo de iniciação e sua própria abertura e fé nele. Este processo e método têm sua característica especial e qualidade do Vajrayana e é muito benéfico para os indivíduos envolvidos. Devemos distinguir entre este e a iniciação última, no qual o estudante, no momento que recebe o iniciação, gera a sabedoria associada com a iniciação através do entendimento completo de tudo que está acontecendo. Se alguém recebeu a iniciação última e então não faz nenhum uso dela e não pratica, mas só está envolvido em atividades mundanas e vira as costas para o Dharma, então esta pessoa poderia certamente quebrar o samaya.</p>
<p>Há, é claro, a forma comum de iniciação de benção, entretanto, quando as pessoas recebem esteiniciação, em geral não entendem nada do que está acontecendo. Não entendem exatamente o que deve ser praticado e o que deve ser rejeitado, estão se comprometendo talvez para receber o mantra, visualizar a deidade, e assim por diante. Em termos práticos, é pouco provável que as pessoas em tais situações vão se prejudicar com vajrayana.</p>
<p>P: Você poderia explicar a diferença entre um voto comum e o samaya?</p>
<p>R: Voto ou dompa em tibetano, e samaya, ou damtsig, são basicamente termos diferentes para a mesma coisa.  Em geral, o termo dompa, que normalmente é traduzido como voto, é usado nas discussões sobre o sutra, e o termo damtsig ou samaya é usado no contexto do tantra. O termo dompa significa &#8220;aquilo que segura&#8221; no sentido de nos proteger da perda ou enfraquecimento das qualidades do caminho que adquirimos, e nos protege da invasão de obstruções exteriores – por isso mantém e protege. Uma metáfora para isso é um cinto. O motivo de atar-se com um cinto é para impedir que sua roupa fique solta. Por exemplo, se você usa o cinto para manter uma chuba fechada, ele também impede a chuba de cair segurando a chuba fechada, mas também protege o seu corpo do vento, do sol e de tudo o mais, mantendo a chuba fechada. Votos ou dompa são assim. Eles atam, e atando, eles protegem. Este termo é, basicamente, o que é usado nos sutras ou é comum a ambos sutra e tantra.</p>
<p>O termo usado na maioria das vezes em tantra é damtsig, que literalmente significa &#8220;palavra que obriga&#8221; ou &#8220;comando&#8221;. A analogia aqui é com a palavra de comando de um rei, de cuja desobediência significa certamente a morte. A ênfase está no perigo de ignorar as prescrições e as proibições do samaya, mas o perigo não vem do medo da punição como acontece com um rei, mas porque samaya é uma expressão natural da qualidade do ensinamento vajrayana. Não é um comando arbitrário imposto a nós; é simplesmente as regras que devem ser seguidas para que as qualidades não se transformem em defeitos. Por exemplo, se você estiver viajando em um automóvel existem certas regras que devem ser seguidas para evitar que você se mate. Se você estiver viajando em um avião, há mais regras porque as qualidades e a eficácia do veículo são maiores. Se pular de um avião você morre, e se pular fora do vajrayana, você irá para o inferno vajra. O rigor ou a ferocidade da samaya é diretamente proporcional às qualidades do Vajrayana.</p>
<p>P: O décimo ponto sobre as dez coisas necessárias para praticar o dharma fala sobre a aplicação de uma realização ou compreensão que não possua o &#8220;defeito da reificaçã&#8221;. Eu realmente não entendi o que o defeito da reificação significa, e eu estou interessado em saber mais sobre o que podemos fazer para evitá-lo.</p>
<p>R: Em primeiro lugar, o texto-raiz a partir do qual esta explicação é derivada tem a declaração: &#8220;É preciso que a nossa visão de todas as coisas não se desvie para a reificação ou a falsa imputação de solidez e o hábito de tomar por inerentes as características presentes; e nós evitamos isso, por meio do conhecimento, compreensão e realização&#8221;. Isto significa que em relação a tudo o que vivenciamos, devemos transcender a ego-apreensão, ou mais precisamente, a falsa imputação de um eu inerentemente existente e a falsa imputação de solidez ou realidade de nossas experiências. Isto é verdade não só com as coisas em geral, mas também com a nossa atitude em relação ao Dharma e a prática do Dharma. Quando estamos meditando sobre uma divindade, se nos fixarmos na solidez daquela meditação e considerarmos a divindade como algo com uma existência física externa, com um corpo de carne e osso que se pareça com essa divindade particular, então há um equívoco. Esse ponto de vista não vai levar à realização. Se há uma fixação sobre as características ou forma da divindade como sendo qualquer coisa que não seja uma expressão da sabedoria que a divindade corporifica, não vai levar à realização a que a prática deveria levar. É o mesmo quando estamos considerando reinos puros. Se pensar que o reino de um Buddha é algo que existe em um lugar específico e é feito de objetos sólidos com forma tal e tal, como o mundo que experimentamos, se nos fixarmos em uma imputada solidez e em imputadas características daquele reino, isso não vai levar para a libertação naquele reino porque simplesmente perpetua nossa ordinária forma de experiência.</p>
<p>Diz-se que a forma de uma deidade, e, por conseguinte, a forma do reino daquela divindade é um corpo de luz cuja essência é sabedoria. Luz aqui não significa luz física; significa uma presença que é totalmente insubstancial. A divindade ter o aspecto da sabedoria significa que a forma é apenas a personificação da sabedoria, eficácia e atividade para o benefício dos seres que são a divindade. Portanto, diz-se que a forma da divindade é como raios de luz do arco-íris, e a essência da divindade é a própria sabedoria. Em última análise, no entanto, esta declaração refere-se ao fato de que a nossa compreensão final deve ser a realização do vazio que é totalmente sem qualquer tipo de elaboração, sem qualquer realizador e realização, qualquer tipo de atitude intelectual ou posicionamento algum. Assim, o ponto final é a transcendência da mente conceitual.</p>
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		<title>A Preciosa Guirlanda 05 &#8211; Cap 4 As Dez Coisas A Serem Abandonadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sudamar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2016 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gampopa - A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo]]></category>
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					<description><![CDATA[Essas são as dez coisas a serem abandonadas: 1. Abandonar os Mestres cujas ações misturam-se com os oito dharmas mundanos. 2. Abandonar o séquito e as más companhias prejudiciais à mente e a experiência. 3. Abandonar lugares e eremitérios de grande distração e prejudiciais (a prática). 4. Abandonar o sustento &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//soundcloud.com/sanghakpg/a-preciosa-guirlanda-05?in=sanghakpg/sets/gampopa-a-preciosa-guirlanda-do-caminho-supremo&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=false" width="100%" height="auto" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p>Essas são as dez coisas a serem abandonadas:</p>
<p>1. Abandonar os Mestres cujas ações misturam-se com os oito dharmas mundanos.</p>
<p>2. Abandonar o séquito e as más companhias prejudiciais à mente e a experiência.</p>
<p>3. Abandonar lugares e eremitérios de grande distração e prejudiciais (a prática).</p>
<p>4. Abandonar o sustento obtido por meio furto, roubo, fraude e ocultação.</p>
<p>5. Abandonar ações e atividades prejudiciais à mente e a experiência.</p>
<p>6. Abandonar a comida e a conduta que prejudiquem a sua base.</p>
<p>7. Abandonar o desejo e o apego que prendem à avareza e à busca pelo prazer.</p>
<p>8. Abandonar a conduta desatenta que acarreta a perda de fé pelos outros.</p>
<p>9. Abandonar as ações de idas e vindas sem sentido.</p>
<p>10. Abandonar (a atitude) de esconder os próprios defeitos e revelar os dos outros.</p>
<h5>AS DEZ COISAS A SEREM ABANDONADAS &#8211; COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:</h5>
<p>A <strong>primeira</strong> delas é um professor ou um mestre cujas ações estão todas misturadas com os oito dharmas profanos. Embora esses professores possam dar explicações muito profundas e terem muito conhecimento, todos eles estão preocupados e todos eles dirigem suas ações para a aquisição de bens para si próprios e seus seguidores, recebendo elogios, bajulações e ficando famosos. Eles estão muito preocupados com a perda de seus bens pessoais, evitando qualquer forma de crítica, e situações que as pessoas não vão adulá-los. Eles têm muito medo em terem uma má reputação. Embora eles pareçam bem e falem bem, e tenham informações de muitos aspectos do Dharma, não tem realização e não são professores genuínos. Pelo que devem ser abandonados.</p>
<p>A <strong>segunda</strong> coisa que deve ser abandonada é o “séquito” e companheiros que prejudicam o seu estado mental e a sua prática. “Seguidores” são os estudantes, caso você seja um professor, e se você está numa posição de autoridade, aqueles sob sua autoridade espiritual ou mundana. Companheiros significam amigos, pessoas com quem você vive, família, e assim por diante. É importante ficar longe de pessoas que representem obstáculos a sua prática e gerem aflição mental, pois não são uteis. Há um ditado tradicional na linhagem Kagyu, “Fique longe do seu local de nascimento”. Isto é porque no local de nascimento normalmente há pessoas a quem você está apegado e pessoas a quem você tem grande aversão. Por esta razão os iogues têm tendência a vaguear, ir para lugares onde as pessoas não os conheçam. Por que as pessoas não os conhecem, há poucas interrupções em suas práticas. Você pode pensar que é necessário continuar associado às pessoas a que você tem apego, mas não é esse o caso. Você não pode realmente ajudá-las, pois se elas prejudicam sua prática, elas estão se prejudicando e a você também. No final, você acaba prejudicando a elas e a si próprio.</p>
<p>A <strong>terceira</strong> coisa que deve ser abandonada são os lugares nos quais há muitas distrações ou perigos. Mesmo que você tenha abandonado seu lugar de nascimento, se você for para um local onde haja um monte de coisas mundanas que você pode fazer em vez de praticar, onde há muitas experiências desejáveis que você pudesse ter do que a prática, isto será um obstáculo para a prática. Na verdade, isto não é melhor do que estar em seu local de nascimento. Por outro lado, mesmo que você esteja em um local solitário, este pode ser um local onde haja o perigo de não obter alimento e água saudáveis, ou o perigo de grandes animais carnívoros ou pequenos animais venenosos. Num local onde há perigo para a vida ou saúde você não será capaz de praticar por causa do medo e ansiedade. Esse medo vai impedir que relaxe e, sem uma mente relaxada, a prática não progredirá.</p>
<p>A <strong>quarta</strong> coisa que deve ser abandonada é a subsistência que vem com o roubo, fraude, trapaça e desonestidade. Furto se refere a surrupiar algo de forma escondida. Roubo se refere a obter algo através da força. Fraude se refere a fingir qualidades que não tem, isto é, fazer que alguém lhe dê algo como presente, fingindo ser digno da oferenda. Ocultação se refere a esconder defeitos que você tem, a fim de obter apoio. Estas quatro maneiras impróprias de obter alimento e outras condições necessárias para viver como um praticante devem ser abandonadas. Da mesma maneira, é preciso abandonar toda forma de subsistência que vem de atividades impróprias por parte de outros. Mesmo que uma pessoa te dê algo sem nenhuma atitude errada de sua parte, se ela roubou ou obteve isto por um delito e você sabe disto, então você não deve aceitar; você não deve participar disto. O que deve ser pedido são alimento e apoio sem transgressão, de forma honesta e direta. Quando se está praticando o Dharma, é apropriado receber de terceiros presentes, oferendas, alimentos, ou o que você precisar para viver, desde que estejam dispostos a dar. Até pedir esmolas é apropriado, mas é preciso ser honesto e direto sobre o que se está fazendo. Se não tem comida, pode dizer “Não tenho comida. Você pode me dar alguma?” e se quiserem te darão; mas não deve ser um engano.</p>
<p>A <strong>quinta</strong> coisa que deve ser abandonada é o trabalho e atividade que prejudicam nosso estado mental e nossa prática. É conveniente estar engajado em trabalhos e atividades meritórias, como a construção, reforma, ou fazer oferendas para monastérios, imagens de Buda etc.. A atividade física relacionada com méritos é boa, porque beneficia a mente em longo prazo. Mas a atividade sem sentido que nos distrai e arrasta a mente para baixo devem ser evitadas.</p>
<p>A <strong>sexta</strong> coisa que deve ser abandonada é alimento, conduta e atividade que são prejudiciais para a nossa saúde. Nossos corpos físicos possuem as oito liberdades e as dez resoluções extremamente preciosas. Elas são as bases pra a nossa existência humana. Podemos prolongar nossas vidas o máximo que pudermos. Então devemos fazer uso dessa oportunidade para praticar o Dharma. Por isso é importante evitar alimentos e atividades que possam causar doença ou colocar-nos em perigo de morte prematura.</p>
<p>A <strong>sétima</strong> coisa que deve ser abandonada é fixação e apego a objetos de desejo ou situações que nos prendem a nossa própria ganância. Isto significa estar apegado a aquisição e proteção de bens, diversões, riqueza, fama etc.. Ambos incluem o sentimento de que precisamos destas coisas e a ansiedade que sentimos do perigo da perda, porque ambas são fixações nestas coisas e as experiências associadas com elas. Nossa fixação nestas condições significa que não somente suas presenças não ajudam no crescimento de nossas qualidades, mas irá provocar a diminuição delas no decorrer do tempo. Por esta razão é importante evitar lugares e pessoas a quem estamos indevidamente apegadas ou indevidamente fixadas.</p>
<p>A <strong>oitava</strong> coisa que deve ser abandonada é a conduta descuidada que é a causa de outras pessoas não terem fé no Dharma. Isto não significa atividades que são diretamente prejudiciais para os outros, que já foram discutidas anteriormente. Quer dizer a situação na qual o praticante tem uma experiência real, ou mesmo alguma realização no significado do Dharma, e portanto tem pouca ansiedade sobre o que a outra pessoa pode pensar dele. Eles são inclinados a agir de maneira estranha. Mas não é apropriado para os praticantes exibirem suas realizações de alguma forma, porque outras pessoas, caso estejam envolvidas no Dharma ou não, verão estas ações como defeitos. Eles não pensarão, “Esta pessoa age estranhamente; deve ter realização.” Elas pensarão, “Mesmo os mais sérios praticantes do Dharma, pessoas que supomos que têm realização, parecem ter defeitos pessoais.”, e isto fará que desprezem não apenas o praticante, mas também ao Dharma. Isto leva outros seres sencientes a acumular o karma negativo extremamente prejudicial de abandonar e injuriar o Dharma. Portanto é importante, não importa quão alta seja sua experiência e realização, ter uma conduta simples, disciplinada e correta.</p>
<p>A <strong>nona</strong> coisa que deve ser abandonada é atividades que não são benéficas para nós e outros, como running around e sitting around. Isto significa abandonar viagens sem propósito – por exemplo, visitar um grande oceano ou uma alta montanha somente para fins turísticos. Estas coisas são uma perda de tempo, e você não tem tempo a perder. Assim, se você percebe que uma atividade ou ação específica não tem um beneficio verdadeiro para você ou qualquer outra pessoa, você deve evitar isso.</p>
<p>A <strong>décima</strong> e última coisa que deve ser abandonada é ocultar seus próprios defeitos e proclamar e divulgar os defeitos dos outros. É importante não tentar ocultar nossos próprios defeitos através da discrição, e não se focar nos defeitos dos outros, fazendo-os claros para os outros. Devemos sempre aspirar beneficiar os outros o máximo que pudermos e devemos nos comportar de acordo com essa aspiração. Nosso objetivo é sermos capazes de eliminar nossos defeitos, não escondê-los, e ajudar outros a eliminar seus defeitos, não expô-los. Não devemos nos tornar arrogantes. A base da arrogância, o modo de mantê-la e a causa do seu surgimento, é ocultar nossos próprios defeitos e expor o dos outros. A diferença entre o praticante genuíno do Dharma e uma pessoa mundana é que, pelo modo mundano, ocultamos nossos próprios defeitos e divulgamos o dos outros; já  no caminho do Dharma, ocultamos os defeitos dos outros e expomos os nossos.</p>
<p>Estas são as dez coisas que devem ser abandonadas.</p>
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		<title>A Preciosa Guirlanda 04 &#8211; Cap 3 As Dez Coisas Em Que Confiar (Parte 2)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sudamar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2016 02:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gampopa - A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo]]></category>
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					<description><![CDATA[O texto As dez coisas em que confiar: 1. Confiar no santo lama que possui realização e compaixão. 2. Confiar no local de meditação isolado, prazeroso e abençoado. 3. Confiar em companheiros estáveis com os quais se está de acordo com a visão, meditação e conduta. 4. Confiar na moderação &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//soundcloud.com/sanghakpg/a-preciosa-guirlanda-04?in=sanghakpg/sets/gampopa-a-preciosa-guirlanda-do-caminho-supremo&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=false" width="100%" height="auto" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p>O texto</p>
<p>As dez coisas em que confiar:</p>
<p>1. Confiar no santo lama que possui realização e compaixão.</p>
<p>2. Confiar no local de meditação isolado, prazeroso e abençoado.</p>
<p>3. Confiar em companheiros estáveis com os quais se está de acordo com a visão, meditação e conduta.</p>
<p>4. Confiar na moderação lembrando-se dos defeitos dos objetos de subsistência.</p>
<p>5. Confiar imparcialmente nas instruções da linhagem dos siddhas.</p>
<p>6. Confiar em substâncias, medicamentos, mantras e na interdependência profunda cmo sendo benéficos para sai e para os outros.</p>
<p>7. Confiar em alimentos adequados à sua constituição e no caminho para liberação.</p>
<p>8. Confiar no dharma e no caminho da conduta que beneficia a experiência.</p>
<p>9. Confiar nos discípulos afortunados que possui fé e respeito.</p>
<p>10. Confiar na plena atenção e consciência por meio dos quatro modos de conduta.</p>
<h5>AS DEZ COISAS NAS QUAIS DEVEMOS CONFIAR – COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:</h5>
<p>Em seguida, discutirei as dez coisas em que devemos confiar, a fim de gerar as qualidades associadas com a prática do Dharma. Desta forma as virtudes que cultivamos na prática do Dharma irão florescer e que não serão prejudicadas ou atingidas por quaisquer defeitos.</p>
<p>A <strong>primeira</strong> coisa em que devemos confiar é um Guru Santo que possui realização e compaixão. O lama deve possuir realização, porque um mestre que não tem realização ou experiência efetiva é como uma pintura da água, que não pode saciar a nossa sede, ou uma pintura do fogo, que não pode nos aquecer. Portanto, o lama deve possuir compaixão. Se a lama só tem realização, mas não tem compaixão, ele ou ela não irá ensinar ajudando os seres sencientes a desenvolver qualidades virtuosas e abandonar os defeitos. Assim, a primeira coisa em que devemos confiar é em um lama que possui tanto realização como compaixão.</p>
<p>A <strong>segunda</strong> coisa em que devemos confiar é em um local solitário, prazeroso e esplendoroso para praticarmos. Tendo recebido completamente as instruções do Lama com as qualidades descritas, temos que confiar em tal ambiente, a fim de colocar essas instruções em prática.</p>
<p>O ambiente deve ter quatro características: em primeiro lugar, deve ser um lugar de solidão. Devemos estar isolado das distrações, caso contrário não seremos capazes de praticar. Em segundo lugar, ele deve ser agradável, e isso significa um lugar onde não estejamos afligidos por frio ou calor excessivo ou outras coisas que perturbam a mente e o corpo, criando obstáculos para a prática. Em terceiro lugar, deve ser esplendoroso, o que significa um lugar que tem sido envolvido pelo esplendor dos Siddhas da linhagem. Se possível, é melhor um ambiente onde os grandes praticantes do passado já tenham praticado nele. Caso contrário, um lugar solitário e agradável já é suficiente. Em quarto lugar, o ambiente deve ser um deserto ou lugar selvagem. O termo tibetano é gompa, que também significa mosteiro. Mas aqui isso não significa um mosteiro formal, onde há stupas e onde lamas e monges estão vivendo. Isso significa um lugar que está a uma distância razoável de outras habitações, e não no meio de uma cidade onde existem distrações.</p>
<p>A <strong>terceira</strong> coisa em que devemos confiar é em companheiros que estão em harmonia com nós mesmos, na conduta  e na força de vontade. A primeira característica, a harmonia na visão, significa que as pessoas com quem vivemos e prática devem ter o compromisso, assim como nós somos de alcançar a liberação. A segunda, a harmonia na conduta, significa que os nossos companheiros e amigos também adotam todas as condutas apropriadas, quer seja a de um monge completamente ordenado, um novato ou um discípulo leigo. A terceira característica, ter uma boa atitude, significa que eles estão livres da paranóia que criam situações de desarmonia intensa, que o conflitam com os objetivos da prática. Em outras palavras, não devemos viver com pessoas que estão constantemente pensando: &#8220;Ele está com raiva de mim. Ela está com ciúmes de mim. Eu não gostei do jeito ele que disse isso. Eles estão causando problemas. Seria melhor me livrar deles”, e assim por diante. Eles não devem ter de uma mentalidade que cria desarmonia. Assim, a terceira coisa em que devemos confiar é companheiros que possuem essas três características. Se depender desses companheiros, ao invés destes serem fontes de distração nossos companheiros nos ajudarão a alcançar a libertação, e nós poderemos fazer o mesmo.</p>
<p>A <strong>quarta</strong> coisa que devemos confiar é no modo de vida moderado, tendo reconhecido os defeitos dos excessos. Se não formos moderados na forma em que exigimos os alimentos, roupas, etc, vamos enlouquecer buscando estas coisas. Moderação consiste em ter roupas suficientes e abrigo para não congelar ou ficarmos sem-teto, e comida o suficiente para não morrer de fome. O objetivo é usar essas condições externas para nos manter a fim de praticar. Devemos evitar preocupações excessivas questionando se as coisas são prazerosas ou não, por exemplo, o sabor da comida que comemos. É recomendado que tomemos o nosso sustento, como se fosse um medicamento. Quando você está tomando remédio para curar uma doença que você não pensa &#8220;Gosto deste medicamento O gosto é bom, é doce Eu não gosto deste remédio; Isto não tem um gosto muito bom.&#8221; Você o toma, porque ele vai curar a doença. Da mesma forma, você deve comer e beber para sobreviver, para que você seja capaz de praticar, e não para apreciar o sabor da comida. Além disso, se você está constantemente tentando adquirir melhor comida,  a melhor roupa, e assim por diante, o esforço de tentar adquirir essas coisas cria uma grande dificuldade. Então, se você adquiri-los, tornam-se fontes de distração, pois sua mente está voltada para apreciá-los ao invés de praticar o Dharma. Você acaba sendo atormentado por apego. Assim, é importante ser cuidadoso e atento com o uso dos recursos externos.</p>
<p>Foi dito pelo Buda que se você comer mais do que precisa, torna-se um obstáculo à meditação. Você começa a se sentir pesado, e muito de sua energia é dirigida para o processo de digestão que não restará nada para a meditação. Recomenda-se que você preencha um terço do seu estômago com comida, um terço com líquido, e se deixe um terço vazio. A questão não é medir a quantidade de comida consumida, mas simplesmente que esta seja apropriada para o consumo e que seja regular.</p>
<p>A <strong>quinta</strong> coisa é que devemos confiar imparcialmente nas instruções da linhagem dos Siddhas. Isto significa que não devemos ser demasiadamente seletivos. Não devemos pensar, &#8220;Eu vou escolher isso, mas vou deixar aquilo de fora. Posso esquecer isso. Aquilo não se aplica a mim. Eu não preciso disso.&#8221;Isso significa ter um respeito imparcial e veneração para todas as instruções autênticas que vêm das linhagens diferentes de yogis despertos. É importante receber formalmente a transmissão (lung) e a instrução (tri) para o qualquer tema que estivermos estudando. No entanto, também é adequado ler textos de instruções profundas que encontrarmos. É bom fazê-lo de maneira imparcial porque neste momento não sabemos o que irá  desencadear a nossa realização. Entre as instruções que encontrarmos, nós ainda não sabemos qual delas que pode gerar a compreensão da natureza da mente. Portanto, é importante não rejeitar qualquer instrução autêntica que surge em nosso caminho.</p>
<p>A <strong>sexta</strong> coisa é que devemos confiar em substâncias, remédios, mantras, e várias condições que são benéficas para nós mesmos e para os outros. Não devemos desenvolver a atitude: &#8220;Eu sou um yogi de grande realização e, portanto, eu não preciso de nada Se eu ficar doente eu não preciso de remédios, eu não preciso ter cuidado em qualquer coisa externa&#8230;&#8221;. Enquanto você não tiver aperfeiçoado sua realização, de alguma forma você está à mercê de seu corpo, que é composto por quatro elementos. Portanto, você tem que gerar as condições que sustentam o equilíbrio destes elementos, tudo aquilo que traz boa saúde. Você não deve rejeitar um tratamento médico correto, tampouco outros métodos profundos que são benéficos para sua saúde.</p>
<p>Da mesma forma que você não deve negar essas coisas para os outros. Você não deve pensar que não há benefícios para os outros ou que seja algo superficial ou sem importância proporcionar remédios, alimentos e outras coisas, porque tudo isso tem um genuíno benefício para os demais se forem adequadamente administrados. Você não deve pensar: &#8220;Eu sou um yogi, seguindo a tradição de yoga. Posso rejeitar a ciência. Posso rejeitar a medicina. Estas são coisas mundanas de nenhum significado duradouro.&#8221; Na verdade, todas estas coisas que podem ser de grande benefício não devem ser rejeitadas.</p>
<p>A <strong>sétima</strong> coisa é que temos de confiar no alimento adequado com nosso estado de saúde e constituição, e métodos que praticam aquilo que está de acordo com os nossas capacidades.</p>
<p>No que se refere a comida, não é importante realmente gostar da comida que você come. Se um alimento é doce e delicioso mas prejudicial para a sua saúde, você deve evitá-lo. Se você encontrar um alimento desagradável, mas muito benéfico para a sua saúde e longevidade, você deve confiar nele.</p>
<p>Em relação à prática do Dharma, esta deve ser de acordo com a sua compreensão e habilidades. Se alguém tem uma atitude muito limitada, pavor dos atos profundos e da profunda compreensão dos Bodhisattvas é melhor que essa pessoa a pratique o veículo menor, porque ele ou ela será naturalmente atraído para a paz de libertação e desejará escapar dos sofrimentos do samsara. Seria inapropriado para essa pessoa ir diretamente para a prática Mahayana. Da mesma forma, alguém que chegou ao ponto de ser capaz de praticar o Mahayana, mas que não tem fé ou compreensão real do Vajrayana ou mantra secreto, deveria praticar o Mahayana, e em particular o Sutrayana. Os ensinamentos Vajrayana são especialmente profundos e podem levar ao estado de unidade, o estado de Vajradhara em uma vida, mas isso não pode acontecer com alguém que não tem fé neles e não tem nenhum conhecimento sobre seu verdadeiro significado. Por esta razão, embora o estado último de Buda eventualmente seja atingido através da prática do mantra secreto, o Buda não ensinou apenas um veículo. Ele ensinou todas os diversos métodos e estágios, para que os seres sencientes de várias capacidades possam gradualmente amadurecer até o ponto onde possam praticar esses ensinamentos últimos.</p>
<p>O <strong>oitavo</strong> é que temos de confiar em técnicas de meditação e modos de conduta que realmente ajudam a nossa experiência na prática. Devemos praticar de tal forma que estejamos com nossa atenção verdadeiramente focada na prática que estamos fazendo, e não misturar essa prática com outras coisas que são inapropriadas ao contexto.</p>
<p>Por exemplo, se você está praticando a meditação da tranquilidade ou Shamata, é importante que você continue com a prática até que você gerar a certeza sobre o seu benefício e uma certa estabilidade da mente, até o ponto em que você pode partir para a prática da introspecção ou meditação Vipashyana. No entanto, se no meio da prática Shamata você começar a executar uma análise associada com a prática Vipashyana, então você destruirá sua prática incipiente de Shamata. Você não chegará a lugar algum, porque você não está praticando o que você se propôs a praticar.</p>
<p>Da mesma forma, se você estiver fazendo uma prática simples, que não depende de análise extensa, mesmo podendo parecer não é apropriado envolver-se em uma análise complexa. Ou ainda, se você estiver envolvido em uma prática que depende de algumas análises, se descartar essa análise e simplesmente descansar em um estado de simplicidade, isso prejudicaria a sua prática, mesmo que isso seja adequado em outra circunstância. No que diz respeito ao modo de conduta, é importante o que você faz, sua postura física e assim por diante, devem ser adequadas à prática que está fazendo.O exemplo mais óbvio é, quando você está fazendo a primeira parte das práticas preliminares, Ngondro, você não se senta como na a prática Shamata, no lugar disso faz prostrações e assim por diante. Além disso, você recita a oração de refúgio enquanto você está fazendo as prostrações, e não pratica Shamata. É importante que todos os aspectos de sua prática sejam harmoniosos e unificados.</p>
<p>A <strong>nona</strong> coisa em que confiar é nos estudantes dignos que têm fé e respeito, e essa confiança deve ser em alguém que, tenha atingido algumas qualidades associadas ao caminho, e está atuando como um amigo ou mestre espiritual para os demais. Quando o Mestre começa realmente a possuir essas qualidades, é preciso que ele decida em quais situações e quanto é apropriado ensinar. A decisão não deve ser baseada em quantas pessoas se pode reunir para ensinar, e o quanto você poderia dizer-lhes. Deve-se escolher o que se diz e para quem, com base no que é realmente adequado e necessário para a audiência.</p>
<p>De um modo geral, os alunos do Dharma devem ter os três tipos de fé. O primeiro é a fé de clareza, é uma noção clara do valor do Dharma, portanto, uma natural sincera apreciação por ele. A segunda é a fé do desejo, é o desejo intenso de alcançar as qualidades dos Budas e Bodhisattvas. O terceiro tipo é a fé da confiança, que é a convicção do aluno que Dharma é a melhor maneira de viver, e que a prática é uma forma digna de utilizar o tempo. No que se refere ao respeito, os alunos deverão ser capazes de reconhecer seus próprios defeitos e valorizar as qualidades de seu mestre. Respeito no contexto do Dharma, significa que os alunos devem considerar o seu professor da mesma forma que eles consideram um médico, que prescreve o remédio apropriado para alguém que está sofrendo de uma doença grave.</p>
<p>Para o mestre é importante abandonar dois extremos. Um é pensar:  &#8220;Eu sou um yogi que transcendeu as atividades mundanas. Portanto, não importa quantos alunos qualificados se aproximam de mim eu não vou dizer-lhes qualquer coisa, porque eu estou além dessa comunicação com outras pessoas.&#8221; Se os alunos qualificados aparecerem e você está qualificado para ensinar, você deve fazê-lo. O outro extremo é pensar: &#8220;Eu sou um yogi com algumas qualidades. Portanto, eu deveria ensinar o que puder para todos que conheço.&#8221; O perigo do segundo extremo é que, quando você ensinar as pessoas que não tem nenhum respeito pelo Dharma, isso será desperdiçado porque as pessoas não serão beneficiadas pelo ensinamento. Não só não serão beneficiadas, na verdade a falta de respeito pelo Dharma e pelo mestre crescem à medida que o tempo passa, por receberem o ensinamento sem fé e respeito. Assim, ensinar sem os devidos cuidados é uma maneira muito eficaz de enviar a si mesmo e aos outros para os reinos inferiores.</p>
<p>A <strong>décima</strong> coisa sobre a qual temos de confiar é manter contínua consciência e plena atenção ao longo dos quatro tipos de atividades. As quatro tipos de atividades são: comer, dormir, andar e sentar. Devemos estar conscientes de que estamos fazendo em todas as situações, com destaque para essas quatro.</p>
<p>É particularmente importante proteger todos os nossos votos nosso Samaya, sejam eles quais forem. Devemos considerar a proteção de votos e Samaya do jeito que consideraríamos a proteção de uma joia extremamente valiosa que nos foi confiada. Se soubermos que em algum lugar lá fora existem ladrões à espera de uma chance de roubar esta joia, estaremos constantemente atentos para evitar que a joia seja roubada. Da mesma forma, para manter nossa disciplina devemos sempre observar nossas mentes, porque os ladrões que roubariam a joia da nossa disciplina são as aflições mentais que surgem na mente. Quando aflições mentais assumem a mente, começam a produzir conceitos e pensamentos aflitivos, que levam a atos negativos. Desta forma, é especialmente importante observar a mente em todos os momentos.</p>
<p>Há duas explicações comuns e incomuns de como manter contínua consciência e plena atenção ao longo das quatro atividades. A explicação comum é: quando se estiver comendo, fazê-lo moderadamente, como foi explicado antes. Quando você dormir, fazê-lo com a intenção virtuosa de se levantar na manhã seguinte e usando todo o seu tempo para a prática do Dharma. Quando você está andando, ter o cuidado para evitar pisar em insetos ou prejudicar outros seres sencientes. Ao sentar-se, tome cuidado para não esmagar os insetos escondidos sob as almofadas, ou prejudicar quaisquer seres. Essa é a forma como a consciência comum é dirigida.</p>
<p>A atenção incomum do mantra secreto é baseada nestes preceitos mencionados, mas acrescenta-lhes outras práticas: Quando você está comendo, considerar o seu corpo como a Mandala de todos os Vitoriosos, e oferecer seu alimento a eles como substâncias de um banquete. Quando você está indo dormir, meditar sobre a luz clara associada com o sono, o que pode fazer recitaando um mantra, repousando a mente em um estado de não-conceitualização ou não-fabricação, e assim por diante. Quando caminhar, visualizar o seu guru raiz acima do seu ombro direito imaginado que você o está circumambando. Ao sentar, visualizar o seu Lama Raiz acima de sua cabeça em todos os momentos. O ponto de ambas as explicações comuns e incomuns é preservar contínua consciência e a plena atenção em todos os momentos, porque estes são a fundação ou base de todo o Dharma.</p>
<p>Estas são as dez coisas nas quais confiar desde o início de sua prática do Dharma até a realização da fruição completa. Dentre elas, a primeira naturalmente, é o Mestre correto. Devemos confiar nestas dez coisas de modo a nunca nos separarmos delas, assim como corpo nunca está separado de sua sombra.</p>
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		<title>A Preciosa Guirlanda 03 &#8211; Cap 3 As Dez Coisas Em Que Confiar (Parte 1)</title>
		<link>https://kalu.org.br/a-preciosa-guirlanda-03-cap-3-as-dez-coisas-em-que-confiar-parte-1/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-preciosa-guirlanda-03-cap-3-as-dez-coisas-em-que-confiar-parte-1</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[sudamar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Oct 2016 02:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gampopa - A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo]]></category>
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					<description><![CDATA[As dez coisas em que confiar: 1. Confiar no santo lama que possui realização e compaixão. 2. Confiar no local de meditação isolado, prazeroso e abençoado. 3. Confiar em companheiros estáveis com os quais se está de acordo com a visão, meditação e conduta. 4. Confiar na moderação lembrando-se dos &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//soundcloud.com/sanghakpg/a-preciosa-guirlanda-03?in=sanghakpg/sets/gampopa-a-preciosa-guirlanda-do-caminho-supremo&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=false" width="100%" height="auto" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p>As dez coisas em que confiar:</p>
<p>1. Confiar no santo lama que possui realização e compaixão.</p>
<p>2. Confiar no local de meditação isolado, prazeroso e abençoado.</p>
<p>3. Confiar em companheiros estáveis com os quais se está de acordo com a visão, meditação e conduta.</p>
<p>4. Confiar na moderação lembrando-se dos defeitos dos objetos de subsistência.</p>
<p>5. Confiar imparcialmente nas instruções da linhagem dos siddhas.</p>
<p>6. Confiar em substâncias, medicamentos, mantras e na interdependência profunda cmo sendo benéficos para sai e para os outros.</p>
<p>7. Confiar em alimentos adequados à sua constituição e no caminho para liberação.</p>
<p>8. Confiar no dharma e no caminho da conduta que beneficia a experiência.</p>
<p>9. Confiar nos discípulos afortunados que possui fé e respeito.</p>
<p>10. Confiar na plena atenção e consciência por meio dos quatro modos de conduta.</p>
<h5>AS DEZ COISAS NAS QUAIS DEVEMOS CONFIAR – COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:</h5>
<p>Em seguida, discutirei as dez coisas em que devemos confiar, a fim de gerar as qualidades associadas com a prática do Dharma. Desta forma as virtudes que cultivamos na prática do Dharma irão florescer e que não serão prejudicadas ou atingidas por quaisquer defeitos.</p>
<p>A <strong>primeira</strong> coisa em que devemos confiar é um Guru Santo que possui realização e compaixão. O lama deve possuir realização, porque um mestre que não tem realização ou experiência efetiva é como uma pintura da água, que não pode saciar a nossa sede, ou uma pintura do fogo, que não pode nos aquecer. Portanto, o lama deve possuir compaixão. Se a lama só tem realização, mas não tem compaixão, ele ou ela não irá ensinar ajudando os seres sencientes a desenvolver qualidades virtuosas e abandonar os defeitos. Assim, a primeira coisa em que devemos confiar é em um lama que possui tanto realização como compaixão.</p>
<p>A <strong>segunda</strong> coisa em que devemos confiar é em um local solitário, prazeroso e esplendoroso para praticarmos. Tendo recebido completamente as instruções do Lama com as qualidades descritas, temos que confiar em tal ambiente, a fim de colocar essas instruções em prática.</p>
<p>O ambiente deve ter quatro características: em primeiro lugar, deve ser um lugar de solidão. Devemos estar isolado das distrações, caso contrário não seremos capazes de praticar. Em segundo lugar, ele deve ser agradável, e isso significa um lugar onde não estejamos afligidos por frio ou calor excessivo ou outras coisas que perturbam a mente e o corpo, criando obstáculos para a prática. Em terceiro lugar, deve ser esplendoroso, o que significa um lugar que tem sido envolvido pelo esplendor dos Siddhas da linhagem. Se possível, é melhor um ambiente onde os grandes praticantes do passado já tenham praticado nele. Caso contrário, um lugar solitário e agradável já é suficiente. Em quarto lugar, o ambiente deve ser um deserto ou lugar selvagem. O termo tibetano é gompa, que também significa mosteiro. Mas aqui isso não significa um mosteiro formal, onde há stupas e onde lamas e monges estão vivendo. Isso significa um lugar que está a uma distância razoável de outras habitações, e não no meio de uma cidade onde existem distrações.</p>
<p>A <strong>terceira</strong> coisa em que devemos confiar é em companheiros que estão em harmonia com nós mesmos, na conduta  e na força de vontade. A primeira característica, a harmonia na visão, significa que as pessoas com quem vivemos e prática devem ter o compromisso, assim como nós somos de alcançar a liberação. A segunda, a harmonia na conduta, significa que os nossos companheiros e amigos também adotam todas as condutas apropriadas, quer seja a de um monge completamente ordenado, um novato ou um discípulo leigo. A terceira característica, ter uma boa atitude, significa que eles estão livres da paranóia que criam situações de desarmonia intensa, que o conflitam com os objetivos da prática. Em outras palavras, não devemos viver com pessoas que estão constantemente pensando: &#8220;Ele está com raiva de mim. Ela está com ciúmes de mim. Eu não gostei do jeito ele que disse isso. Eles estão causando problemas. Seria melhor me livrar deles”, e assim por diante. Eles não devem ter de uma mentalidade que cria desarmonia. Assim, a terceira coisa em que devemos confiar é companheiros que possuem essas três características. Se depender desses companheiros, ao invés destes serem fontes de distração nossos companheiros nos ajudarão a alcançar a libertação, e nós poderemos fazer o mesmo.</p>
<p>A <strong>quarta</strong> coisa que devemos confiar é no modo de vida moderado, tendo reconhecido os defeitos dos excessos. Se não formos moderados na forma em que exigimos os alimentos, roupas, etc, vamos enlouquecer buscando estas coisas. Moderação consiste em ter roupas suficientes e abrigo para não congelar ou ficarmos sem-teto, e comida o suficiente para não morrer de fome. O objetivo é usar essas condições externas para nos manter a fim de praticar. Devemos evitar preocupações excessivas questionando se as coisas são prazerosas ou não, por exemplo, o sabor da comida que comemos. É recomendado que tomemos o nosso sustento, como se fosse um medicamento. Quando você está tomando remédio para curar uma doença que você não pensa &#8220;Gosto deste medicamento O gosto é bom, é doce Eu não gosto deste remédio; Isto não tem um gosto muito bom.&#8221; Você o toma, porque ele vai curar a doença. Da mesma forma, você deve comer e beber para sobreviver, para que você seja capaz de praticar, e não para apreciar o sabor da comida. Além disso, se você está constantemente tentando adquirir melhor comida,  a melhor roupa, e assim por diante, o esforço de tentar adquirir essas coisas cria uma grande dificuldade. Então, se você adquiri-los, tornam-se fontes de distração, pois sua mente está voltada para apreciá-los ao invés de praticar o Dharma. Você acaba sendo atormentado por apego. Assim, é importante ser cuidadoso e atento com o uso dos recursos externos.</p>
<p>Foi dito pelo Buda que se você comer mais do que precisa, torna-se um obstáculo à meditação. Você começa a se sentir pesado, e muito de sua energia é dirigida para o processo de digestão que não restará nada para a meditação. Recomenda-se que você preencha um terço do seu estômago com comida, um terço com líquido, e se deixe um terço vazio. A questão não é medir a quantidade de comida consumida, mas simplesmente que esta seja apropriada para o consumo e que seja regular.</p>
<p>A <strong>quinta</strong> coisa é que devemos confiar imparcialmente nas instruções da linhagem dos Siddhas. Isto significa que não devemos ser demasiadamente seletivos. Não devemos pensar, &#8220;Eu vou escolher isso, mas vou deixar aquilo de fora. Posso esquecer isso. Aquilo não se aplica a mim. Eu não preciso disso.&#8221;Isso significa ter um respeito imparcial e veneração para todas as instruções autênticas que vêm das linhagens diferentes de yogis despertos. É importante receber formalmente a transmissão (lung) e a instrução (tri) para o qualquer tema que estivermos estudando. No entanto, também é adequado ler textos de instruções profundas que encontrarmos. É bom fazê-lo de maneira imparcial porque neste momento não sabemos o que irá  desencadear a nossa realização. Entre as instruções que encontrarmos, nós ainda não sabemos qual delas que pode gerar a compreensão da natureza da mente. Portanto, é importante não rejeitar qualquer instrução autêntica que surge em nosso caminho.</p>
<p>A <strong>sexta</strong> coisa é que devemos confiar em substâncias, remédios, mantras, e várias condições que são benéficas para nós mesmos e para os outros. Não devemos desenvolver a atitude: &#8220;Eu sou um yogi de grande realização e, portanto, eu não preciso de nada Se eu ficar doente eu não preciso de remédios, eu não preciso ter cuidado em qualquer coisa externa&#8230;&#8221;. Enquanto você não tiver aperfeiçoado sua realização, de alguma forma você está à mercê de seu corpo, que é composto por quatro elementos. Portanto, você tem que gerar as condições que sustentam o equilíbrio destes elementos, tudo aquilo que traz boa saúde. Você não deve rejeitar um tratamento médico correto, tampouco outros métodos profundos que são benéficos para sua saúde.</p>
<p>Da mesma forma que você não deve negar essas coisas para os outros. Você não deve pensar que não há benefícios para os outros ou que seja algo superficial ou sem importância proporcionar remédios, alimentos e outras coisas, porque tudo isso tem um genuíno benefício para os demais se forem adequadamente administrados. Você não deve pensar: &#8220;Eu sou um yogi, seguindo a tradição de yoga. Posso rejeitar a ciência. Posso rejeitar a medicina. Estas são coisas mundanas de nenhum significado duradouro.&#8221; Na verdade, todas estas coisas que podem ser de grande benefício não devem ser rejeitadas.</p>
<p>A <strong>sétima</strong> coisa é que temos de confiar no alimento adequado com nosso estado de saúde e constituição, e métodos que praticam aquilo que está de acordo com os nossas capacidades.</p>
<p>No que se refere a comida, não é importante realmente gostar da comida que você come. Se um alimento é doce e delicioso mas prejudicial para a sua saúde, você deve evitá-lo. Se você encontrar um alimento desagradável, mas muito benéfico para a sua saúde e longevidade, você deve confiar nele.</p>
<p>Em relação à prática do Dharma, esta deve ser de acordo com a sua compreensão e habilidades. Se alguém tem uma atitude muito limitada, pavor dos atos profundos e da profunda compreensão dos Bodhisattvas é melhor que essa pessoa a pratique o veículo menor, porque ele ou ela será naturalmente atraído para a paz de libertação e desejará escapar dos sofrimentos do samsara. Seria inapropriado para essa pessoa ir diretamente para a prática Mahayana. Da mesma forma, alguém que chegou ao ponto de ser capaz de praticar o Mahayana, mas que não tem fé ou compreensão real do Vajrayana ou mantra secreto, deveria praticar o Mahayana, e em particular o Sutrayana. Os ensinamentos Vajrayana são especialmente profundos e podem levar ao estado de unidade, o estado de Vajradhara em uma vida, mas isso não pode acontecer com alguém que não tem fé neles e não tem nenhum conhecimento sobre seu verdadeiro significado. Por esta razão, embora o estado último de Buda eventualmente seja atingido através da prática do mantra secreto, o Buda não ensinou apenas um veículo. Ele ensinou todas os diversos métodos e estágios, para que os seres sencientes de várias capacidades possam gradualmente amadurecer até o ponto onde possam praticar esses ensinamentos últimos.</p>
<p>O <strong>oitavo</strong> é que temos de confiar em técnicas de meditação e modos de conduta que realmente ajudam a nossa experiência na prática. Devemos praticar de tal forma que estejamos com nossa atenção verdadeiramente focada na prática que estamos fazendo, e não misturar essa prática com outras coisas que são inapropriadas ao contexto.</p>
<p>Por exemplo, se você está praticando a meditação da tranquilidade ou Shamata, é importante que você continue com a prática até que você gerar a certeza sobre o seu benefício e uma certa estabilidade da mente, até o ponto em que você pode partir para a prática da introspecção ou meditação Vipashyana. No entanto, se no meio da prática Shamata você começar a executar uma análise associada com a prática Vipashyana, então você destruirá sua prática incipiente de Shamata. Você não chegará a lugar algum, porque você não está praticando o que você se propôs a praticar.</p>
<p>Da mesma forma, se você estiver fazendo uma prática simples, que não depende de análise extensa, mesmo podendo parecer não é apropriado envolver-se em uma análise complexa. Ou ainda, se você estiver envolvido em uma prática que depende de algumas análises, se descartar essa análise e simplesmente descansar em um estado de simplicidade, isso prejudicaria a sua prática, mesmo que isso seja adequado em outra circunstância. No que diz respeito ao modo de conduta, é importante o que você faz, sua postura física e assim por diante, devem ser adequadas à prática que está fazendo.O exemplo mais óbvio é, quando você está fazendo a primeira parte das práticas preliminares, Ngondro, você não se senta como na a prática Shamata, no lugar disso faz prostrações e assim por diante. Além disso, você recita a oração de refúgio enquanto você está fazendo as prostrações, e não pratica Shamata. É importante que todos os aspectos de sua prática sejam harmoniosos e unificados.</p>
<p>A <strong>nona</strong> coisa em que confiar é nos estudantes dignos que têm fé e respeito, e essa confiança deve ser em alguém que, tenha atingido algumas qualidades associadas ao caminho, e está atuando como um amigo ou mestre espiritual para os demais. Quando o Mestre começa realmente a possuir essas qualidades, é preciso que ele decida em quais situações e quanto é apropriado ensinar. A decisão não deve ser baseada em quantas pessoas se pode reunir para ensinar, e o quanto você poderia dizer-lhes. Deve-se escolher o que se diz e para quem, com base no que é realmente adequado e necessário para a audiência.</p>
<p>De um modo geral, os alunos do Dharma devem ter os três tipos de fé. O primeiro é a fé de clareza, é uma noção clara do valor do Dharma, portanto, uma natural sincera apreciação por ele. A segunda é a fé do desejo, é o desejo intenso de alcançar as qualidades dos Budas e Bodhisattvas. O terceiro tipo é a fé da confiança, que é a convicção do aluno que Dharma é a melhor maneira de viver, e que a prática é uma forma digna de utilizar o tempo. No que se refere ao respeito, os alunos deverão ser capazes de reconhecer seus próprios defeitos e valorizar as qualidades de seu mestre. Respeito no contexto do Dharma, significa que os alunos devem considerar o seu professor da mesma forma que eles consideram um médico, que prescreve o remédio apropriado para alguém que está sofrendo de uma doença grave.</p>
<p>Para o mestre é importante abandonar dois extremos. Um é pensar:  &#8220;Eu sou um yogi que transcendeu as atividades mundanas. Portanto, não importa quantos alunos qualificados se aproximam de mim eu não vou dizer-lhes qualquer coisa, porque eu estou além dessa comunicação com outras pessoas.&#8221; Se os alunos qualificados aparecerem e você está qualificado para ensinar, você deve fazê-lo. O outro extremo é pensar: &#8220;Eu sou um yogi com algumas qualidades. Portanto, eu deveria ensinar o que puder para todos que conheço.&#8221; O perigo do segundo extremo é que, quando você ensinar as pessoas que não tem nenhum respeito pelo Dharma, isso será desperdiçado porque as pessoas não serão beneficiadas pelo ensinamento. Não só não serão beneficiadas, na verdade a falta de respeito pelo Dharma e pelo mestre crescem à medida que o tempo passa, por receberem o ensinamento sem fé e respeito. Assim, ensinar sem os devidos cuidados é uma maneira muito eficaz de enviar a si mesmo e aos outros para os reinos inferiores.</p>
<p>A <strong>décima</strong> coisa sobre a qual temos de confiar é manter contínua consciência e plena atenção ao longo dos quatro tipos de atividades. As quatro tipos de atividades são: comer, dormir, andar e sentar. Devemos estar conscientes de que estamos fazendo em todas as situações, com destaque para essas quatro.</p>
<p>É particularmente importante proteger todos os nossos votos nosso Samaya, sejam eles quais forem. Devemos considerar a proteção de votos e Samaya do jeito que consideraríamos a proteção de uma joia extremamente valiosa que nos foi confiada. Se soubermos que em algum lugar lá fora existem ladrões à espera de uma chance de roubar esta joia, estaremos constantemente atentos para evitar que a joia seja roubada. Da mesma forma, para manter nossa disciplina devemos sempre observar nossas mentes, porque os ladrões que roubariam a joia da nossa disciplina são as aflições mentais que surgem na mente. Quando aflições mentais assumem a mente, começam a produzir conceitos e pensamentos aflitivos, que levam a atos negativos. Desta forma, é especialmente importante observar a mente em todos os momentos.</p>
<p>Há duas explicações comuns e incomuns de como manter contínua consciência e plena atenção ao longo das quatro atividades. A explicação comum é: quando se estiver comendo, fazê-lo moderadamente, como foi explicado antes. Quando você dormir, fazê-lo com a intenção virtuosa de se levantar na manhã seguinte e usando todo o seu tempo para a prática do Dharma. Quando você está andando, ter o cuidado para evitar pisar em insetos ou prejudicar outros seres sencientes. Ao sentar-se, tome cuidado para não esmagar os insetos escondidos sob as almofadas, ou prejudicar quaisquer seres. Essa é a forma como a consciência comum é dirigida.</p>
<p>A atenção incomum do mantra secreto é baseada nestes preceitos mencionados, mas acrescenta-lhes outras práticas: Quando você está comendo, considerar o seu corpo como a Mandala de todos os Vitoriosos, e oferecer seu alimento a eles como substâncias de um banquete. Quando você está indo dormir, meditar sobre a luz clara associada com o sono, o que pode fazer recitaando um mantra, repousando a mente em um estado de não-conceitualização ou não-fabricação, e assim por diante. Quando caminhar, visualizar o seu guru raiz acima do seu ombro direito imaginado que você o está circumambando. Ao sentar, visualizar o seu Lama Raiz acima de sua cabeça em todos os momentos. O ponto de ambas as explicações comuns e incomuns é preservar contínua consciência e a plena atenção em todos os momentos, porque estes são a fundação ou base de todo o Dharma.</p>
<p>Estas são as dez coisas nas quais confiar desde o início de sua prática do Dharma até a realização da fruição completa. Dentre elas, a primeira naturalmente, é o Mestre correto. Devemos confiar nestas dez coisas de modo a nunca nos separarmos delas, assim como corpo nunca está separado de sua sombra.</p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Preciosa Guirlanda 02 &#8211; Cap. 2 As Dez Coisas Necessárias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sudamar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2016 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gampopa - A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo]]></category>
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					<description><![CDATA[O Texto As dez coisas necessárias: 1. É necessário ser independente para que não se deixar levar por conselhos; 2. É necessário praticar com fé e diligência, de acordo com as instruções do santo lama; 3. É necessário selecionar as instruções do lama de maneira inequívoca, compreendo a distinção que &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//soundcloud.com/sanghakpg/a-preciosa-guirlanda-02?in=sanghakpg/sets/gampopa-a-preciosa-guirlanda-do-caminho-supremo&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=false" width="100%" height="auto" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p>O Texto</p>
<p>As dez coisas necessárias:</p>
<p>1. É necessário ser independente para que não se deixar levar por conselhos;</p>
<p>2. É necessário praticar com fé e diligência, de acordo com as instruções do santo lama;</p>
<p>3. É necessário selecionar as instruções do lama de maneira inequívoca, compreendo a distinção que há entre instruções apropriadas e inapropriadas.</p>
<p>4. É necessário desempenhar as instruções do lama com sabedoria, fé e diligência.</p>
<p>5. Utilizando-se da plena atenção (“mindfulness”), da vigilância e da prudência, é necessário conservar sem máculas o corpo a palavra e a mente.</p>
<p>6. É necessário ser estável e independente na prática, possuindo coragem e a armadura da diligência.</p>
<p>7. É necessário ser sem apego, sem se deixar levar facilmente pelos outros.</p>
<p>8. Utilizando a preparação, execução e conclusão, é necessário perseverar sem descanso na reunião das duas acumulações.</p>
<p>9. Com amor e compaixão, é necessário voltar a mente para a realização direta ou indireta do bem dos seres.</p>
<p>10. Unindo sabedoria, compreensão e realização, é necessário não se enganar, considerando os objetos do conhecimento como possuindo alguma substancialidade dotada de características próprias.</p>
<p>Essas são as dez coisas necessárias.</p>
<h5>AS DEZ COISAS NECESSÁRIAS &#8211; COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE</h5>
<p>Gampopa em seguida apresenta as dez coisas necessárias, para uma correta prática do dharma. A <strong>primeira</strong> delas constitui em manter o comprometimento à prática do dharma até a sua conclusão, seja de forma geral ou especifica, qual você esteja fazendo no momento.  Se você não possuir tal comprometimento, você facilmente será levado por opiniões, conselhos e conversa de outros, e acabará não concluindo aquilo que começou. Para manter um forte comprometimento, você deve saber com detalhes e precisão os pontos essenciais da pratica que esta fazendo. Esse comprometimento vai crescer ao considerarem-se as dez causas de lamentação.</p>
<p>A <strong>segunda</strong> coisa necessária é por meio da fé e diligência realizar as vontades e instruções do seu Lama. Fé é praticar e cumprir com satisfação, as instruções dadas pelo Lama, pelo fato de reconhecer os benefícios de fazê-la. Diligência é, com entusiasmo, realizar efetivamente as instruções dadas, na qual se tem confiança. Através desta forte fé e intensa diligência você é capaz de colocar as instruções do seu Lama realmente em prática.</p>
<p>A <strong>terceira</strong> coisa necessária é praticar perfeitamente, com habilidade e compreensão, as instruções do seu Lama. Embora as instruções não possuam defeito, a forma que você as emprega pode sim ser defeituosa.  Por exemplo, se você tentar praticar o mantra secreto, sem qualquer renúncia do samsara e sem ter gerado a bodhicitta, embora as instruções do mantra secreto sejam profundas e imaculadas, a sua prática será totalmente ineficaz e não gerará qualidade alguma. Por isso é importante colocar o dharma em prática com habilidade, e com a compreensão da sua sequencia correta.</p>
<p>A <strong>quarta</strong> coisa necessária é preservar na prática uma forte confiança nos Ensinamentos e a visão correta sobre os seus significados. Significa colocar as instruções do Lama em prática, sem confundir o seu significado, de acordo com as intenções do Lama de como deve ser realizada a pratica. Sherab ( ou prajna em sânscrito)- significa conhecimento transcendente &#8211; vem da perspectiva de que só através de uma visão (“insight”) inquisitiva sobre o significado das instruções que recebeu, você será capaz de pratica-las apropriadamente.</p>
<p>Além disso, essa pratica deve ser prolongada até você gerar a extensão das qualidades que o seu Lama possui, adquirindo a mesma realização que ele.  Pela fé inabalável ou confiança no valor e eficácia, você persevera na pratica. Então, a <strong>quarta</strong> coisa necessária é a perseverança correta na pratica através da visão e confiança.</p>
<p>A <strong>quinta</strong> coisa necessária a se manter inclui a plena atenção (“mindfulness”), a vigilância e prudência. Você deve estar consciente da conduta que deve ser adotada ou abandonada.  Você deve estar atento e alerta na medida empregada da atenção. Finalmente, a partir da plena atenção e vigilância, você deve ter o cuidado de reparar quaisquer falhas ou desvios.</p>
<p>Se você aplicar estas três qualidades, seu corpo, fala e mente serão puros dos defeitos de conduta defeituosa. Por outro lado, se você não tiver a plena atenção, você não vai lembrar-se do que deve ser adotada ou abandonada. Se não tiver a vigilância, nada em sua conduta lhe permitirá ver atentamente o que você está fazendo. Mesmo se você se lembrar do que deveria fazer, não será capaz de realizar, porque você está perdido.</p>
<p>Se não houver prudência, quando você começa a se perder na conduta com defeito, não terá maneira de trazê-la de volta, por não ter o hábito da atenção plena ao que você está fazendo.</p>
<p>O resultado da falta destas três qualidades são que seus votos e o samaya serão prejudicados. Portanto, antes de se reunir com os inimigos da distração, você deve cercar-se com a armadura da plena atenção, vigilância e prudência, de modo que quando você for &#8220;atacado&#8221; não será destruído.</p>
<p>A <strong>sexta</strong> coisa que é necessária também são compostas de três pontos: a armadura do comprometimento, a coragem e a estabilidade na prática. Através da armadura do comprometimento, você não renúncia o seu compromisso com a prática. Através da coragem, os obstáculos e problemas que surgem durante a vida ou durante a prática não afetam a você. Você não permite que esses obstáculos e problemas, o afastem da prática, faça-o desistir de praticar. Através do seu comprometimento e coragem, você cria uma estabilidade em sua prática que é inabalável e sem medo, e impede que você seja afastado da prática por força de circunstâncias inesperadas. Se você se permite ser desviado da prática pelo menor incidente que seja, por obstrução ou a sua interrupção então você é pior do que qualquer pessoa mundana. Pessoas em atividades mundanas têm grande paciência diante de interrupções e obstáculos. Portanto, é muito importante para os praticantes do dharma mostrarem o mesmo  comprometimento e coragem.</p>
<p>A <strong>sétima</strong> coisa necessária é estar livre do apego (chag may) e da ausência de vício (zhen may). A frase tibetana para este significado, literalmente; “não deixe o seu anel de nariz ser pego por outros”.  As vacas tem em seu nariz uma argola, para ser facilmente levadas, através de uma corda. Se você é livre de qualquer tipo de apego ou vício de lugares específicos, de pessoas, dos seus bens, de experiências prazerosas ​​dos cinco sentidos, ou de objetos desejáveis que possam ser experimentados pelos cinco sentidos, então você está no controle de si mesmo e ninguém pode controlá-lo. No entanto, ter apego às condições agradáveis ​​e situações particulares é o mesmo que ter uma argola no seu nariz, com uma corda amarrada, e na outra extremidade uma pessoa puxando, para onde quer que ela queira que você vá. Apenas quando você possui uma argola ao redor de sua própria cabeça, sem deixá-la sobre o controle de ninguém, é que você poderá praticar  o dharma.</p>
<p>A <strong>oitava</strong> coisa necessária é que sua prática deve ser abraçada pela tríplice excelência. A primeira das três excelências é a pura motivação. No início de qualquer sessão de prática deve-se gerar o pensamento ou intenção que por meio dessa prática todos os seres sencientes possam ser levados ao estado de Buda completo. A segunda excelência é que, durante o corpo principal da sessão, você mantenha sua mente em um estado livre de elaboração, livre de elaboração conceitual da prática. A terceira excelência é no final selar com a dedicatória, não somente pelo mérito acumulado da sessão, mas também pelo mérito acumulado por todos os seres sencientes dos três tempos: passado, presente e futuro. Todo mérito é dedicado para a liberação completa e onisciência de todos os seres. Se a sua prática é abraçada por essa tríplice Excelência no início, no meio e no fim, resultará na dupla acumulação de mérito e sabedoria. Através da motivação correta, meditação e dedicação, você terá acumulação de mérito. Marcando toda a prática com o selo da não conceitualização, que é livre de elaboração, você realizará a acumulação de sabedoria.</p>
<p>A <strong>nona</strong> coisa necessária é o firme desenvolvimento da bondade e compaixão, por meio do qual você beneficia outros em ambas as formas, direta e indireta. Bondade amorosa é a desejo de que todos os seres sencientes possam ter a felicidade e as causas da felicidade. Através da bondade amorosa, você se engaja na conduta, que é necessária, para trazer benefício direto, em curto prazo para os seres. Em longo prazo, de forma indireta, você faz as aspirações de que, por meio de sua prática, todos os seres sencientes possam vir a atingir a felicidade suprema do estado de Buda. A Compaixão é o desejo de que todos os seres sencientes fiquem livres do sofrimento e das causas do sofrimento. Com esta motivação, você beneficia os seres sencientes diretamente, liberando-os a partir de situações de sofrimento e, indiretamente, através da aspiração, que sua prática será a causa de liberação total do todos os sofrimentos do samsara.</p>
<p>A <strong>décima</strong> coisa necessária é por meio da aplicação do conhecimento ou insight (sherab), evitar o defeito de reificação. Consiste em primeiro lugar, compreender intelectualmente e, segundo, realizar ou adquirir a experiência direta, que todas as coisas que percebemos não possuem substancialidade e nem características inerentes. O primeiro é entender que todas as coisas que percebemos não passam de meras experiências; são, em si, apenas elaborações mentais ou fabricações. O segundo é a realização plena de que a verdadeira natureza ou modo de ser de todas as coisas é livre de elaboração, ou seja, livre de qualquer mácula que pudesse ser produzida por suas aparentes características.</p>
<p>Este texto está dividido em capítulos contendo dez itens cada, e nós já passamos pelos dois primeiros. Uma compreensão apropriada de cada capítulo depende da memória do anterior. O entendimento do segundo capítulo depende da compreensão do primeiro e conforme seguimos adiante nos próximos capítulos, se faz necessário o entendimento dos anteriores. Por exemplo, se você estudar uma dos capítulos do final do texto, eles não farão muito sentido caso se desconsidere o conteúdo do material que os precede. Portanto, peço que não se esqueçam desses dois primeiros capítulos contendo dez itens cada.</p>
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		<title>A Preciosa Guirlanda 01 &#8211; Cap. 1  As Dez Causas de Lamentação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sudamar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2016 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gampopa - A Preciosa Guirlanda do Caminho Supremo]]></category>
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					<description><![CDATA[NAMO RATNA GURU A conduta perfeitamente pura é o ornamento dos Lamas da preciosa Linhagem Kagyüpa. São eles que liberam do oceano de terror, o Ciclo das existências, tão difícil de atravessar. Tomo refúgio, prosternando-me diante dos Santos Lamas da imaculada Linhagem da Prática. Suas vastas aspirações perduram e realizam-se &#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/478052673&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true" width="100%" height="166" frameborder="no" scrolling="no" data-mce-fragment="1"></iframe></p>
<p>NAMO RATNA GURU</p>
<p>A conduta perfeitamente pura é o ornamento dos Lamas da preciosa Linhagem Kagyüpa. São eles que liberam do oceano de terror, o Ciclo das existências, tão difícil de atravessar.</p>
<p>Tomo refúgio, prosternando-me diante dos Santos Lamas da imaculada Linhagem da Prática. Suas vastas aspirações perduram e realizam-se espontaneamente e as ondas de sua graça são inesgotáveis como o grande oceano.</p>
<p>Concedam-me sua graça!</p>
<p>Tendo mantido por muito tempo em minha mente as palavras originárias desses Lamas Kagyüpas, compus essa guirlanda preciosa do caminho supremo, essas instruções que me são caras e que destino aos afortunados ligados à mim: meus discípulos diretos e aqueles da Linhagem.</p>
<h5>AS DEZ CAUSAS DE LAMENTAÇÃO &#8211; Capítulo 1</h5>
<p>O texto</p>
<p>Aqueles indivíduos que aspirarem alcançar a liberação e a omnisciência da budeidade devem, desde o início, relembrar as dez causas de lamentação:</p>
<p>1. Engajar esse corpo humano puro, difícil de obter, em ações não virtuosas e negativas é lamentável.</p>
<p>2. Esse corpo humano puro, (dotado) das (8) liberdades e (10) aquisições, difícil de obter, deixá-lo perecer em ações mundanas em desconformidade com o dharma, é lamentável.</p>
<p>3. Nesta época degenerada, desperdiçar essa breve existência humana com atos insensatos, é lamentável.</p>
<p>4. Deixar a mente em si, cuja natureza é o dhamakaya livre de fabricações, afundar na lama das confusões do samsara é lamentável.</p>
<p>5. Deixar o santo lama, que guia ao longo do caminho antes de alcançar o despertar, é lamentável.</p>
<p>6. Deixar que esse barco, os votos e compromissos que permitem alcançar a liberação, sejam destruídos pelo poder das circunstâncias, paixões e da desatenção é lamentável.</p>
<p>7. A realização e a experiência alcançadas pela graça do lama, deixar esvaírem-se pela selva das ações mundanas é lamentável.</p>
<p>8. Vender as profundas instruções orais dos mestres realizados aos profanos, indignos de recebê-las, é lamentável.</p>
<p>9. Todos os seres sencientes, que foram nossos bondosos pais e mães, rejeitá-los e abandoná-los com uma mente hostil, é lamentável.</p>
<p>10. As três portas no desabrochar da juventude, deixá-las recair na indiferença ordinária, é lamentável.</p>
<p>Essas são as dez causas de lamentação</p>
<h5>AS DEZ CAUSAS DE LAMENTAÇÃO – COMENTÁRIOS KHENPO KARTHAR RIMPOCHE</h5>
<p>Gampopa diz que aqueles que quiserem obter a liberação, bem como o estado de onisciência ou a completa budeidade, devem se lembrar constantemente das dez causas de lamentação.</p>
<p>A <strong>primeira</strong> das dez causas de lamentação é a má-conduta. O ponto aqui é que a única causa possível para se experimentar uma existência humana, que é a base para a prática do Dharma, é manter uma conduta ética pura. Uma vez que raríssimos seres preservam, de alguma forma, uma conduta moral genuína, muito poucos alcançam uma existência humana. Em geral, as pessoas não praticam o que é virtuoso, mas se engajam naquilo que é nocivo – má-conduta. Até que se renuncie à má-conduta, a pessoa jamais alcançará a liberação do sofrimento ou mesmo livrar-se dos domínios inferiores de existência, o que dirá da omnisciência, e não terá qualquer habilidade para beneficiar os demais. Portanto, a primeira coisa a se lamentar é uma má-conduta.</p>
<p>A <strong>segunda</strong> causa de lamentação é desperdiçar a preciosa existência humana, dotada das oito liberdades e dez aquisições. De fato, é importante considerar que somente um ser dotado dessa preciosa existência humana, com essas dezoito características, dispõe das habilidades para a prática do Dharma. A primeira causa de lamentação envolve a conduta que impede um nascimento humano. Aqui, estamos preocupados nas ações que nos impedem de obter uma existência humana particular denominada &#8220;preciosa existência humana&#8221;, dotada das oito liberdades e dez aquisições.</p>
<p>A <strong>terceira</strong> causa de lamentação é a distração sem sentido e as ocupações sem sentido. A época em que vivemos é chamada &#8220;era decadente&#8221;. Dentre os aspectos dessa decadência está o fato de que nossa vitalidade é muito fraca. Existem poucos fatores que nos mantém vivos, mas muitos que nos conduzem à morte. Além disso, a morte pode ocorrer muito rapidamente e por um grande número de causas. Assim, é importante lembrar-se que não há tempo a perder. Portanto, a terceira causa de lamentação são as atividades de mera perda de tempo, ou seja, distrações.</p>
<p>A <strong>quarta</strong> causa de lamentação é o vício pela conceitualização e as aflições subsequentes. É dito que a verdadeira natureza da mente como ela é – a mente em si – é o dharmakaya. Todas as qualidades do dharmakaya estão espontaneamente presentes em nós. Elas são o que realmente somos. Entretanto, ao não reconhecermos isso, tendemos a seguir os pensamentos viciados que surgem na mente. Somos capturados pelas aflições mentais que eles produzem e isso o reconhecimento da mente.</p>
<p>A <strong>quinta</strong> causa de lamentação é a situação na qual rapidamente desenvolvemos um desgaste na relação de confiança pelo professor e na prática de suas instruções. É importante compreender que a única base possível, a partir da qual podemos alcançar a liberação do intenso sofrimento do samsara, é receber e praticar as instruções especiais dos nossos lamas. Desconsiderar o valor do receber e praticar tais instruções para engajar-se em vários tipos de atividades sem sentido é a quinta causa de lamentação.</p>
<p>A <strong>sexta</strong> causa de lamentação é a situação na qual o praticante danifica ou destrói qualquer um dos três votos. Em geral, diz-se que o único recipiente por meio do qual podemos cruzar o oceano de sofrimento samsárico e alcançar o domínio da grande felicidade, o domínio da liberação, o estado de budeidade, é o excelente vaso dos três tipos de votos ou compromissos. Eles são: 1) o voto exterior da liberação individual (voto pratimoksha); o voto interior (voto dobodhisatva), e 3) os votos vajrayana ou samaya. Permitir que esses três votos sejam danificados por meio de intensas aflições mentais (klesha) ou mero descuido é causa de lamentação.</p>
<p>A <strong>sétima</strong> causa de lamentação é descontinuar a prática após ter alcançado uma pequena realização por meio da confiança num amigo espiritual ou guru. Tendo alcançado alguma realização, você pode tornar-se facilmente distraído por atividades mundanas, abandonando as instruções e a prática e, assim, impedindo um desenvolvimento maior da experiência e realização.</p>
<p>A <strong>oitava</strong> causa de lamentação é a situação na qual não tendo uma realização genuína, mas tendo ouvido uma grande quantidade de ensinamentos profundos dos siddhas da linhagem, você repete suas instruções a muitas pessoas visando atrair estudantes e tornar-se rico, popular e poderoso. Você engana muitas pessoas fingindo ter realização. Essa é a oitava causa de lamentação.</p>
<p>A <strong>nona</strong> causa de lamentação é a atividade que prejudica outros seres sencientes. Isso deve ser evitado, uma vez que todos os seres sencientes têm sido nossos pais e, enquanto nossos pais, têm sido extremamente bondosos conosco. Outra razão é que a bodhicitta altruística é a espinha dorsal do caminho para a liberação. Portanto, é necessário abrir mão de toda a conduta rancorosa e especialmente aquelas que verdadeiramente prejudicam os outros. É importante lembrar que a geração e aplicação da bodhicitta dependem inteiramente da interação com os demais seres sencientes. Portanto, é necessário ter todos os seres sencientes como objetos de compaixão e realmente gerar compaixão por esses seres.</p>
<p>A <strong>décima</strong> causa de lamentação é a procrastinação, e o que se perde é o corpo, palavra e mente – as três portas. Especialmente quando se é jovem, com o corpo é forte, a mente clara e a palavra flexível, você não se engaja na prática do Dharma porque se sente impelido às atividades mundanas. Enquanto faz isso, você pensa, &#8220;Eu vou praticar o Dharma quando for mais velho, quando as coisas se acalmarem um pouco&#8221;. Então, não praticando quando se é jovem, você vê que quando fica mais velho não pode praticar porque não tem o hábito de fazê-lo. Você já não é mais tão forte como antes, é mais difícil aprender as coisas e daí por diante. Esse tipo de procrastinação é definitivamente causa de lamentação.</p>
<p>Essas são as dez causas de lamentação.</p>
<p>&nbsp;</p>
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