Taranatha – A Essência da Ambrosia 06 – Contemplação 8

 

Os ensinamentos de hoje tiveram início com a apresentação do Shangpa Gurtso, que é a coleção da biografia e dos cantos de realização dos mestres da Linhagem Shangpa. Hoje foi apresentada a biografia e um canto de realização de Kyungpo Neljor.
Na sequência, tivemos ensinamentos e comentários sobre a contemplação 8, que encerra o capítulo sobre a Impermanência.

 


Contemplação 8

Os Versos de Cinco Raízes – A Instrução Usada para Meditação- Sessões Sobre Impermanência e Morte

Os versos raízes:

Primeiro considere que nada permanece o mesmo, tudo muda.
Pense nos muitos outros que morreram.
Pense repetidamente sobre as muitas causas potenciais de morte.
Medite, “Como será quando eu estiver morrendo?” Contemple o que acontecerá depois da morte.

Considere que nada permanece o mesmo, tudo muda.

Para cada um de nós, do momento que nascemos até o momento da nossa morte, este “continuum” de agregados muda e se desenvolve. Primeiro quando eu era bebê eu era assim, quando criança eu era assado. Na minha juventude deste outro jeito. Agora eu sou assim, cada vez mais perto da morte. Nada tem sido de qualquer benefício. Numa visão limitada da mente isso traz um certo desencantamento.

Pense em todos os outros que já morreram.

Recorde claramente a impermanência. Depois mentalmente enumere indivíduos dos quais você ouviu falar ou conheceu, que morreram na sua região de residência e reflita:

Quantas pessoas mais velhas que eu já morreram? Quantas pessoas da minha idade ou mais jovens já morreram? Quando penso sobre isso, há mais pessoas que já morreram do que estão vivas, e a maioria delas morre no auge de suas vidas. Sou da mesma natureza que todas essas pessoas. Eu não transcendo essa situação. Pensar que eu não vou acabar como eles é idiotice. Antes de morrer eu devo praticar o dharma puramente.

Com uma consciência aguçada da impermanência, pense sobre as pessoas e animais que você já ouviu falar ou conheceu que morreram. Pense naqueles que estão vivos, conhecidos ou os que você já ouviu falar, que passaram de muito poderosos a muito fracos, de ricos a pobres e assim por diante, então considere:

Eu, meus negócios, meus prazeres e assim por diante somos desta mesma natureza. Somos também transitórios.

Pense repetidamente sobre as muitas causas potencias de morte.

Depois de contemplar como antes nas muitas causas potenciais de morte, reflita:

Eu nem mesmo sei como as coisas exatamente ao meu redor podem contribuir para as circunstâncias da minha morte. Eu não sei como as coisas podem mudar espontaneamente a qualquer momento.

Medite: ‘Como será quando eu estiver morrendo?’

Quando eu estiver morrendo, se a minha mente estiver em um estado não-virtuoso, eu experimentarei um sofrimento terrível, o carma da minha força vital sendo decepado e assim por diante. A morte não é desejada ou alegremente bem-vinda. Indesejada ela vem de súbito. As pessoas não morrem felizes e cheias de deleite. Elas morrem acompanhadas de um poderoso e intenso sofrimento. O próximo mundo não é um lugar que eu conheço ou que me seja familiar. Eu estou para vagar sem direção em uma terra desconhecida.

Contemple o que acontecerá depois da morte.

Quando eu morrer, meu corpo e minha mente serão separados. Este corpo será enterrado e se transformará em uma massa de vermes ou será jogado na água para ser comido pelos peixes e lontras, ou será cremado e reduzido a um punhado de ossos, ou será carregado para as montanhas ou planícies para ser espalhado e devorado por aves e chacais. No final, depois de alguns dias não restará nem um traço sequer. A morte deste corpo, nutrido tão cuidadosamente, agora será assim. Se a mente, carregando o fardo do carma, deve seguir para um lugar de nascimento desconhecido, existe alguma dúvida de não se praticar o dharma agora? Ou se eu vier praticando existe alguma dúvida de que eu não devo deixá-lo de lado ou para depois?

Depois de contemplar desta maneira trace um plano pensando:

Agora eu vou assumir uma prática espiritual pura. Com a armadura deste propósito eu vou trazer, viver e proteger a prática espiritual. Depois vou passar a minha vida em grande alegria. Depois que eu morrer os outros dirão, “Ela era verdadeiramente uma pessoa (religiosa)praticante do dharma,” e terão a aspiração de ser iguais a mim. Para viver essa vida eu preciso me comprometer com um objetivo. Para isso devo meditar sobre a verdade e alcançar um estado estável. E para que isso aconteça eu tenho que me familiarizar com a prática das meditação e então me tornar proficiente.

Se eu não alcançar a estabilidade, então quando encontrar uma circunstância negativa a minha mente não será manejável. Existe um perigo de eu não manter meus planos de praticar o dharma. Eu posso agir contrariamente ao dharma e acabar cheio de arrependimentos. A morte virá no meio de um estrondo de descrédito de todos. Não há como eu deixar que isso aconteça, então aqui e agora, para realizar as aspirações dos outros e a felicidade para mim mesmo, me engajarei na autêntica prática espiritual e a manterei até a morte.

Faça este juramento várias vezes. Nesses dias, para todas as pessoas praticantes do dharma, tal remédio é crucial.