Taranatha – A Essência da Ambrosia 18 – Contemplações 29 a 31

 

Tivemos hoje uma breve revisão para localizar, no panorama dos ensinamentos do Senhor Buda, o texto que estamos estudando e compreendermos por que meditar sobre o sofrimento se buscamos a felicidade. Em seguida tivemos a leitura, os comentários e a meditação analítica sobre as contemplações 29 a 31 do capítulo 6.

 


CAPÍTULO 6 – O Sofrimento da Existência Cíclica em Geral

Contemplação 29 – Os Três Tipos de Sofrimento

Comece com as preliminares apresentadas acima. Contemple brevemente o sofrimento do reino dos infernos. Então continue contemplando o sofrimento dos fantasmas famintos, dos animais, dos humanos, dos semi-deuses, dos deuses dos desejos e dos deuses dos reinos com e sem forma. Considerando tudo isso pense:

A existência cíclica como os seus três reinos tem a natureza dos três, ou seis, ou oito tipos de sofrimento. Ela é como um armazém de tormento. Eu estou completamente rodeado de sofrimento. Sofrimento queima como fogo; agita como água; sacode como o vento; oprime como montanha. Onde quer que eu esteja é um lugar de sofrimento. Qualquer tipo de corpo que eu habite, é um corpo de sofrimento. Quem quer que seja meu amigo é um companheiro de sofrimento. Qualquer alegria será um contentamento de sofrimento.

Três tipos de sofrimento permeiam toda existência. O “sofrimento dos sofrimentos” (sofrimento manifesto) se refere a todo sofrimento que se manifesta como sensação de desconforto, como sensação de ardor, frio, doença e assim por diante. O “sofrimento da mudança” se refere a sentimentos de felicidade da vida e contentamento da bem-aventurança da meditação absortiva. O “sofrimento da existência complexa(ou composta)” é a base para outros dois tipos de sofrimento. Ele se refere meramente aos fenômenos complexos(ou compostos) desses agregados adotados que são a origem e o campo de cultivo de todo sofrimento. Quando os agregados experimentam um estado de simples neutralidade, o termo “o mero sofrimento da existência complexa(composta)” é usado. Se eu não me libertar desse sofrimento, não me libertarei dos outros dois. Eu devo, de qualquer maneira, me libertar dos três tipos de sofrimento.

Contemplação 30 – Os Oito Sofrimentos

Até agora os sete sofrimentos do reino humano foram explicados: o sofrimento do nascimento, o sofrimento do envelhecimento, o sofrimento do adoecimento, o sofrimento da morte, o sofrimento de se deparar com o que é desagradável, o sofrimento de ser separado daquilo que se ama e o sofrimento de não se encontrar o que se busca. O oitavo sofrimento é o sofrimento dos cinco agregados adotados próximos, o organismo corpo-mente em si. Esse tipo de sofrimento também tem cinco aspectos:

  1. O organismo é o recipiente para a manifestação do sofrimento: é o lugar onde o sofrimento do futuro vive e é cultivado.
  2. O organismo é o recipiente para o sofrimento que sustenta a dor: é a origem de todos os outros sofrimentos como o sofrimento do nascimento, envelhecimento, doença e morte.
  3. O organismo é o recipiente para o sofrimento do sofrimento.
  4. O organismo é o recipiente para o sofrimento da mudança: o sofrimento do sofrimento e o sofrimento da mudança, ambos surgem na base dos agregados.
  5. O organismo é a natureza do sofrimento da existência condicionada. O organismo em si define o sofrimento da existência condicionada.

    Toda a existência cíclica, com seus três reinos, é a essência dos oito tipos de sofrimento.

Contemplação 31 – Os Seis Sofrimentos

O sofrimento da existência cíclica tem várias facetas adicionais.

Primeiro: a existência cíclica tem a falha do sofrimento porque ela não é segura/confiável. Meus inimigos, amigos, parentes, filhos, lugares, corpo e satisfações não são seguros/confiáveis. Como é dito:

Pais se tornam filhos, e mães, esposas…..

Segundo: existe a falha do descontentamento. Não importa quanto prazer eu tenha, eu nunca estou satisfeito. Não importa quanto sofrimento eu experimente, eu nunca estou cansado. E o verso continua

…cada vez se enchendo mais que os quatro grandes oceanos…

Terceiro: existe a falha de ter desistido do meu corpo repetidas vezes. O verso continua:

…deve repetidamente experimentar a morte. Em cada tipo de existência, eu deixei montanhas de ossos.

Quarto: existe a falha por ter tomado renascimento repetidas vezes. Seres são compelidos a ter renascimentos sem fim:

Aqueles que foram minhas mães são infinitos como bagas de zimbro.

Quinto: existe a falha de flutuar repetidas vezes entre elevado e inferior. Mesmo que eu me torne Indra, eu cairei na terra. Mesmo que eu me torne um monarca universal, eu renascerei como o mais inferior dos servos. Mesmo nesta única vida, eu posso não ter nenhum senso de certeza mental seja sobre o estado da nossa felicidade e sofrimento, elevado e inferior, riqueza e pobreza. Isso está expresso na linha:

Mesmo que eu me torne Indra, merecedor de oferendas mundanas…

Sexto: existe a falha/culpa do sofrimento porque eu estou finalmente sozinho, sem companhia. Quando eu nasci, eu nasci sozinho. Quando eu morrer, eu morrerei sozinho. O envelhecimento e adoecimento são também experimentados sozinhos. No bardo eu viajo só. Meus amigos, parentes e esposa(o) não tem nenhuma utilidade. Isso se aplica à linha:

Eu tenho certeza de lamentar no final.

Assim toda a existência cíclica é sofrimento por ter a natureza das seis facetas do sofrimento. Mesmo se eu nascer no pico da existência, é fácil cair nas profundezas do inferno. Eu simplesmente me movo de um sofrimento para o próximo. É como se eu tivesse numa casa em chamas, como se eu estivesse abandonado em uma ilha de demônios comedores de carne e como se eu estivesse vagando na vastidão selvagem sem um guia. Eu devo me libertar desta situação imediatamente!

Contemplar desta forma por repetidas vezes.


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